segunda-feira, 15 de julho de 2019

Tecnologia, comunicação e terraplanismo

Imagem puramente fantasiosa (fonte aqui).

Tecnologia, comunicação e terraplanismo.

O serviço de correio mais veloz que existiu da Antiguidade ao início da Idade Contemporânea era formado por homens montados em cavalos ou carruagens puxadas por animais. Dessa forma, documentos importantes poderiam demorar dias de viagem entre uma cidade e outra por caminhos muitas vezes perigosos. A comunicação não era instantânea como é em nossos dias. Essa forma de comunicação foi abandonada com o surgimento de uma nova tecnologia: o telégrafo. Hoje nos parece natural ligar o celular (um nome mais “correto”: smartphone) e conversar com algum amigo que está literalmente do outro lado do mundo. Podemos até pensar que esse é um exemplo milagre da era moderna, mas, na verdade, é o resultado de muitos esforços e séculos de desenvolvimentos científicos e tecnológicos.

Entretanto, talvez em reação a esse mundo cada vez mais tecnológico, algumas pessoas parecem acreditar que a Terra não é uma (quase) esfera, que as vacinas são prejudiciais à saúde e causam doenças em crianças ou que o mundo tem apenas uns 10 mil anos de existência. E não são pessoas analfabetas ou sem cultura que pensam dessa forma.

Por exemplo, recentemente foi noticiada uma pesquisa que afirma que 7% dos brasileiros são “terraplanistas”, isto é, acreditam que a Terra não é um globo, mas se assemelha a uma “pizza” (ver noticia aqui). A ideia de que a Terra é plana ou um disco chato remonta às sociedades pré-científicas. Por exemplo, os antigos egípcios e os povos da mesopotâmia daquela época remota imaginavam que a Terra era um imenso disco flutuando sobre um oceano.

O filósofo Aristóteles foi um dos primeiros a apontar evidências de uma Terra redonda (por volta de 300 a.C.) e o polímata grego Eratóstenes talvez tenha sido o primeiro a medir com relativa exatidão a circunferência da Terra usando princípios geométricos básicos e um pouco de geografia em 240 a.C. As grandes navegações (Colombo, Cabral, Fernão de Magalhães) também evidenciaram que a Terra tem o formato de uma esfera. Naturalmente, essas evidências “antigas” não são suficientes para convencer aqueles que acreditam em uma “Terra Plana”.

E quanto às novas evidências? Já foram tiradas milhões de fotografias da Terra vista do espaço, os satélites artificiais giram em torno do centro da Terra, o que não seria possível se a Terra fosse plana. Se a Terra fosse plana não existiriam os fusos horários, pois o Sol iria brilhar de forma praticamente igual em toda parte. Bom, parece que alguns argumentam que todas essas provas não passam de mentiras e imaginam alguma “teoria da conspiração” orquestrada pela Nasa. Naturalmente, a Terra é uma esfera e isso não é uma questão de opinião ou gosto pessoal.

Talvez seja uma falha da nossa escola e da educação formal, especialmente das disciplinas de física e geografia, o motivo de tantas pessoas (7% não é um número desprezível) acreditarem nessa bobagem de “Terra plana”. Espero que esse número seja composto principalmente por pessoas fazendo algum tipo de “protesto” ou apenas “brincando” na hora de responder a pesquisa.

Para que esse contingente de pessoas não cresça ainda mais (existe muita desinformação circulando livremente na internet) devemos reforçar nosso ensino, com mais capacitação, valorização e melhor formação para os professores, mais recursos didáticos para sala de aula e para os laboratórios e melhores estratégias de ensino. Usar um globo terrestre e uma fonte de luz para simular o Sol pode ajudar muito na hora de ensinar sobre os fusos horário, por exemplo. A chave para romper com as trevas da ignorância são os estudos e uma boa educação. Não sei se o governo atual realmente tem essa preocupação. 

Um comentário:

  1. Se 7% dos brasileiros crêem q a Terra é plana, talvez um maior percentual ñ tennha nem ideia de qual é o formato da Terra.

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