O filósofo grego Aristóteles afirmava que devemos evitar os extremos. Ele desenvolveu a Doutrina do Meio-Termo (ou Mediania Aristotélica), que é central em sua ética. Segundo essa doutrina, as virtudes estão no meio entre dois extremos: um de excesso e outro de deficiência. Por exemplo, a coragem é uma virtude que se situa entre a covardia (deficiência) e a temeridade (excesso).
Aristóteles argumenta que a virtude é encontrada na "justa medida", que é determinada pela razão. Essa abordagem visa promover a moderação e o equilíbrio em todas as ações humanas, evitando assim os extremos que são considerados vícios. A ideia é que, ao buscar o meio-termo, podemos alcançar a felicidade e viver uma vida virtuosa.
Essa filosofia reflete a máxima grega "nada em excesso" e está presente em sua obra mais famosa sobre ética, a Ética a Nicômaco*.
Olhando para a política, podemos aplicar regra de Aristóteles para evitar tanto a extrema-esquerda quanto a extrema-direita. Os extremos políticos, especialmente se forem acompanhados de violência, devem ser evitados por qualquer pessoa sensata.
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* Ética a Nicômaco é uma das principais obras de filosofia de Aristóteles, dedicada a seu filho Nicômaco. A obra é composta por dez livros e aborda temas como a virtude, a felicidade, a prudência e a moralidade. Aqui estão alguns pontos principais sobre essa obra - Principais Temas:
Busca pela Felicidade: Aristóteles argumenta que a felicidade (eudaimonia) é o objetivo final da vida humana. Ele a define como uma vida virtuosa, onde as virtudes são exercidas de forma consistente.
Virtude como Meio-Termo: A virtude é vista como um meio-termo entre dois extremos: o excesso e a deficiência. Por exemplo, a coragem é o meio-termo entre a covardia e a temeridade.
Prudência e Hábito: A prudência (phronesis) é considerada uma virtude essencial para tomar decisões éticas. O hábito também desempenha um papel crucial no desenvolvimento das virtudes.
Tipos de Virtudes: Aristóteles divide as virtudes em morais (como justiça e coragem) e intelectuais (como sabedoria e prudência).
Prazer e Vida Contemplativa: No Livro X, Aristóteles discute o prazer e a vida contemplativa como formas superiores de felicidade, onde a atividade intelectual é considerada a mais elevada.
Estrutura da Obra:
- Livros I e X: Focam na felicidade e no bem supremo.
- Livros II e III: Discutem a virtude moral e a importância do meio-termo.
- Livros IV a IX: Abordam diferentes virtudes morais e intelectuais.
- Livro X: Conclui com uma discussão sobre a vida contemplativa como a forma mais elevada de felicidade.
Ética a Nicômaco é uma obra fundamental para entender a ética aristotélica e sua influência na filosofia ocidental.
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