quarta-feira, 20 de março de 2019

Mate em três (problema de xadrez)


No diagrama acima, as negras acabam de efetuar o lance 1 ... f5. Qual a sequência que dará às brancas a vitória por cheque-mate?

quinta-feira, 14 de março de 2019

Sêneca: como enfrentar as adversidades da vida.

Busto de Sêneca (fonte aqui)

Lúcio Aneu Sêneca (em latim: Lucius Annaeus Seneca; Corduba, 4 a.C. — Roma, 65) foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Sêneca, o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.

Sêneca foi simultaneamente dramaturgo de sucesso, uma das pessoas mais ricas de Roma, estadista famoso e conselheiro do imperador. Filho de uma família romana importante, vivendo em meio mais poderosos políticos do Império Romano, ele estava acostumado aos altos e baixos da vida.

Sêneca ocupava-se da forma correta de viver a vida (ou seja, da ética), da física e da lógica. Via o sereno estoicismo como a maior virtude, o que lhe permitiu praticar a imperturbabilidade da alma, denominada ataraxia (termo utilizado a primeira vez por Demócrito em 400 a.C.). Juntamente com Marco Aurélio e Cícero, Sêneca está entre os mais importantes representantes da intelectualidade da Roma Antiga (fonte aqui).

Se as pessoas que estão no mundo conseguissem refrear um pouco seus impulsos, pensar um pouco mais antes de agir e tolerar os sofrimentos da vida, muitas das tragédias que vemos em nossos dias simplesmente não aconteceriam. Um texto de Sêneca (trecho de A tranquilidade da Alma):

1 - Eis que, sem saber, caíste numa situação de vida difícil. A adversidade pública ou privada colocou um laço em teu pescoço. Não consegues nem afrouxar nem rompê-lo de vez. 

Lembra-te. Os prisioneiros, só no começo, ficam aflitos com as algemas e grilhões. Com o tempo, quando eles resolvem a não mais se irritarem e decidem tudo suportar, então ficam resignados. É quando advém o hábito e tudo se torna fácil. Realmente, em qualquer situação da vida encontrarás distrações, descanso e prazer, desde que queiras avaliar como leve teus males, em vez de tê-los como insuportáveis.

2 - Sabendo das tribulações para as quais nascemos, e nada para lhes granjear nosso reconhecimento, a natureza fez do hábito o abrandamento dos incômodos que, em pouco tempo, torna familiares os tormentos mesmo pesados.

Ninguém resistiria, se a força das coisas adversas prosseguisse tal como principia.

3 - Estamos todos algemados ao destino. Para alguns as algemas são de ouro e frouxas, para outros apertadas e sórdidas. Que diferença isso faz...

A mesma guarda cerceia a todos, quer os algemados, quer os que algemam, salvo se no teu parecer são mais folgados os ferros no pulso esquerdo. 

A uns a honra e a outros a opulência prenderam. A uns a nobreza deprime, a outros a obscuridade. Alguns dobram a cabeça sob a tirania alheia, enquanto outros sob a própria. Alguns são retidos no mesmo lugar pelo exílio, a outros pelo sacerdócio. Enfim, a vida toda é servidão.

4 - É necessário saber acomodar-se à sua condição; queixar-se dela o mínimo possível; captar tudo o que ela contém de favorável, já que nada é tão acerbo que uma alma de bom censo não depare, aí, algum conforto.

Com frequência, uma área pequena torna-se, pela arte do arquiteto, apta para muitos usos e um recanto apertado se faz habitável.

Aplica a razão às dificuldades. Então coisas ásperas abrandam-se, sendo que fardos carregados, de modo ajeitado, tornam-se leves.

5 - Além do mais, as nossas volúpias não devem ficar projetadas para espaços inacessível. Permitamos, sim, que despontem em nossa vizinhança, já que, de modo pleno, não são elas passíveis de clausura.

Deixando de lado, seja o que é impraticável, seja o que é em excesso difícil, cuidemos de fazer o que está a mão e corrobora as nossas expectativas. Saibamos que todas elas são transitórias, ainda que exteriorizando diversidades, no íntimo, são mesmo voláteis.

Também não invejemos a sorte de quem está em posição privilegiada. Aquilo que parece altitude, na verdade, é boca de abismo.

6 - Ao contrário, aqueles aos quais a sorte malévola colocou em lugar indesejável, ficarão mais seguros, coartando os arroubos de grandeza e assim conduzindo seus destinos tanto quanto possível ao nível da normalidade.

Muitos são aqueles que devem se manter instalados no seu prestigio do qual só podem sair pela queda. Por essa mesma razão devem demonstrar que pesam sobre os outros, não porque se deleitam em pairar na altitude e, sim, porque a isso são coagidos.

Por isso, por sua justiça, mansidão, senso humanitário, generosidade difusa, abasteçam suas forças para enfrentar as adversidades do destino, já que tal esperança lhe suaviza a insegurança.

Nada de melhor para proteger contra tais flutuações do espírito, como colocar limites na ambição de crescimento, como ainda não deixar ao sabor da fortuna que ela edite a última palavra.

Pode, sim, ocorrer que sejamos incitados por certa cupidez, mas serão impulsos controlados e nunca sem limites.

Fonte: Ricardo Melani. Diálogo: primeiros estudos em Filosofia. São Paulo: Moderna. 2016. 2a. Ed. Pg. 128.

terça-feira, 12 de março de 2019

Divulgando: CIRCUITO MOEZIO NUNES - 1a. ETAPA (xadrez)


CCXR - CIRCUITO MOEZIO NUNES - 1ª ETAPA
Dia: 16 de março, das 14h às 19h.
SHOPPING BENFICA, Fortaleza-CE
AV. CARAPINIMA 2200 - BENFICA.
Click aqui para fazer sua inscrição agora!

OBJETIVOS:
  • Movimentar o Rating FCX e a modalidade no município, favorecendo a oportunidade dos jogadores locais de competir com enxadristas de todo o Estado; 
  • Classificar Finalista para a Final do Campeonato Cearense de Xadrez Rápido de 2019; 
  • Incentivar a prática do xadrez pelo Ceará e a confraternização enxadrística.
REALIZAÇÃO, DIREÇÃO E ARBITRAGEM:

  • Realização: Xadrez Clube; 
  • Árbitro do Evento: Francisco Roberto Santiago dos Santos.

SISTEMA, RITMO DE JOGO E EMPARCEIRAMENTO:

  • Sistema: suíço em 06 rodadas pelo programa SwissPerfect 98; 
  • Cadência: 20 minutos (relógio analógico) ou 15 minutos + 5 segundos de incremento (relógio digital), este último tem prioridade.

PROGRAMAÇÃO:

  • 13:30 - Confirmação de inscrições; 
  • 13:45 - Abertura do Evento e Congresso Técnico; 
  • 14h – 1a. Rodada e subsequentes; 
  • Premiação e encerramento logo após o término da última rodada.

*** Inscrições: unicamente pelo site http://www.chess-ratings.com

segunda-feira, 11 de março de 2019

Divulgando: Campeonato NORTE-NORDESTE Amador (xadrez)


Campeonato NORTE-NORDESTE Amador - TÍTULO DE MN e Vaga no BR De 26 a 28 de abril. Hotel Beira Mar, Fortaleza-CE Avenida Beira Mar, 3130 - Salão de Jogos do Hotel Click aqui para fazer sua inscrição agora!



*** Mais informações aqui.

sábado, 9 de março de 2019

Falácias: um breve resumo.

Adaptado daqui.

A palavra "falácia" tem origem no termo latim fallacia, coradical do verbo fallere (enganar). O termo significa, portanto, engano. A falácia ocorre quando existe uma falha na argumentação ou no raciocínio por trás de alguma afirmação que não consegue sustentar uma conclusão. Nem sempre é resultado de má fé, mas pode ser consequência da falta de conhecimento de quem emite a sentença. No dicionário encontramos:

Falácia: substantivo feminino; 1. qualidade do que é falaz; falsidade. Ex: "sua afirmação é uma f." 2. FILOSOFIA. No aristotelismo, qualquer enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade; sofisma.

Existem muitos tipos de falácias, elas podem ser até agrupadas em tipos semelhantes. Os nomes das falácias podem variar. Apresentaremos alguns tipos a seguir (na Wikipedia existe um lista bem detalhada - ver aqui).
  • Falso dilema. É uma falácia do tipo "isso ou aquilo", quando na verdade existem mais opções. Ex: "Reduz-te ao silêncio ou aceita o país que temos". É uma falácia porque uma pessoa tem o direito de denunciar o que bem entender.
  • Apelo à Ignorância (argumentum ad ignorantiam). Os argumentos deste tipo concluem que algo é verdadeiro por não se ter provado que é falso; ou conclui que algo é falso porque não se provou que é verdadeiro. Ex: "Como os cientistas não podem provar que se vai ter uma guerra global, ela provavelmente não ocorrerá."
  • Derrapagem (bola de neve). Para mostrar que uma proposição, P, é inaceitável, extraem-se consequências inaceitáveis de P e conseqüências das conseqüências... O argumento é falacioso quando pelo menos um dos seus passos é falso ou duvidoso. Mas a falsidade de uma ou mais premissas é ocultada pelos vários passos "se... então..." que constitui o todo do argumento. Ex: "Se aprovarmos leis contra armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas, e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas".
  • Apelo à Piedade (argumentum ad misercordiam). As falácias deste tipo têm em comum o fato de apelarem a emoções ou a outros fatores psicológicos. Não avançam razões para apoiar a conclusão. Ex: "Esperamos que aceite as nossas recomendações. Passamos os últimos três meses trabalhando sem descanso nesse relatório."
  • Apelo às consequências (argumentum ad consequentiam). O argumentador, para “mostrar” que uma crença é falsa, aponta consequências desagradáveis que advirão da sua defesa. Ex: "Não pode aceitar que a teoria da evolução é verdadeira, porque se fosse verdadeira estaríamos no nível dos macacos."
  • Apelo ao povo (argumentum ad populum). Com esta falácia sustenta-se que uma proposição é verdadeira por ser aceite como verdadeira por algum sector representativo da população. Esta falácia é, por vezes, chamada "Apelo à emoção" porque os apelos emocionais pretendem atingir, muitas vezes, a população como um todo. Ex: "Eu vou votar no partido A, pois todos irão votar nesse partido. Eu não quero perder o meu voto."
  • Ataques pessoais (argumentum ad hominem). Ataca-se pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que apresentou. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo, o caráter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo tem algo a ganhar com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias. Ex:"Você diz que eu não devo beber, mas você mesmo não está sóbrio faz mais de um ano (tu quoque)."
  • Apelo à autoridade (argumentum ad verecundiam). Ainda que às vezes seja apropriado citar uma autoridade para suportar uma opinião, a maioria das vezes não o é. Ex: "O famoso psicólogo Dr. Frasier Crane recomenda que compre o último modelo de carro da Skoda."
  • Amostra limitada. Se bem feita, uma amostra de um população pode ser usada para uma projeção ou generalização, mas temos que ter cuidado! Ex: "Consultamos quase 100 pessoas no centro da cidade de Fortaleza, logo já podemos prever os resultados das próximas eleições".
  • Petição de Princípio (petitio principii). A verdade da conclusão é pressuposta pelas premissas. Muitas vezes, a conclusão é apenas reafirmada nas premissas de uma forma ligeiramente diferente. Nos casos mais subtis, a premissa é uma conseqüência da conclusão. Ex: "Dado que não estou mentindo, segue-se que estou a dizer a verdade."
  • Anfibologia. Uma anfibologia ocorre quando a construção da frase permite atribuir-lhe diferentes significados. Ex: "O Oráculo de Delfos disse a Croseus que se ele continuasse a guerra destruiria um reino poderoso". O Oráculo não disse que seria o seu próprio reino.
  • Falácia da composição. Por as partes de um todo terem certa propriedade, argumenta-se que o todo tem essa mesma propriedade. Esse todo pode ser tanto um objeto composto de diferentes partes, como uma coleção ou conjunto de membros individuais. Ex: "As células não têm consciência. Portanto, o cérebro humano, que é feito de células, não tem consciência".
*** Fonte principal: Guia das falácias de Stephen Downes (on-line).

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Astronomia: estrelas gigantes e supernovas


[Texto publicado no Jornal O Povo desta semana - link aqui]

O matemático e astrônomo/astrólogo alemão Johannes Kepler (1571 - 1630) teve o privilégio de observar no ano de 1604 o aparecimento de uma “nova” estrela no céu. Essa nova estrela brilhou intensamente durante algum tempo e desapareceu completamente em um pouco mais de um ano. Era o que os astrônomos chamam de uma “supernova”, uma estrela que apresenta um repentino aumento em seu brilho por alguns meses e que depois vai lentamente desaparecendo. Durante o período de brilho máximo, uma supernova pode ter luminosidade tão intensa quanto uma galáxia inteira. Esse é um fenômeno muito raro, mas, curiosamente, no ano de 1572 uma outra supernova havia surgido no céu e foi registrada pelo astrônomo observacional Tycho Brahe (1546 - 1601). Esses eventos ajudaram a derrubar de vez a tese aristotélica dos céus imutáveis que ainda persistiam no início da Idade Moderna.

Uma estrela como o Sol não deve se tornar uma supernova. Falta uma coisa básica: massa. O Sol, por mais surpreendente que pareça, é “apenas” uma estrela “anã” amarela. Somente estrelas com massa muito maior que o Sol ou que possuem companheiras massivas é que podem vir a se tornarem supernovas. Isso nos leva a uma pergunta: qual o tamanho (massa) máximo que uma estrela pode ter? Em um artigo anterior (“O tamanho das estrelas” – 28/janeiro/2019) escrevemos sobre estrelas de baixa massa, as anãs vermelhas. Neste artigo nosso foco estará em estrelas de grande massa e como elas se tornam supernovas.

Estrelas de grande massa são raras, embora várias delas sejam visíveis no céu noturno: Antares (constelação de escorpião), Aldebaran (constelação de Touro), Rígel, Betelgeuse e Bellatrix (constelação de Órion), Beta Centauri, para citar apenas algumas das mais famosas e fáceis de identificar. Uma estrela de grande massa pode ter uma dezena a centenas de vezes a massa do Sol. Os astrônomos acreditam que um valor próximo a 150 vezes a massa do Sol seja o limite máximo que uma estrela pode alcançar. A estrela Eta Carinae A e a Estrela da Pistola (uma hipergigante azul) estão bem perto desse limite.

Uma estrela de grande massa tende a evoluir muito mais rapidamente, em termos astronômicos, que uma estrela de anã. Em poucas dezenas de milhões anos depois que começar a brilhar ela esgota seu principal combustível (hidrogênio) e passa a consumir hélio e outros elementos em grandes quantidades em seu núcleo, formando como resultado elementos químicos de maior número atômico e liberando uma imensa quantidade de energia na forma de luz e calor, muito mais do que o Sol é capaz de gerar.

Como resultado desse consumo rápido do combustível, a estrela de grande massa tem uma vida relativamente curta. Em poucos milhões de anos ela se torna uma gigante ou supergigante vermelha com um núcleo quente e denso sintetizando elementos pesados e um enorme volume de plasma bem mais “frio” envolta desse núcleo. Com o fim do combustível nuclear, a pressão gravitacional faz com que as camadas externas “desabem” sobre o núcleo gerando uma gigantesca explosão – uma supernova. Nessa explosão, a estrela é praticamente destruída, com suas camadas externas sendo ejetadas para o espaço a grandes velocidades. Esse material ejetado é rico em elementos químicos, como o carbono, oxigênio e ferro. Daí vem a expressão que somos “poeira das estrelas” popularizada pelo astrônomo Carl Sagan. Os átomos que compõem nosso corpo foram forjados nessas explosões titânicas. O que sobra da outrora imensa estrela é um núcleo extremamente denso e muito pequeno, uma estrela de nêutrons ou, algo ainda mais extraordinário: um buraco negro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Problema de xadrez: brancas jogam e empatam!


No mês passado, dia 23 de janeiro, apresentamos um interessante problema de xadrez (ver aqui). Hoje apresentamos mais um. O "diferente" nesse problema é que as brancas jogam e não vencem, mas empatam. As negras estão a dois movimentos de aplicar um xeque-mate nas brancas com a dama recém promovida (... Da1+, seguido de mate), como as brancas conseguem evitar esse trágico fim?

No diagrama acima, a brancas jogam e empatam!