domingo, 11 de janeiro de 2015

Como acontece uma descoberta científica?

Figura original aqui.
Bom, o título desta postagem talvez não devesse ser exatamente esse. Algo como "o que fazer com uma descoberta científica que ninguém acredita?" ou então "é difícil quebrar um paradigma*?" talvez fosse mais exato. O fato é que fazer uma descoberta totalmente fora dos padrões estabelecidos é uma dor de cabeça muito grande: muitos irão desconfiar, você pode ser ridicularizado por cientistas famosos (ou pelo seu orientador) e só depois de muito tempo é que seu trabalho pode ser reconhecido como válido e aceitável pela comunidade dos cientistas. E você pode até ganhar algum prêmio importante. Mas até chegar nesse ponto, você vai precisar ter muita força de vontade para não desistir.

No final das contas, é assim que a ciência funciona. Uma descoberta incremental é aceita rapidamente, afinal foi só uma pequena pedra que foi acrescentada no grande mural do conhecimento. Já uma descoberta notável, que foge dos padrões e dos paradigmas vigentes, é posta sob quarentena e só depois de comprovada de forma independente por vários outros é que ganha o status de "científica". Claro, uma descoberta dessa magnitude é, via de regra, rara e tem o poder de criar novas linhas pesquisas e desbravar novos caminhos.

Um exemplo: Einstein recebeu o prêmio Nobel de Física em 1921 pela explicação do efeito fotoelétrico publicada em 1905, e não pela teoria da relatividade. A teoria da relatividade demorou décadas para ser formalmente aceita por "toda" comunidade científica (ver aqui).

Um segundo exemplo: a descoberta dos quasicristais por Daniel Shechtman. A descoberta aconteceu em 1982, mas só foi aceita (por parte da comunidade) alguns anos depois e o prêmio Nobel veio somente em 2011 (ver aqui).

Obs: se você for mulher, as coisas podem ser ainda mais complicadas. No passado (até a metade do século XX) as mulheres eram relutantemente admitidas nas Universidades. Ver, por exemplo, o caso de Cecilia Helena Payne-Gaposchkin (ver aqui - ok, a tradução poderia ser melhor).

Para saber mais: Thomas Kuhn (e os tais paradigmas) e aqui (Thomas Kuhn. A Função do Dogma na Investigação Científica - Barra, Tozzini, Miranda, Couso e Brzowski).

Obs: como diria Pierre de Fermat ("o espaçoso") não havia espaço suficiente nesta postagem para incluir qualquer referência a K. Popper, Lakatos e outros filósofos da ciência, mas se você estiver interessado em mais alguma coisa do gênero aqui vai mais um link: aqui (FILOSOFIA DA CIÊNCIA E ENSINO DE CIÊNCIA: UMA ANALOGIA).

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