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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Aumento no número de casos de COVID em Fortaleza: recomendações para o IFCE

 

Recomendações para minimizar os casos de covid-19 no IFCE 

Considerando o aumento de casos de covid-19 no Ceará desde o último mês de novembro (entre os dias 22 e 28 desse mesmo mês, Fortaleza registrou taxa de positividade de 42,7% dos exames RT-PCR), a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) publicou recomendações aos serviços de saúde para evitar aumento da infecção nas unidades de saúde.

Essas medidas também podem ser adotadas pela comunidade acadêmica do IFCE para evitar o aumento da transmissão da doença. Segundo as indicações da Secretaria de Saúde do Ceará, recomenda-se:

  1. no caso de algum sintoma gripal, como coriza, coceira no nariz, tosse e dor de garganta, procure orientação médica; 
  2. no caso de testagem positiva, o indicado é permanecer em isolamento por cinco dias, contando a partir do primeiro dia de sintomas (após o quinto dia, se continuar com sintomas deve manter o isolamento até o sétimo dia e, se persistirem os sintomas, deve continuar até o 10º dia; caso o paciente não tenha sintomas a partir do 7º dia, pode sair do isolamento); 
  3. no caso de testagem positiva e caso o paciente esteja assintomático, a pessoa também deve fazer isolamento de cinco dias (após o quinto dia sem sintomas- e sem antitérmicos há pelo menos 24 horas - deverá fazer um novo teste ou continuar em isolamento até o 7º dia; caso o novo teste dê positivo, o isolamento deve seguir até o 10º dia; caso dê negativo, pode sair do isolamento). 
  4. recomenda-se ainda:- lavar as mãos com água e sabão;- cobrir boca e nariz ao tossir e espirrar;- evitar compartilhar objetos pessoais;- manter-se em ambientes bem ventilados. 
  5. uso de máscara cirúrgica para: 1. todos os profissionais de saúde em ambiente ambulatorial, de acordo com as recomendações da Anvisa, conforme descrito na NT GVIMS/GGTES/ANVISA n.º 04/2020, atualizada em junho de 2024; 2. todos os indivíduos do mesmo ambiente de pessoas que tiveram diagnóstico de covid-19, independentemente de apresentarem sintomas, devido ao potencial risco de transmissão por pessoas assintomáticas; 3. pessoas com sintomas gripais ou pessoas que tenham tido contato próximo com pessoas com doenças respiratórias; 4. pessoas com diagnóstico laboratorial de covid-19 (por teste de antígeno ou biologia molecular), inclusive assintomáticas; 5. pessoas com fatores de risco para complicações por doenças respiratórias (em especial imunossuprimidos, idosos, gestantes e pessoas com múltiplas comorbidades) em situações de maior risco de infecção por vírus respiratórios, como: locais fechados e mal ventilados, locais com aglomeração e em serviços de saúde; 6. as máscaras não devem ser usadas por crianças menores de dois anos ou pessoas que tenham dificuldade para respirar, que estejam inconscientes, incapacitadas ou que tenham dificuldade de remover a máscara sem ajuda.

Lembre-se: a vacinação contra covid-19 protege da ocorrência de infecção ou da ocorrência da forma grave da infecção.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Utilidade pública: como gerar o comprovante de vacinação contra covid (Ceará)


De acordo com o novo decreto estadual, a partir desta segunda-feira (15/11), deverá ser exigido comprovante de vacinação em todos estabelecimentos públicos (ver aqui). Assim sendo, segue a dica: além daquele cartão de vacinação que nós já temos, é possível emitir um cartão digital  através do vacine já. Para gerar o seu comprovante de vacinação é bem simples, veja o passo a passo:

✅ Acessar o link abaixo, inserir CPF, data de nascimento e preencher a captcha (aquelas letrinhas que pede) e na tela seguinte rolar a tela até o final, e clicar no botão verde (gerar comprovante de vacinação). 

✅ Será gerado um arquivo pdf com a cópia do seu cartão. Você também pode ainda bater um print da tela e ter ele em formato de imagem.

✅  Link: https://vacineja.sepog.fortaleza.ce.gov.br/solicitantes/consultar-cadastro 

De acordo com Camilo, a única forma de superar a pandemia é por meio da vacinação. "É preciso ter um empenho de todos, prefeitos, secretários municipais de saúde, todos os profissionais e da população. Tem pessoas que têm se vacinado com a primeira dose e não foram tomar a segunda dose, pessoas que estão no calendário para tomar a dose de reforço, mas não foram, e tem pessoas que ainda não se vacinaram. Faço um apelo para que todos os municípios cearenses acelerem a vacinação", pediu Camilo.

sábado, 27 de março de 2021

Não existe tratamento precoce contra a covid-19


Já foram feitos diversos testes clínicos e resultado foi conclusivo: não existe tratamento precoce com o chamado "kit covid" para combater a covid-19. Tratamento precoce contra a covid é um mito. O que podemos e devemos fazer é insistir no isolamento social, uso de máscaras, lavar as mãos sempre. A melhor opção de prevenção continua sendo a vacinação em massa da população. 

Em https://www.paho.org/pt/covid19, lá podemos ler:

Posteriormente, com base em novas descobertas, a OMS anunciou em 17 de junho de 2020 que o braço de hidroxicloroquina do Estudo Solidariedade que buscava encontrar um tratamento eficaz para COVID-19 foi interrompido. O Grupo Executivo do estudo e os principais pesquisadores tomaram a decisão baseados em evidências** do Estudo Solidariedade (incluindo dados do estudo francês Discovery), do ensaio Recovery do Reino Unido e de uma revisão Cochrane de outras evidências sobre a hidroxicloroquina.

Os dados e os resultados recentemente anunciados mostraram que a hidroxicloroquina não resulta na redução da mortalidade de pacientes com COVID-19 hospitalizados, quando comparados com o padrão de atendimento.

Com isso, os investigadores não randomizarão outros pacientes para hidroxicloroquina no Estudo Solidariedade.

 Esta decisão se aplica apenas à condução do Estudo Solidariedade. A cloroquina e a hidroxicloroquina continuam sendo medicamentos aceitos como geralmente seguros para uso em pacientes com malária ou doenças autoimunes.

Ver também a entrevista: 

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/03/26/presidente-do-einstein-diz-que-o-brasil-vem-cultivando-a-morte-e-alerta-contra-tratamento-precoce.ghtml

quinta-feira, 4 de março de 2021

Pandemia no Brasil: quantos irão morrer de covid?

 

Com o grande aumento no número de mortes por covid no Brasil surge "naturalmente" uma pergunta: quantos mais irão morrer até o fim da pandemia?! Não temos, ninguém tem, uma resposta para essa pergunta. Mas podemos fazer uma estimativa muito assustadora: um milhão de brasileiros terão como causa do óbito o novo corona vírus até meados de 2022. Até o final deste ano de 2021 teremos mais de 600 mil mortos. 

Espero que essas minhas estimativas estejam exageradas, mas temos os seguintes fatos (ou, pelo menos, prováveis fatos) que as sustentam: 

  • pandemia não vai acabar este ano no Brasil (nem no mundo);
  • estão surgindo novas variantes do vírus que são mais transmissíveis e ainda mais letais;
  • nossa indisciplina congênita e a falta de um comando centralizado ajudam a espalhar cada vez mais o vírus.
  • a vacinação está ocorrendo em uma velocidade muito baixa, faltam vacinas e logística ainda está meio perdida; e
  • estamos no final da fila para compra de vacinas. 

O cenário é, sem dúvida, de preocupação e desafiador, mas se todos (população, governos locais e federal) fizerem a sua parte, o custo em termos de vidas humanas será menor do que essas previsões.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Divulgando: Mais de 100 pesquisadores da UFSC assinam carta com 10 recomendações para acabar com a pandemia


Um documento com mais de 100 assinaturas de professores e pesquisadores da UFSC foi divulgado nas mídias sociais e imprensa catarinense nesta quinta-feira, 25 de fevereiro. Intitulado “Os 10 Pontos Necessários para Acabar com a Pandemia Segundo Pesquisadores e Professores da UFSC”, o documento apresenta um chamado à sociedade para que reflita sobre a necessidade de cumprir algumas medidas necessárias para evitar “um retrocesso de difícil reparação nos sistemas de saúde e educação, ou no desenvolvimento humano, econômico e social”.

A carta conclui salientando a necessidade de “mudança da postura nacional de enfrentamento da pandemia, para não sermos todos cúmplices históricos por naturalizar no século 21 um novo holocausto”. A publicação foi assinada por 104 cientistas, de diversos Centros de Ensino da UFSC.

Conheça abaixo os 10 pontos e os argumentos dos cientistas da UFSC:

1. AINDA NÃO É POSSÍVEL DESENVOLVER AS ATIVIDADES COTIDIANAS COMO DE COSTUME. Continuamos perante um evento excepcional de alteração da saúde pública, por doença altamente contagiosa e com um percentual significativo de casos que evoluem para formas graves ou mortais, sem precedentes nos últimos 100 anos.

2. AS RECOMENDAÇÕES DE DISTANCIAMENTO SOCIAL, USO DE MÁSCARAS, HIGIENE DAS MÃOS E VENTILAÇÃO DOS AMBIENTES SÃO AS ÚNICAS COMPROVADAMENTE EFICAZES. Os pesquisadores alertam que a pandemia se mantém pela nossa incapacidade individual e coletiva de cumprir com as quatro recomendações de prevenção, conhecidas desde o início. Reforçam que as máscaras devem cobrir completamente as entradas e saídas de ar do rosto e que as recomendações devem envolver a todos – governos, empresas e sociedade civil.

3. LIBERAR ATIVIDADES SEM FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE NORMAS PREVENTIVAS CONDUZ À PIORA INEVITÁVEL DA PANDEMIA, E CONSEQUENTEMENTE DOS SEUS EFEITOS ECONÔMICOS. O vírus tem apresentado características sem precedentes de transmissibilidade incrementada, o que resultará no colapso de nosso sistema de atendimento à saúde e num aumento também sem precedentes do número de mortes. Essas medidas, explicam os docentes, ao invés de minimizar os efeitos econômicos da pandemia, terão os efeitos contrários, pois levarão inevitavelmente a uma extensão do período pandêmico a elevação potencial de sua severidade e de todas as suas consequências negativas. Os países que sofreram quedas menores no seu PIB foram, na sua maioria, aqueles que colocaram em prática medidas muito mais rígidas de contenção do espalhamento da infecção, mas por períodos mais curtos de tempo, e conseguiram dessa forma manter janelas temporais de quase-normalidade, nas quais os cidadãos conseguiram retomar todas as atividades reprimidas durante os outros períodos.

4. O USO DE MÁSCARA EFICIENTE E BEM AJUSTADA DEVE SER EXIGIDO EM TODOS OS ESPAÇOS PÚBLICOS, E A FISCALIZAÇÃO DEVE SER AMPLA E GARANTIDA. Os pesquisadores da UFSC citam o egoísmo sistemático de pessoas. Salientam que é comum observar pessoas não pertencentes a grupos de risco se achando isentas de responsabilidade com os outros, fazendo questão de mostrar que não seguem as normas de prevenção em nome de uma suposta liberdade individual.  “Não podemos ignorar a ignorância dos outros, devemos explicar isto a quem ainda não entendeu. Reforçamos que os profissionais da saúde estão entre os grupos mais impactados por esta pandemia. Além do prejuízo à sua saúde física, adiciona-se o comprometimento da saúde emocional, que influi no desenvolvimento de suas atividades, como o combate da própria pandemia. A falta de compromisso de todos na contenção da infecção sobrecarrega além do necessário a estes colegas, fundamentais para a saúde de todos nós.”

5. QUALQUER ATIVIDADE LABORAL OU ECONÔMICA SOMENTE PODERÁ VOLTAR À NORMALIDADE QUANDO TIVERMOS CONSEGUIDO CONTROLAR A TRANSMISSÃO DA PANDEMIA. Antes desse controle, ressalta o documento, não haverá normalidade, pois não será possível conviver sem preocupações adicionais pela saúde.

6. A VOLTA DAS AULAS PRESENCIAIS DEVE SER REVISTA E ADIADA ATÉ QUE O CONTROLE DO PROCESSO PANDÊMICO/EPIDÊMICO ESTEJA CONSOLIDADO.  Os professores se posicionam contrários às atividades presenciais de ensino. Alegam que é falso que as crianças não se infectam, e afirmam que as crianças podem transmitir o vírus. “Todas as publicações científicas têm mostrado repetidamente que o convívio social delas permite essa transmissão, e indivíduos de qualquer idade podem ser infectados”. Os pesquisadores acreditam que o retorno de atividades escolares presenciais, apesar de muito necessárias, “precisam diminuir o contato com adultos ou com outras crianças que não pertençam ao núcleo familiar”. Os especialistas acreditam que “para conseguir isto não existe fórmula possível que não envolva a diminuição do número de indivíduos ou o aumento do tamanho dos locais onde se fazem as atividades, e simultaneamente a diminuição das taxas de transmissão atuais no resto de cidadãos”. O curso de Pedagogia da UFSC, por meio do Núcleo Docente Estruturante e Colegiado, manifestou-se em solidariedade aos/às trabalhadores/as em educação de Santa Catarina e do Brasil por meio de um manifesto no dia 24 de fevereiro.

7. AS VERDADEIRAS FORMAS PREVENTIVAS DE COMBATE À PANDEMIA DEVEM SER PRIORIZADAS E AMPLAMENTE DIVULGADAS. Os pesquisadores afirmam que é um erro grave pensar que aumentar o número de leitos hospitalares de uma região é uma medida de prevenção. “A manipulação do número de leitos como forma de combate à pandemia favorece a manutenção de uma elevada parcela da população infectada pelo vírus elevando as chances de mutações e surgimento de novas variantes que podem impor maior transmissibilidade e severidade para um processo pandêmico que já é gravíssimo”. Os cientistas salientam que é preciso uma campanha de comunicação nacional sobre quais medidas são cientificamente comprovadas.

8. NÃO HÁ DEMONSTRAÇÕES CIENTÍFICAS DE TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS CONTRA A COVID-19, SEJAM ELES PREVENTIVOS OU CURATIVOS. O que existe hoje são tratamentos de suporte para tentar reverter a patologia grave quando esta se apresenta, dizem os pesquisadores, lembrando que o Estado não pode agir com base em crenças ou opiniões, pois suas responsabilidades, caso venham a ser cobradas, precisam de bases de defesa sólidas e estudos científicos.

9. A ÚNICA TERAPIA PROFILÁTICA CIENTIFICAMENTE COMPROVADA CONTRA A DOENÇA É A VACINA. Os cientistas lembram que apesar do avanço científico, “todos nós sentimos uma clara falta de  planejamento e de comunicação adequada por parte do Ministério da Saúde (autoridade competente para esclarecer estes itens) sobre os benefícios reais destas vacinas, seguras e protetoras, em particular contra os efeitos mais indesejáveis da doença”. Ressaltam que há quase 200 milhões de doses de vacinas aplicadas no mundo, com pouquíssimos eventos adversos de maior gravidade. Sobre as vacinas ainda salientam que:

“1) Deve ser retirado das vacinas qualquer viés político-partidário, e elas devem de ser adotadas pelo Plano Nacional de Imunização, por este ter experiência demonstrada para controle e distribuição eficientes, assegurando a sua distribuição equitativa aos cidadãos;

2) O governo federal deve cumprir suas obrigações constitucionais e promover uma vacinação ordeira, rápida e irrestrita. Podemos e devemos cada um contribuir para que isso aconteça.

3) Devemos TODOS estar cientes de que a vacinação não significa um passaporte de isenção da doença. Assim, uma vez vacinados ainda poderemos transmitir a doença se pegarmos o vírus, e por isso devemos continuar com as medidas fundamentais: uso de máscaras eficientes, distanciamento social, ventilação dos ambientes e higienização de mãos, até conseguir que pelo menos 70-90% da nossa população seja vacinada”.

10. É NECESSÁRIO QUE O BRASIL VOLTE A INVESTIR EM CIÊNCIA DE FORMA SÓLIDA E CONTÍNUA. “A falta de investimento dos últimos anos fez com que o Brasil não tenha sido capaz até hoje de aprovar a sua primeira vacina (o único país dos BRICS que está nesta situação) apesar de ter cientistas e instituições capacitados para isso.”

Link:

https://noticias.ufsc.br/2021/02/mais-de-100-pesquisadores-da-ufsc-assinam-carta-com-10-recomendacoes-para-acabar-com-a-pandemia/

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Você será vacinado contra a COVID nos primeiros meses de 2021? Resposta curta: não.



Encontrei esse texto hoje e republico aqui no blogue. Vale a pena conferir.

CHEGOU A VACINA. MAS NÃO SERÁ PARA O POVO BRASILEIRO - Então, temos a primeira vacina. Tudo indica que dia 7 de dezembro o Reino Unido começará a vacinar sua população com a primeira vacina aprovada, da Pfizer-BioNTech. E agora eu vou explicar pra vocês porque o que muitos de nós, cientistas, estamos falando há meses, sobre o fato de que não podemos balizar nossas ações no Brasil na chegada de uma vacina, se torna mais real. Porque para nós, brasileiros, isso não será uma realidade próxima. E é agora que grande parte da população vai pagar por suas escolhas políticas, inclusive os que não escolheram o cenário atual. 

Pra vacinar 200 milhões de pessoas, ou o equivalente, são necessários, no mínimo, 200 milhões de agulhas e 200 milhões de seringas. Já pensaram sobre isso? Não temos essa quantidade, não temos nem metade disso. O que significa que o Ministério da Saúde e o Governo Federal deveriam estar, há meses, negociando a compra do estoque destes suprimentos. Mas não estão. A única coisa que foi feita nesse sentido foi em agosto, quando o Governo Federal manifestou interesse em comprar 80 milhões desses suprimentos, sem efetivar o negócio. Agora é a hora que precisaríamos ter inteligência sanitária, epidemiológica e científica estruturada dentro do Governo Federal, para tomar essas decisões estratégicas. E não temos, sequer temos um Ministro da Saúde.

Isso por si só já é bastante sério, mas infelizmente não é o único entrave. A vacina da Pfizer-BioNTech precisa ficar armazenada a -70 graus ou perde eficácia e estabilidade. O Brasil não tem como estocar essa quantidade de vacina nesta temperatura. Os equipamentos de armazenamento vacinal brasileiros chegam a, apenas, -20 graus Celsius. Não temos equipamento. E, sinto muito te dizer, mas o freezer que refrigera a sua mamadeira de piroca não atinge essa temperatura, não vai dar pra ser utilizado.

E como se tudo isso já não fosse grave o suficiente, tem a principal questão: a negociação política e financeira da compra de milhões de doses. Essa compra seria indiscutível para governos que se orientam por princípios científicos, epidemiológicos e sanitários coerentes. Não é o caso do governo atual. Ou vocês acham que um governo que considera uma pandemia que matou mais de 170 mil do seu próprio povo uma "gripinha" estará empenhado nesta negociação?

E como se tudo isso já não constituísse um cenário preocupante, ainda tem a questão delicada, fundamental e altamente estratégica da prioridade vacinal. Qual será a prioridade, quem será vacinado primeiro, qual será o plano de prioridade? Ou você acha que vai poder chegar no postinho a qualquer hora e fazer a sua vacinação e do seu filho? Nada está sendo feito no sentido de traçar as prioridades vacinais no Brasil. O que significa: povo sem vacina.

A conta tá chegando.
E será exorbitante.

Para termos vacina para o povo brasileiro até o fim do primeiro semestre de 2021, todas as negociações deveriam estar sendo realizadas agora. Não é só compra de vacina, como eu acabei de explicar. É muito mais. Mas o Governo Federal brasileiro tá mais preocupado em extinguir as bolsas PIBIC da área de humanas... Vejam o que fizeram com o Brasil.

Ligia Moreiras Sena. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual Paulista. Mestre em Psicobiologia pela Universidade de São Paulo. Doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em Ciências (Área: Farmacologia) pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisadora das áreas de: saúde coletiva, violência e saúde, medicalização, violência obstétrica no Brasil e pesquisa qualitativa em saúde com foco nos impactos da violência sobre a saúde da mulher e da criança.

sábado, 1 de agosto de 2020

Previsão sombria: +100 mil mortos pela covid em 10 de agosto de 2020.


No início de abril deste ano, quando a pandemia do novo coronavírus já era uma pandemia reconhecida no Brasil, poucos acreditavam que o número de mortos por aqui chegaria a 50 mil. A realidade é bem mais dura: em breve teremos mais de 100 mil mortos, provavelmente por volta do dia 10 de agosto esse número absurdo de mortos seja atingido. É uma demonstração prática da falência e dos erros do modelo de combate ao coronavírus adotado aqui no Brasil. Em alguns estados, entre eles o Ceará, parece que o pior já passou e o número de casos e mortes está em declínio, mas em muitos outros lugares o pico ainda não foi atingido.

Na figura abaixo temos uma comparação entre o Brasil e a Itália. A Itália cometeu um grave erro no combate à pandemia no início, foi durante criticada por isso, mas corrigiu os rumos e conseguiu conter o número de mortos. A curva de mortes na Itália, e em vários outros países da Europa, não apresenta o "platô" (muito alto) observado aqui no Brasil.



Aparentemente, o Governo Federal está "satisfeito" com esse padrão de mais de mil mortes diárias em média. E a sociedade, de forma geral, está apática e conformada com esse quadro. Até quando?!