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segunda-feira, 30 de março de 2026

Sobre ser patriota


Um verdadeiro patriota age com amor genuíno pela nação, priorizando seu progresso coletivo e sustentável acima de interesses pessoais ou partidários. Um verdadeiro patriota respeita todas as nações, mas ama a sua terra e o seu povo.

Um verdadeiro patriota deseja o crescimento nacional
Ele deseja ver sua pátria prosperar em todos os aspectos. Isso inclui lutar por saúde acessível a todos, educação de boa qualidade que forme cidadãos críticos e preparados, empregos dignos que reduzam desigualdades e segurança pública eficaz para uma vida mais tranquila. Fome zero é um objetivo básico e não uma campanha publicitária.

Um verdadeiro patriota deseja soberania e diálogo global entre iguais
Um patriota autêntico valoriza a independência do país, defendendo que ele negocie com outras nações de igual para igual, sem submissões humilhantes. Ele apoia uma diplomacia forte, baseada em respeito mútuo, diálogo, reciprocidade e interesses nacionais.

Um verdadeiro patriota celebra os destaques culturais e científicos
Ele celebra e incentiva artistas, atletas, cientistas e intelectuais que elevam o nome do Brasil no mundo. Um verdadeiro patriota investe em cultura e inovação, orgulhando-se de conquistas como prêmios literários, artísticos, medalhas olímpicas, conquistas esportivas, exposições internacionais, avanços tecnológicos ou científicos.

Um verdadeiro patriota tem integridade política
Longe de idolatrar líderes, ele rejeita políticos corruptos, cobrando transparência e ética. Seu compromisso é com instituições sólidas, votando com consciência e fiscalizando o poder público para evitar abusos.

Um verdadeiro patriota quer o uso sustentável dos recursos naturais
Ele exige que riquezas naturais, como florestas, minérios e águas, sejam exploradas com critérios técnicos rigorosos. O foco está na preservação ambiental e no benefício equitativo para toda a sociedade, garantindo legado para gerações futuras. Um verdadeiro patriota respeita os povos originários e seus territórios.

Um falso patriota ...
Já um falso patriota não se preocupa que o povo tenha boas escolas (ele não quer um povo educado), nem pensa no emprego para a população ou no uso sábio dos recursos naturais. Na verdade, alguns falsos patriotas querem apenas bajular os grandes impérios, vender os recursos naturais a nações estrangeiras, vender as empresas públicas a preços irrisórios. Um falso patriota sustenta sua imagem com enganações e mentiras deslavadas. Um falso patriota não tem compromisso com a verdade ou com os fatos.

Você sabe distinguir um patriota de verdade de um falso patriota?

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Síndrome do vira-lata ("Mutt syndrome")


Síndrome do vira-lata

A expressão "síndrome do vira-lata" no Brasil refere-se a um sentimento de inferioridade cultural, social ou nacional, em que os brasileiros, ou parte da sociedade, tendem a desvalorizar o que é nacional em favor do que é estrangeiro, especialmente de países considerados mais desenvolvidos. O termo implica uma autopercepção de que o Brasil ou seus produtos, cultura e pessoas seriam intrinsecamente inferiores, levando a uma admiração exagerada por tudo que vem de fora, como se o estrangeiro fosse sempre melhor.

A expressão foi cunhada pelo escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues na década de 1950, em suas crônicas esportivas, especialmente após a derrota do Brasil na Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai, no episódio conhecido como "Maracanaço". Rodrigues usou o termo para descrever a mentalidade de autodepreciação que se manifestava na crença de que o Brasil não era capaz de competir em igualdade com outras nações, seja no futebol, na cultura ou em outros campos. Ele comparava essa atitude à de um "vira-lata", um cão sem raça definida, que, na metáfora, representa a falta de autoestima e orgulho nacional.

Por exemplo, a "síndrome do vira-lata" pode se manifestar na preferência por produtos importados, na supervalorização de culturas estrangeiras ou na ideia de que o Brasil nunca será capaz de alcançar o mesmo nível de desenvolvimento ou sofisticação de outros países. Essa mentalidade tem raízes históricas, como o colonialismo e a dependência econômica, que reforçaram a percepção de inferioridade em relação às potências globais.

Embora o termo tenha sido popularizado no contexto do futebol, ele é amplamente usado até hoje para criticar atitudes de menosprezo pelo que é brasileiro, seja na cultura, na política ou na economia. Por outro lado, há quem argumente que o conceito também pode ser usado para refletir sobre a necessidade de valorizar as conquistas nacionais e construir uma identidade mais confiante, sem cair em nacionalismos exacerbados. 

Mutt syndrome

The expression "vira-lata syndrome" in Brazil refers to a feeling of cultural, social, or national inferiority, where Brazilians, or part of society, tend to devalue what is national in favor of what is foreign, especially from countries considered more developed. The term implies a self-perception that Brazil or its products, culture, and people are inherently inferior, leading to an exaggerated admiration for everything that comes from abroad, as if the foreign were always better.

The expression was coined by writer and playwright Nelson Rodrigues in the 1950s, in his sports columns, particularly after Brazil's defeat in the 1950 World Cup to Uruguay, in the episode known as the "Maracanaço." Rodrigues used the term to describe the mindset of self-deprecation that manifested in the belief that Brazil was not capable of competing on equal terms with other nations, whether in football, culture, or other fields. He compared this attitude to that of a "vira-lata," a mixed-breed dog, which, in the metaphor, represents a lack of self-esteem and national pride.

For example, the "vira-lata syndrome" can manifest in the preference for imported products, the overvaluation of foreign cultures, or the idea that Brazil will never be able to reach the same level of development or sophistication as other countries. This mindset has historical roots, such as colonialism and economic dependence, which reinforced the perception of inferiority toward global powers.

Although the term was popularized in the context of football, it is widely used today to criticize attitudes of disdain for what is Brazilian, whether in culture, politics, or the economy. On the other hand, some argue that the concept can also be used to reflect on the need to value national achievements and build a more confident identity, without falling into excessive nationalism.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Analfabetismo no Brasil: muito o que fazer!

Você gosta de ler?

O analfabetismo é a incapacidade de ler e escrever. O analfabetismo tem uma longa história que reflete as mudanças sociais, econômicas e culturais ao longo dos séculos. A seguir, temos uma visão geral da evolução do analfabetismo desde o Egito Antigo até os dias atuais.

No Egito Antigo

No Egito Antigo (c. 3100-332 a.C.), a alfabetização era limitada a uma pequena elite composta principalmente por escribas, sacerdotes e membros da burocracia. A escrita hieroglífica e a escrita hierática eram complexas, exigindo anos de treinamento especializado. A vasta maioria da população, composta por agricultores e trabalhadores, era analfabeta.

Na Grécia e Roma Antigas

Na Grécia Antiga (c. 800-146 a.C.), a alfabetização era mais difundida entre os cidadãos livres, especialmente nas cidades-estado como Atenas, onde a educação era valorizada. No entanto, ainda havia uma grande parcela da população que era analfabeta, especialmente entre mulheres e escravos. Em Roma (c. 753 a.C. - 476 d.C.), a alfabetização também era valorizada entre as classes superiores, mas a maioria da população, incluindo muitos plebeus e escravos, permanecia analfabeta.

Durante a Idade Média

Durante a Idade Média (c. 476-1453 d.C.), a alfabetização na Europa Ocidental era predominantemente restrita ao clero e à nobreza. A Igreja Católica Romana desempenhava um papel central na educação, com monges e clérigos sendo os principais guardiões e produtores de conhecimento escrito. A maioria da população camponesa e a aristocracia menor eram analfabetas. Em contrapartida, no mundo islâmico e em algumas regiões da Ásia, houve períodos de maior alfabetização e produção de conhecimento, especialmente durante a Idade de Ouro Islâmica (c. 8º ao 14º século).

Renascimento e Iluminismo

Com a chegada do Renascimento (c. 14º ao 17º século) e do Iluminismo (c. 17º ao 19º século), houve um aumento gradual na alfabetização na Europa, impulsionado pela invenção da prensa de Gutenberg em 1440 e pelo aumento do comércio e da urbanização. A demanda por livros cresceu e a alfabetização começou a se espalhar entre as classes mercantis e artesãs, embora a maioria da população rural permanecesse analfabeta.

Nos Séculos XIX e XX

O século XIX viu um aumento significativo nos esforços de alfabetização, particularmente na Europa e na América do Norte, devido à Revolução Industrial e às reformas educacionais. A educação pública tornou-se mais acessível, e a alfabetização começou a ser vista como essencial para a participação cidadã e o progresso econômico. No século XX, a alfabetização tornou-se uma meta global, com muitos países implementando sistemas educacionais públicos obrigatórios. Houve também um foco crescente na alfabetização de adultos e na erradicação do analfabetismo nas nações em desenvolvimento.

Século XXI - Atualmente

No século XXI, a taxa de alfabetização global continuou a melhorar, mas desafios persistem. Enquanto a maioria dos países desenvolvidos tem taxas de alfabetização próximas de 100%, muitas nações em desenvolvimento ainda enfrentam taxas significativas de analfabetismo, especialmente entre mulheres e populações rurais. Organizações internacionais, como a UNESCO, têm trabalhado para promover a alfabetização global e alcançar a educação primária universal. O analfabetismo funcional, onde indivíduos são capazes de ler e escrever em um nível básico mas não conseguem usar essas habilidades de forma eficaz no dia a dia, também se tornou uma preocupação em muitos lugares. Vale destacar que, no mundo, o analfabetismo atinge mais fortemente as mulheres.

No Brasil hoje

Hoje, no Brasil, o analfabetismo atinge cerca de 7% da população com 15 anos ou mais. Isso representa cerca de 11,4 milhões de pessoas. O analfabetismo está desigualmente distribuído pelo Brasil, fatores sociais e culturais levam o Nordeste a liderar esse problema. Os dados, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Demográfico 2022, foram divulgados nesta sexta-feira (17/maio/2024). Em comparação à última edição da pesquisa, de 2010, houve relativa melhora: um salto de 80,9% para 85,79% de alfabetizados no Nordeste, mesmo assim o índice nordestino é o dobro da média nacional. Temos muito que fazer para superar esse verdadeiro atraso. Uma comparação: na nossa vizinha Argentina o índice de analfabetismo é de apenas 1%. Uma pessoa analfabeta ou analfabeta funcional tem poucas chances de conseguir uma renda razoável ou de ter crescimento pessoal e profissional.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Conheça o Projeto de Lei 2630/20 - Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

 


Mentir e propagar mentiras, especialmente pelas redes sociais e na internet, pode ser muito prejudicial à sociedade. Mentir e "levantar falso testemunho" está longe de ser uma invenção recente. O oitavo dos Dez Mandamento da lei mosaica é justamente sobre esse tema. Logo, podemos concluir, esse já era um problema sério no mundo antigo. 

A propagação de mentiras ("fake news") na internet ganha volume a cada dia que passa e ainda não temos no Brasil uma regulamentação mais completa e coerente sobre esse tema. É essa regulamentação que traz o Projeto de Lei 2630/20 - Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. O objetivo não é criar uma ferramenta da censura, mas de regulamentação para evitar ou punir abusos da liberdade de expressão e crimes pela internet. O texto do PL 2630/20 já foi aprovado no Senado Federal e chegou à Câmara dos Deputados, em meio a muita polêmica e disputas. Existe também muito interesse econômico envolvido, pois a difusão de fake news e mensagens de ódio gera renda nos canais de comunicação da internet. 

Em seu primeiro artigo, o PL 2630/2020 afirma:

Art. 1º Esta lei estabelece normas, diretrizes e mecanismos de transparência de redes sociais e de serviços de mensageria privada através da internet, para desestimular o seu abuso ou manipulação com potencial de dar causa a danos individuais ou coletivos (Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

Para saber mais - ver aqui e aqui. Texto completo do PL 2630/20 aqui.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Como Bolsonaro planejou extinguir a reserva Yanomami - Lira Neto - Diário do Nordeste


O plano teve início há cerca de 30 anos. Em 19 de outubro de 1993, uma terça-feira, em Brasília, o deputado Jair Bolsonaro, do Partido Progressista Reformador (PPR), legenda então liderada nacionalmente por Paulo Maluf, apresentou, na Câmara Federal, um projeto de decreto legislativo.

Protocolado sob o número 365, a proposição buscava tornar sem efeito um decreto presidencial, homologado no ano anterior por Fernando Collor de Mello sob recomendação da Funai, criando a reserva Yanomami. O projeto de Bolsonaro, que à época exercia o primeiro mandato de deputado federal, tinha apenas dois curtos artigos.

“Torna sem efeito o Decreto de 25 de maio de 1992, que homologa a demarcação administrativa da terra indígena Yanomami”, dizia o primeiro deles. “Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação, revogando as disposições em contrário”, sentenciava o segundo.

Nos meses anteriores à apresentação do projeto, o deputado novato estivera em destaque nos jornais, por ter sugerido, em visita ao município gaúcho de Santa Maria, o fechamento do Congresso Nacional e a implantação de uma ditadura no país, nos moldes da instituída no Peru por Alberto Fujimori, segundo noticiou o jornal Zero Hora.

“Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção”, confirmou, em plenário, quando confrontado pelos colegas na volta à capital federal. De acordo com o que ficou registrado nos Anais da Câmara, choveram protestos, apartes, indignações. Foi um escarcéu. “Corremos o risco de promover o deputado Jair Bolsonaro se começarmos a falar demais sobre ele”, observou no calor da contenda, profético, um parlamentar.

Ameaçado de cassação por falta de decoro, a figura caricaturesca de Bolsonaro foi motivo de reportagens, assunto para inúmeras notinhas em colunas políticas, convites para entrevistas em programas de tevê. A exposição gratuita alimentou novas bravatas. “Para acabar a crise brasileira, basta três batalhões de infantaria”, argumentou ele à época, segundo o Jornal do Brasil, atraindo ainda mais atenções públicas para si.

Publicado na edição do Diário do Congresso Nacional de 10 de novembro de 1993, o projeto de Bolsonaro para a extinção da reserva Yanomami dormitou nas comissões internas da Câmara e, aparentemente natimorto, foi arquivado ao final da legislatura, conforme previsto no artigo 105 do regimento da casa. Em 1995, reeleito como o terceiro deputado federal mais votado no Rio de Janeiro, Bolsonaro solicitou o desarquivamento da proposição. E conseguiu.

Encarregado de reanalisar o texto na Comissão de Defesa Nacional, o deputado Elton Rohnelt, do Partido Social Cristão (PSC) de Roraima, ex-diretor de uma madeireira e dono de uma empresa de mineração, deu parecer positivo.

No currículo extraparlamentar de Rohnelt constava a invasão, na década de 1980, sob sua assumida liderança, por parte de 40 mil garimpeiros às terras dos Yanomamis. De acordo com o relatório da Comissão da Verdade, houve centenas de mortos em decorrência do ataque.

Bolsonaro tinha pressa. Com apoio de 257 colegas deputados, o que lhe garantia o número regimental necessário, solicitou urgência para a votação do projeto em plenário. Em 30 de agosto de 1995, o presidente da Câmara, Luis Eduardo Magalhães, do Partido da Frente Liberal (PFL), acatou a solicitação, sob protestos da bancada oposicionista.

Fernando Gabeira, deputado pelo Partido Verde (PV), ponderou: tema tão sensível não poderia ser analisado de afogadilho. “A demarcação das terras indígenas é tão delicada quanto a promoção da paz entre os palestinos e israelenses”, comparou, de acordo com o registro dos anais parlamentares.

“Há vidas humanas extremamente vitimadas por uma política de genocídio em nosso país”, advertiu a deputada Socorro Gomes, do Partido Comunista do Brasil, eleita pelo Pará. O também paraense Gerson Peres, correligionário de Bolsonaro do PPR e votando pela liderança, divergiu da conterrânea: “Não temos mais nada a discutir, isso é o que queremos. Acompanhamos o nosso companheiro deputado Jair Bolsonaro. O PPR, portanto, encaminha o voto ‘sim’”.

Após intensa discussão, o regime de urgência foi rejeitado: 290 deputados votaram contra; 125, a favor. Houve 10 abstenções. Depois de regressar às comissões internas, recebendo pareceres negativos dos deputados Fernando Gabeira e Almino Afonso (PSB), o projeto foi mais uma vez arquivado. Nem assim Bolsonaro desistiu do objetivo.

“A Cavalaria brasileira foi muito incompetente”, ele esbravejou, na sessão da Câmara de 16 de abril de 1998, então filiado ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). “Competente, sim, foi a Cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema no país”.

Eleito pelo PPB para um terceiro mandato no final daquele mesmo ano, Bolsonaro repetiu a manobra e pediu um segundo desarquivamento do projeto. De novo, a proposta estacionou nas instâncias internas, sendo arquivada pela terceira vez ao final daquela legislatura. No início de 2003, decorridos dez anos da proposição inicial, já no quarto mandato e filiado ao Progressistas — fusão do PPR com o Partido Progressista (PP) —, o deputado continuava com a mesma ideia fixa.

Solicitou mais um desarquivamento, mas o projeto de extinção da reserva Yanomami não avançou na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Foi de novo posto de molho, para ser arquivado, em definitivo, no final de 2007, após 14 anos de idas e vindas.

Passaram-se outros dez anos. Em 2017, candidato à presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL), Bolsonaro deixou claro o propósito de dar combate aos povos originários: “Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena”, anunciou.

No cargo de presidente, em 2020, propôs o Projeto de Lei 191 — o “Projeto de Lei do Genocídio”, como batizado pelos adversários —, também assinado pelos ministros das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, e da Justiça, Sergio Moro, autorizando o garimpo e o agronegócio em áreas indígenas.

Pressões da sociedade civil e das comunidades indígenas mantiveram o texto na gaveta. Enquanto isso, conforme revelou o site The Intercept Brasil, 21 ofícios com pedidos de ajuda dos yanomamis foram ignorados.

Em 2021, 28 anos depois de ter dado entrada na Câmara do projeto para a extinção da reserva Yanomami, Bolsonaro esteve pessoalmente em uma área de garimpo ilegal, instalada dentro da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Bem ali ao lado, os Yanomamis definhavam. Na ocasião, o ex-presidente pagou as contas da viagem e da confraternização com os garimpeiros — 163 mil reais — com o cartão corporativo.

O resultado é o que estamos vendo todos nós, estarrecidos. De extinção da reserva, o plano passara a ser, tudo indica, o de extermínio total dos Yanomamis.



Fonte aqui - Diário do Nordeste.


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sábado, 14 de janeiro de 2023

Jair Bolsonaro foi um bom presidente no Brasil? ChatGPT responde!

 


Jair Bolsonaro foi um bom presidente no Brasil? 

ChatGPT: The question of whether Jair Bolsonaro was a good president of Brazil is a matter of opinion and can be subjective. Some people may argue that he was a good president because of his policies on issues such as crime and the economy, while others may argue that he was a bad president because of his handling of issues such as the environment, human rights and public health.

During his tenure, he was known for his controversial statements and policies, particularly on issues such as the environment, indigenous rights, and human rights. He has been criticized for his handling of the COVID-19 pandemic and his government has been accused of downplaying the gravity of the situation and not taking the necessary measures to curb the spread of the virus. He also has been criticized for his approach to the Amazon rainforest, where illegal logging and mining have risen significantly, and for his anti-environmental stance, which led to a rise in deforestation and the weakening of environmental protections.

It's important to note that the evaluation of a president's performance is a complex task and it's influenced by multiple factors and perspectives, it's not only about policies, but also how they were executed, the context and the results they generated.

Uma tradução da resposta:

ChatGPT: A questão de saber se Jair Bolsonaro foi um bom presidente do Brasil é uma questão de opinião e pode ser subjetiva. Algumas pessoas podem argumentar que ele foi um bom presidente por causa de suas políticas em questões como crime e economia, enquanto outras podem argumentar que ele foi um mau presidente por causa de como lidou com questões como meio ambiente, direitos humanos e saúde pública.

Durante sua gestão, ele era conhecido por suas declarações e políticas controversas, principalmente em questões como meio ambiente, direitos indígenas e direitos humanos. Ele foi criticado por lidar com a pandemia do COVID-19 e seu governo foi acusado de minimizar a gravidade da situação e não tomar as medidas necessárias para conter a propagação do vírus. Ele também foi criticado por sua abordagem da floresta amazônica, onde a extração ilegal de madeira e a mineração aumentaram significativamente, e por sua postura antiambiental, que levou ao aumento do desmatamento e ao enfraquecimento das proteções ambientais.

É importante observar que a avaliação do desempenho de um presidente é uma tarefa complexa e influenciada por múltiplos fatores e perspectivas, não se trata apenas de políticas, mas também de como foram executadas, do contexto e dos resultados que geraram.

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Para descontrair um pouco:

Qual o sentido da vida, do Universo e tudo o mais? 
 

ChatGPT: The meaning of life, the universe, and everything is a question that has puzzled philosophers, scientists, and religious leaders for centuries. It is ultimately a personal and subjective question, and different people may have different beliefs about what the ultimate purpose or meaning of life is. Some religious beliefs suggest that the purpose of life is to serve a higher power or to follow a certain set of moral or spiritual principles. Scientifically speaking, there is no one answer to this question, as the meaning of life is something that each individual must determine for themselves through their own experiences and beliefs.

 Uma tradução:

ChatGPT: O significado da vida, do universo e de tudo é uma questão que há séculos intriga filósofos, cientistas e líderes religiosos. Em última análise, é uma questão pessoal e subjetiva, e pessoas diferentes podem ter crenças diferentes sobre qual é o propósito ou significado final da vida. Algumas crenças religiosas sugerem que o propósito da vida é servir a um poder superior ou seguir um certo conjunto de princípios morais ou espirituais. Cientificamente falando, não há uma resposta para essa pergunta, pois o sentido da vida é algo que cada indivíduo deve determinar por si mesmo por meio de suas próprias experiências e crenças.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

BRASIL: ALERTA À NAVEGAÇÃO DEMOCRÁTICA

 

BRASIL: ALERTA À NAVEGAÇÃO DEMOCRÁTICA

Por Boaventura de Sousa Santos* (link aqui para biografia)

O que aconteceu em Brasília no último dia 8, uma semana após a posse do presidente Lula da Silva, é um acontecimento que só pegou de surpresa quem não quis ou não pôde saber de seus preparativos, amplamente divulgados nas redes sociais. A ocupação violenta das sedes dos poderes legislativo, executivo e judicial e dos espaços envolventes, bem como a depredação de bens públicos nestes edifícios por manifestantes de extrema-direita, constituem atos de terrorismo planeados e meticulosamente organizados pelos seus dirigentes. Trata-se, portanto, de um evento que põe seriamente em risco a sobrevivência da democracia brasileira e que, pela forma como ocorreu, poderá ameaçar outras democracias do continente e do mundo amanhã. É apropriado, então, analisá-lo à luz de sua importância. As principais características e lições são as seguintes:

1. O movimento de extrema direita é global e suas ações em escala nacional se beneficiam e muitas vezes atuam em aliança com experiências antidemocráticas estrangeiras. É notória a articulação da extrema direita brasileira com a extrema direita americana. O conhecido porta-voz deste último, Steve Bannon, é amigo pessoal da família Bolsonaro e desde 2013 é um patrono da extrema-direita brasileira. Além das alianças, as experiências de um país servem de referência para outro e constituem aprendizado. A invasão da Plaza de los Tres Poderes, em Brasília, é uma cópia "aprimorada" da invasão do Capitólio em Washington em 6 de janeiro de 2021, pois aprendeu com ela e tentou fazer melhor. Foi organizado com mais detalhes, tentou trazer muito mais gente para Brasília e usou várias estratégias para fazer a segurança pública democrática sentir que nada de anormal aconteceria. Os dirigentes tinham como objetivo ocupar Brasília com pelo menos um milhão de pessoas, semear o caos e permanecer o tempo suficiente para permitir uma intervenção militar que acabasse com as instituições democráticas.

2. Pretende-se fazer crer que se trata de movimentos espontâneos. Pelo contrário, são organizados e possuem uma profunda capilaridade na sociedade. No caso brasileiro, a invasão de Brasília foi organizada a partir de diferentes cidades e regiões do país e em cada uma delas havia lideranças identificadas com um número de telefone para que fossem contatadas pelos adeptos. A participação pode assumir muitas formas. Os que não puderam se deslocar a Brasília tiveram missões a cumprir em suas localidades, bloqueando a circulação de combustíveis e o abastecimento de supermercados. O objetivo era criar o caos devido à falta de produtos essenciais. Alguns se lembrarão das greves dos caminhoneiros que precipitaram a queda de Salvador Allende e o fim da democracia chilena em setembro de 1973. Por sua vez, o caos em Brasília tinha objetivos precisos. A sala do Gabinete de Segurança Institucional, localizada no subsolo do Palácio do Planalto, foi assaltada, onde foram roubados documentos sigilosos e armas de alta tecnologia, o que evidencia que houve treinamento e espionagem. Cinco granadas também foram encontradas no Supremo Tribunal Federal e no Congresso Nacional.

3. Nos países democráticos, a estratégia da extrema-direita assenta em dois pilares: a) investir fortemente nas redes sociais para vencer as eleições com o objetivo de, se vencerem, nem usar o poder democraticamente nem sair dele democraticamente. Foi o que aconteceu com Donald Trump e Jair Bolsonaro como presidentes. b) Caso não espere vencer, comece a questionar antecipadamente a validade das eleições e declare que não aceita outro resultado que não seja a sua vitória. O programa mínimo é perder por uma pequena margem para tornar mais credível a ideia de fraude eleitoral. Foi o que aconteceu nas últimas eleições nos Estados Unidos e no Brasil.

4. Para ser bem-sucedido, esse ataque frontal à democracia precisa contar com o apoio de aliados estratégicos, tanto nacionais quanto estrangeiros. No caso do apoio nacional, os aliados são forças antidemocráticas, tanto civis como militares, instaladas no aparelho de governo e na administração pública que, por ação ou omissão, facilitam a ação dos rebeldes. No caso brasileiro, é particularmente flagrante o conluio, a passividade e até a cumplicidade das forças de segurança do Distrito Federal de Brasília e seus dirigentes. Com o agravante de que esta região administrativa, por ser sede do poder político, recebe vultosas receitas federais com a finalidade específica de defesa das instituições.

Por outro lado, as Forças Armadas toleraram a instalação de acampamentos de manifestantes em frente ao quartel, área de segurança militar, e que ali permaneçam por dois meses. Foi assim que a ideia do golpe prosperou nas redes sociais. Nesse caso, o contraste com os Estados Unidos é gritante. Quando ocorreu a invasão do Capitólio, os líderes militares americanos fizeram questão de enfatizar sua defesa da democracia. Nesse sentido, a nomeação do novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que parece ter uma boa e reverente relação com os militares, não augura nada de bom. Ele é um ministro problemático depois de tudo o que aconteceu. O Brasil está pagando um preço muito alto por não ter punido os crimes e criminosos da ditadura militar (1964-1985), tendo em conta que alguns crimes nem prescrevem. Foi isso que permitiu ao ex-presidente Bolsonaro elogiar a ditadura, homenagear os militares torturadores e nomear militares, alguns fortemente comprometidos com a ditadura, para cargos importantes em um governo civil e democrático. Só assim se explica por que hoje se fala em perigo de golpe militar no Brasil, mas não no Chile ou na Argentina. Como se sabe, nesses dois países foram julgados e punidos os responsáveis ​​pelos crimes da ditadura militar.

5. Além dos aliados domésticos, os aliados estrangeiros são cruciais. Tragicamente, no continente latino-americano, os Estados Unidos têm sido tradicionalmente o grande aliado dos ditadores, senão diretamente o instigador de golpes contra a democracia. Acontece que, desta vez, os Estados Unidos estavam do lado da democracia e isso fez toda a diferença no caso do Brasil. Estou convencido de que, se os Estados Unidos tivessem dado os habituais sinais de encorajamento aos aspirantes a ditadores, estaríamos hoje diante de um golpe de estado. Infelizmente, à luz de uma história de mais de cem anos, essa posição americana não se deve a um súbito zelo pela defesa internacionalista da democracia. A posição dos EUA foi estritamente determinada por razões internas. Apoiar o bolsonarismo de extrema direita no Brasil seria dar força à extrema direita trumpista nos EUA, que continua acreditando que a eleição de Joe Biden foi resultado de fraude eleitoral e que Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos. Na verdade, prevejo que manter uma extrema direita forte no Brasil será importante para os propósitos da extrema direita dos EUA nas eleições de 2024. Espero que a intenção seja criar uma situação de ingovernabilidade que torne o mais difícil possível para o presidente Lula da Silva nos próximos anos. Para que isso não aconteça, é preciso que os golpistas sejam severamente punidos. E não só eles, mas também seus principais e financiadores.

6. Para garantir a sustentabilidade da extrema-direita é preciso ter uma base social, ter financiadores-organizadores e uma ideologia suficientemente forte para criar uma realidade paralela. No caso do Brasil, a base social é ampla, dado o caráter excludente da democracia brasileira, que faz com que amplos setores da sociedade se sintam abandonados pelos políticos democráticos. O Brasil é uma sociedade com grande desigualdade socioeconômica, agravada pela discriminação racial e sexual. O sistema democrático potencializa tudo isso a ponto de o Congresso brasileiro ser mais uma caricatura cruel do que uma representação fiel do povo brasileiro. Se não estiver sujeito a uma profunda reforma política, acabará por ser completamente disfuncional. Nestas condições, há um amplo campo de recrutamento para mobilizações de extrema direita. Obviamente, a grande maioria dos que nelas participam não são fascistas. Eles só querem viver com dignidade e não acreditam que isso seja possível em uma democracia. Já os financiadores-organizadores, no caso do Brasil, parecem ser setores de baixo capital industrial, agrário, armamentista e de serviços que se beneficiaram do (des)governo bolsonorista ou com cuja ideologia mais se identificam.

No que diz respeito à ideologia, ela parece se apoiar em três pilares principais. Em primeiro lugar, a reciclagem da velha ideologia fascista, ou seja, a leitura reaccionária dos valores de Deus, Pátria e Família, aos quais se junta agora a Liberdade. Trata-se, sobretudo, de defender incondicionalmente a propriedade privada para: a) poder invadir e ocupar bens públicos ou comunitários (territórios indígenas); b) defender eficazmente a propriedade, o que implica armar as classes proprietárias; c) ter legitimidade para rejeitar qualquer política ambiental; e, d) rejeitar os direitos reprodutivos e sexuais, em especial o direito ao aborto e os direitos da população LGBTIQ+. Em segundo lugar, a ideologia implica a necessidade de criar inimigos para destruir. Os inimigos têm várias escalas, mas o mais global (e abstrato) é o comunismo. Quarenta anos depois de terem desaparecido, pelo menos no hemisfério ocidental, os regimes e partidos que defendiam a implantação de sociedades comunistas, este continua a ser o fantasma mais contraditoriamente abstracto e real. Para entender isso, é preciso levar em conta o terceiro pilar da ideologia de extrema-direita: a criação incessante e capilar no tecido social de uma realidade paralela, imune ao confronto com a realidade real, realizada pelas redes sociais e pelas religiões reacionárias (igrejas evangélicas neopentecostais e católicos antipapa Francisco) que facilmente ligam comunismo e aborto e assim instilam um medo abissal em populações indefesas,

A tentativa de golpe no Brasil é um alerta à navegação. Os democratas no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e, em última análise, no mundo inteiro devem levar esse alerta muito a sério. Se não o fizerem, amanhã os fascistas não vão simplesmente bater à porta. Eles certamente entrarão sem cerimônia para entrar.

Tradução de Antoni Aguiló e José Luis Exeni Rodríguez

Nota do editor de Outras Notícias: Devido à delicada situação do Brasil, imediatamente transmitimos antes do serviço habitual do nosso serviço distribuído nas tardes, esta interessante análise do professor das universidades de Coimbra (Portugal) e Wisconsin- Madison (EUA), Boaventura de Sousa Santos recebeu esta manhã.

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*acadêmico português. Doutor em Sociologia, Professor Catedrático da Faculdade de Economia e Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal). Distinguished Professor na University of Wisconsin-Madison (EUA) e em vários estabelecimentos acadêmicos ao redor do mundo. É um dos mais importantes cientistas sociais e pesquisadores do mundo na área de sociologia jurídica e um dos principais facilitadores do Fórum Social Mundial. Artigo enviado para OtherNews pelo autor em 23/01/10.

domingo, 8 de janeiro de 2023

Cristãos pela Democracia - Nota de Repúdio.



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Não podemos tolerar o intolerável. 


NOTA DE REPÚDIO AOS ATOS TERRORISTAS E ANTIDEMOCRÁTICOS

 


Os reitores das Instituições Federais Cearenses (IFCE, UFCA) em conjunto com os reitores das Universidades Estaduais Cearenses (UECE, URCA, UVA), vêm, por meio desta nota, afirmar sua indignação, e manifestar repúdio à ação terrorista ocorrida hoje, dia 08/01/2023, em Brasília.

Ao longo da história de nossa curta redemocratização, os pleitos eleitorais – marcados por vencedores e derrotados nas urnas – têm acontecido de forma ordeira, fortalecendo a democracia nacional.

No entanto, o último processo eleitoral, ocorrido no segundo semestre de 2022, foi marcado por questionamentos infundados contra o Sistema Eleitoral Brasileiro, desferidos por grupos antidemocráticos, de caráter protofascista. Negando a legitimidade do pleito, recusaram-se a aceitar a vitória do Presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva.

Todavia, comprovando a lisura do processo eleitoral brasileiro (devidamente auditado), as mais distintas instituições e organismos nacionais e internacionais comprovaram a legitimidade e confiabilidade do pleito. As eleições de 2022 atestam que a democracia brasileira prevaleceu contra o autoritarismo e a barbárie.

Respeitar a vontade do povo, que manifestou-se democraticamente nas eleições de 2022, bem como os resultados das urnas, é obrigação de todas as brasileiras e brasileiros.

As instituições federais de ensino e as universidades estaduais do Ceará repudiam veementemente os gravíssimos atos terroristas, antidemocráticos, bárbaros e criminosos que ocorrem hoje, dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Diante da gravíssima situação que se abate sobre nossa democracia, nos unimos a todos os(as) brasileiros(as) e instituições democráticas, clamando e exigindo que os envolvidos em tal ato terrorista e de vandalismo sejam responsabilizados e punidos com o devido rigor da lei.

A ordem democrática está sendo afrontada! Os sonhos de uma Nação unida estão sendo ameaçados! Devemos nos manter firmes e intransigentes em defesa do Estado Nacional de Direito.

Atenciosamente.

  • José Wally Mendonça Menezes – Reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) 
  • Ricardo Luiz Lange Ness – Reitor da Universidade Federal do Cariri (UFCA) 
  • Hidelbrando dos Santos Soares – Reitor da Universidade Estadual do Ceará (UECE) 
  • Izabelle Mont’Alverne Napoleão Albuquerque – Reitora da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) 
  • Francisco do O’de Lima Júnior - Reitor da Universidade Regional do Cariri (URCA)

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Divulgando: NATAL SEM FOME E SOLIDÁRIO

 


Até o dia 10 de janeiro de 2023, trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra realizam um grande mutirão de solidariedade em todas as regiões do país, com doações de alimentos, distribuição de marmitas, organização de trabalhos voluntários e uma diversidade de agendas que reafirma a solidariedade como princípio da ação política dos camponeses e camponesas.

🚩 As ações do Natal Sem Fome e Solidário mobilizam os acampamentos e assentamentos da Reforma Agrária de todo o Brasil, dando continuidade à agenda de solidariedade construída pelo MST ao longo de sua história, no combate à fome no Brasil que, no último período, chegou a marca de 33 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave.

‼️ O MST convoca a sociedade e o conjunto das organizações populares a se somarem ao conjunto de iniciativas que serão realizadas neste período, partilhando solidariedade e semeando esperança!

💡 CONTRIBUA doando qualquer valor pelo pix: campanha@institutocultivar.org.br

#NatalSemFome #MSTporNatalSemFome #MSTCultivandoSolidariedade #TodosPelaReformaAgrária

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Por que Bolsonaro não merece o meu voto


Como engenheiro e professor, ao longo de mais de 30 anos como profissional, eu aprendi que não existe o óbvio. Então, eu quero explicar para você por que eu não voto em bolsonaro e por que ele não merece o seu voto no dia de 30 de outubro.

Tudo o que eu vou falar aqui está bem documentado e registrado na impressa e divulgado na internet. Não vou citar esses fatos em ordem cronológica, mesmo porque alguns ainda estão acontecendo ou aconteceram de forma mais ou menos simultânea.

1. Bolsonaro, em alto e bom som, deu apoio ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Eu não tenho como apoiar quem é fã declarado um torturador ignóbil.

2. Bolsonaro criou o orçamento secreto. Ele criou o orçamento secreto para comprar deputados e não sofrer o processo de impeachment. Esse orçamento movimenta bilhões de reais. Esse dinheiro saiu das áreas de Educação e Saúde.

3. Bolsonaro é diretamente responsável pela morte de milhares de brasileiro durante a pandemia da covid, pois não agiu corretamente durante toda a pandemia. Ele atrasou a compra das vacinas, deu mau exemplo com suas motociatas, trocou de ministros da saúde no auge da pandemia, incentivou o uso de medicamentos que não servem para combater a covid. Disse que você iria virar jacaré se tomasse a vacina. Na minha estimativa, das mais de 600 mil mortes de covid no Brasil, pelo menos 200 mil mortes podem ser atribuídas diretamente ao atual presidente. Vocês lembram da crise de falta de oxigênio em Manaus? Bolsonaro zombou das pessoas que morriam com falta de ar em plena pandemia.

4. Bolsonaro apoia o garimpo ilegal, a destruição da floresta amazônica, as queimadas no Pantanal. Bolsonaro faz pouco caso da vida dos povos nativos, ele esvaziou a FUNAI. Ele demitiu o presidente do INPE, o cientista Ricardo Galvão, pois Galvão defendeu que os dados científicos do INPE sobre o aumento do desmatamento da Amazônia estavam corretos.

5. As Universidades e Institutos Federais estão hoje sem recursos para pagar as contas básicas. Os recursos para a Educação só diminuíram durante o governo bolsonaro. Bolsonaro é contra a educação. Ele não quer que você estude, ele não quer que você use o seu próprio cérebro. Ele não quer livros, ele defende mais armas na mãos das pessoas, mais violência e mortes. Você quer mais armas circulando? Você quer morrer de bala perdida?

6. Ele não é honesto. Ele está envolvido em muitos casos de corrupção e enriquecimento ilícito, dele e dos filhos. Lembra do caso das rachadinhas e da compra de mansões com dinheiro vivo? Isso tem cheiro de lavagem de dinheiro. Ele exonerou os policiais federais que começaram a chegar perto dele ou de seus filhos. Ele decretou sigilo nos gastos da presidência. Este governo federal mantém cerca de 98% dos gastos com cartão corporativo em sigilo.

7. Bolsonaro não respeita as mulheres. Ele já deu vários exemplos ao vivo disso, especialmente contra jornalistas e políticas. Ele é preconceituoso e homofóbico. Ele se associou a falsos religiosos que querem apenas mais dinheiro e poder. Esses mesmos religiosos querem que seus fieis votem em bolsonaro. Aqui eu faço uma pergunta: é correto misturar política e religião desta forma?

8. Bolsonaro se diz religioso, mas inúmeras de suas afirmações públicas não são defensáveis. Um exemplo: você consegue enxergar sustentação bíblica no posicionamento de alguém que defende que o policial militar que entra em uma favela e mata 10, 15, 20 ou 30 pessoas, deveria ser condecorado e não julgado? Existe sustentação nos evangelhos para apoiar a tortura e a morte de presos políticos?

Esses são os principais motivos que fazem com que bolsonaro não mereça o meu voto ou o seu voto. Eu não voto de jeito nenhum em bolsonaro. Você tem todo o direito de não querer votar em Lula, mas votar em bolsonaro é um grande erro. Na minha opinião, votar em bolsonaro é um grave erro político e, inclusive, religioso.

No dia 30 de outubro, vote consciente. Vote em paz. Vote com amor, não vote com ódio no coração. Obrigado por ter lido até aqui. Boas eleições.


segunda-feira, 17 de outubro de 2022

É possível ser cristão e de esquerda ao mesmo tempo?


Atos 2:44-46: E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um tinha necessidade. E perseverando unânimes todos os dias no templo, e repartindo o pão de casa em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração.

Atos 4:32-35: E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o valor do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.*

* Aparentemente, os primeiros cristãos se reuniam em comunidades com algumas características semelhantes a uma sociedade fortemente socialista.

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Os termos "direita" e "esquerda" não são criações recentes da política brasileira, mas têm origem na Revolução Francesa que ocorreu no final do século XVIII. Do lado direito do Parlamento se sentavam os girondinos, favoráveis ao antigo regime (conservadores); e do esquerdo os jacobinos, contrários à Monarquia e defensores da instauração de uma República (progressistas). 

As pessoas que se identificam com a esquerda, depois da revolução industrial, passaram a incluir a defesa do proletariado e das conquistas sociais entre seus objetivos. Mais recentemente, a pauta ambiental também foi incluída na agenda esquerdista. O espectro da esquerda é bastante amplo: inclui de um lado os de centro-esquerda, trabalhista, anarquistas, socialistas e comunistas no extremo oposto. Logo, dizer que alguém é de esquerda acarreta uma certa imprecisão, pois não leva em conta esse amplo espectro. 

No Brasil, ser de esquerda pode significar que você está preocupado com os mais pobres, com a fome que aflige uma parte significativa da população, com a desigualdade social, com a educação dos jovens, que as escolas sejam boas, que os professores tenham boas condições de trabalho e bons salários, que todos tenham mais condições de progredir, que os trabalhadores tenham direitos e um salário digno. Não significa que você é contrário à propriedade privada, nem tem por objetivo que todas as empresas e indústrias sejam do governo. Tão pouco significa que você seja avesso à religião ou que apoie o totalitarismo.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é neutra em relação a partidos políticos, plataformas políticas e candidatos a cargos políticos. Ela não endossa nenhum partido, plataforma ou candidato político. Também não aconselha os membros em relação a como votar. Além disso também afirma que os líderes locais da Igreja não devem organizar os membros para participarem de questões políticas. Tampouco devem tentar influenciar a forma como os membros participam.

Um exemplo de homem religioso e de esquerda é o pastor, professor, ator e escritor Henrique Vieira, Deputado Federal eleito pelo PSOL/RJ neste ano de 2022. Logo, é sim possível ser de esquerda e cristão ao mesmo tempo. 

sábado, 15 de outubro de 2022

Sobre polarização política.

 

Esse texto é fruto de uma leitura do artigo da Wikipédia Polarização política e do artigo O que é polarização e por que é prejudicial à democracia? do site https://www.politize.com.br. Logo, não deve ser visto como um artigo "original meu", embora eu concorde com o que está escrito.

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No mundo da política, polarização pode referir-se à divergência ou ao aumento da divergência entre atitudes políticas de extremos ideológicos. Essa divergência pode ocorrer na população em geral ou dentro de certos grupos e instituições.

Quase todas as discussões da polarização em ciência política consideram-na no contexto dos partidos políticos e sistemas democráticos de governo. Quando a polarização ocorre em um sistema bipartidário, como os Estados Unidos, vozes moderadas muitas vezes perdem poder e influência.


Quando ocorre uma forte polarização política, os grupos se fecham em suas convicções e não estão dispostos ao diálogo. E isso é muito ruim para democracia. Em geral, teremos apenas dois grupos principais formando essa polarização política.

A polarização não é um fenômeno recente. Ela acompanha toda a história humana. Nós temos a tendência a nos unirmos em grupos que pensam e agem de forma mais ou menos semelhante. Para pertencer a esses grupos, é necessário demonstrar lealdade. Isso, muitas vezes, impede que você tenha uma visão mais crítica e pode lhe levar a abrir mão da própria individualidade para aceitar as normas, crenças e ideias do grupo. Se opor ao próprio grupo é desconfortável, enquanto que seguir o grupo é fonte de prazer e aceitação.

Se você não pertencem a nenhum dos dois grupos, e vê pontos positivos e negativos em ambos, você pode ser considerado como "isentão" e acaba sendo mal visto por todos. Nem todos têm a força necessária para se posicionarem desta forma.

Quando a polarização é muito extrema, o respeito a regras comuns, reconhecimento da legitimidade dos adversários (ou seja, tratá-los como competidores legítimos dentro de uma disputa igualitária), tolerância e diálogo desaparecem. Isso é extremamente nocivo a democracia. Em uma sociedade concentrada em dois lados radicalizados, adversários são vistos como inimigos, o diálogo não é incentivado – ou até mesmo é condenado – e transgredir as regras parece justificável. Esse é um dos caminhos que levam à morte da democracia.

Em ambiente polarizado, as fake news se espalham com facilidade: elas se aproveitam da nossa vontade de acreditar em notícias que corroboram nossas ideias, independentemente da sua veracidade.

O excesso de polarização afeta também a busca por soluções para problemas da sociedade. Um debate polarizado impede as análises profundas e cheias de nuances que questões complexas, como as do mundo em que vivemos, exigem. O processo decisório corre o risco de travar quando dois lados não conseguem formar acordos mínimos. Essa consequência é mais clara nos Estados Unidos, onde apenas dois partidos disputam o poder e, cada vez mais distantes, chegam a parar o país em votações fundamentais.

Por fim, a polarização, em último caso, leva à erosão das instituições e das práticas que compõem o sistema democrático, além de abrir espaço o surgimento de lideranças totalitárias e do próprio fim da democracia.

Podemos tomar algumas atitudes para evitar uma polarização excessiva: 

  • devemos ter em mente que todos erramos e que podemos estar errados em alguma questão importante;
  • pensar de forma crítica e analisar os fatos, se os fatos não sustentam nossa opinião, então nossa opinião precisa mudar;
  • conversar com o outro de forma clara e procurar se colocar no seu lugar para entender as suas razões;
  • ninguém deve ser considerado inimigo só por pensar diferentemente de você.

O mundo é um lugar complexo, nem tudo é "preto no branco", nem é uma "luta do bem contra o mal". É esse tipo de simplificação que pode levar a polarização política extrema. Uma outra leitura sobre este mesmo tema aqui. Por fim, deixo uma dica de leitura o livro Como Morrem as Democracias por Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018).

* Gostou desta publicação? Deixe o seu comentário.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Você já decidiu o seu voto para presidente do Brasil?

 

Se você ainda está indeciso ou pensa em mudar de voto para presidente da República, veja e responda as perguntas abaixo:

Você apoia o uso de 100 anos de sigilo nos casos de corrupção pelo atual presidente do Brasil?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia o discurso contra a democracia?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia a compra de 51 imóveis com dinheiro vivo, que permite a lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio?
(  ) Sim    (   ) Não

Você zombaria de doentes morrendo de COVID?
(  ) Sim   (   ) Não

Você passearia de moto ou jetski enquanto doentes e profissionais de saúde morriam nos hospitais?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia a chacota da fome e da miséria?
(  ) Sim    (   ) Não

Você defende o peculato (rachadinha, que é a apropriação de grande parte de salários de funcionários de gabinetes)?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia o discurso de ódio?
(  ) Sim    (   ) Não

Você acha que Nordestino é analfabeto por votar em LULA?
(  ) Sim   (   ) Não

Você apoia miliciano?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia os cortes na Educação e na Ciência?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia o corte de verbas para o combate ao câncer, merenda escolar e farmácia popular?
(  ) Sim    (   ) Não

Você é a favor do aumento de 10 BILHÕES de aposentadoria das forças armadas?
(  ) Sim    (   ) Não

Você é a favor da devastação de Florestas e matança de Índios?
(  ) Sim   (   ) Não

Você é a favor do desrespeito a outras religiões?
(  ) Sim    (   ) Não

Você é a favor da redução de vacinas que erradicaram doenças no Brasil como a paralisia infantil (poliomielite)?
(  ) Sim    (   ) Não

Você apoia o uso de “fakenews” pra desinformar a população?
(  ) Sim    (   ) Não

Se você respondeu “Não” mais de 13 vezes, parabéns!
Seu voto é 🚩 13 🚩 no dia 30 de outubro!

Passe para amigos e familiares que ainda estão em dúvida. Ficará bem mais fácil a decisão!
❤️🚩1️⃣3️⃣🚩❤️.

Lembre-se: o presidente tem um poder imenso nas mãos, dê esse poder a quem pode fazer bom uso dele. Pense bem, seja crítico e use seus próprios neurônios antes de escolher seu candidato e depositar o seu voto.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Segundo turno das eleições: uma análise do cenário atual


João Alfredo Telles Melo
Alexandre Araújo Costa

Resolvemos nos debruçar sobre alguns números dessas eleições e das eleições passadas.
 
Vejam: Lula teve 48,43% dos votos, Bolsonaro 43,02%. Se nós pensarmos apenas na manutenção desses números, já que os eleitores de cada um deles são muito convictos dessas duas candidaturas, a eleição seria decidida só com esses números.
 
Mas vamos supor que se precise chegar aos 50% dos votos válidos. Para Lula chegar aos 50% ele precisa de apenas 1,57%. Já Bolsonaro para chegar aos 50% precisa de 6,8%. São 6 milhões de votos e isso não é pouca coisa, a diferença de votos entre Lula e Bolsonaro.
 
Sabemos que política não é matemática, sei que há outras importantes variáveis (como a utilização massiva e criminosa das redes sociais, especialmente através dos aplicativos de mensagens, a pressão patronal, particularmente em rincões distantes dos grandes centros e a tentativa de intimidação que tende a se acirrar, por parte do bolsonarismo), mas olhar os números vale a pena.
 
Simone Tebet teve 4,16% e Ciro, 3,04%. Os eleitores “ciristas-bolsonaristas” já podem ter migrado para Bolsonaro no primeiro turno, os que permaneceram com ele (Ciro), se supõe que não sejam de extrema-direita.
 
A maioria do MDB e Simone Tebet devem, assim como o PDT e o Cidadania já decidiram, apoiar Lula. Só aí são 7,2% dos votos. Lula poderia, assim, chegar a mais de 55% dos votos.
 
Política não é matemática, repetimos, mas esses números não devem ser desprezados.
 
Deve-se considerar ainda: e os brancos e nulos? Estes votos somaram, nessas eleições, umas das menores taxas, que foi de 4,41%. Ou seja, quem foi votar, votou direto nos candidatos. Os votos válidos foram mais de 95%.

O que significa isso? O segundo turno foi antecipado para o primeiro turno, quase que totalmente, restando apenas 8,37% de eleitores que não escolheram os dois candidatos que vão para o segundo turno.

* Fonte e texto completo aqui.

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Em resumo: o cenário atual é de otimismo moderado. Os números indicam que Lula vencerá no segundo turno! 

sábado, 1 de outubro de 2022

Eleições 2022: vote consciente!

 

Neste domingo, dia 02 de outubro de 2022, será um domingo especial para a democracia brasileira: teremos eleições para os cargos de Presidente da República (e vice), senador (1 vaga por estado), deputados federais e deputados estaduais. Será um teste para nossa democracia que ainda está em processo de amadurecimento. Esperamos que os resultados das urnas sejam respeitados e que candidatos eleitos cumpram devidamente seus papéis com honestidade e integridade. Para isso, devemos fazer nossa parte: votar de forma consciente, escolher os melhores representantes e acompanhar atentamente o desempenho dos eleitos no exercício do mandato. Façamos nossa parte!

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Em quem votar nestas eleições?! Quais os cargos deste ano?

 


Este teremos eleições para vários cargos nacionais e regionais. Milhões de eleitoras e eleitores brasileiros vão às urnas no próximo mês de outubro para escolher os representantes políticos para cinco cargos em disputa nas Eleições 2022: presidente da República, governador, senador, deputado federal, deputado estadual ou deputado distrital. Do Site do TRE (link aqui) temos as seguintes informações sobre a função de cada um desses cargos: 
  • Câmara dos Deputados. As deputadas e os deputados federais são os representantes do povo no âmbito federal. Compete a eles elaborar leis de abrangência nacional e fiscalizar os atos da pessoa que exerce a Presidência da República. Cabe aos parlamentares apresentar projetos de leis ordinárias e complementares, de decreto legislativo, de resolução e emendas à Constituição, bem como discutir e votar medidas provisórias editadas pelo Executivo e criar Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). 
  • Senado Federal. Já as senadoras e os senadores são os representantes dos estados e do DF no Congresso Nacional. Assim como os integrantes da Câmara dos Deputados, têm a prerrogativa constitucional de fazer leis e de fiscalizar os atos do Poder Executivo. Além disso, a Constituição Federal prevê como competência privativa do Senado: processar e julgar, nos crimes de responsabilidade, os que ocupam os cargos de presidente e vice-presidente, os ministros de Estado e os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), os membros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União. 
  • Governadores. A governadora ou o governador exerce o Poder Executivo no estado e no Distrito Federal. Cabe a quem ocupa o cargo representar, no âmbito interno, a respectiva Unidade da Federação nas relações jurídicas, políticas e administrativas. Na chefia da administração estadual, é auxiliado pelas secretárias e secretários de estado. Também participa do processo legislativo e responde pela segurança pública. Nesse caso, o governo estadual e do DF contam com as Polícias Civil e Militar e com o Corpo de Bombeiros. Em razão da autonomia dos estados e do Distrito Federal, cada constituição estadual e a Lei Orgânica do Distrito Federal estipulam as competências e responsabilidades do cargo. 
  • Presidência da República. A pessoa eleita para a Presidência da República governa e administra os interesses públicos da União. Tem o dever de manter a integridade e a independência do país, bem como apresentar um plano de governo com programas prioritários, projetos de lei de diretrizes orçamentárias e propostas de orçamento. Exerce também atribuições administrativas e legislativas. Entre as diversas atribuições administrativas do cargo estão nomear os titulares dos ministérios, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos tribunais superiores e o advogado-geral da União. Com relação à política externa, compete ao presidente da República decidir sobre as relações com outros países, sobre o credenciamento de representantes diplomáticos e sobre a celebração de convenções, tratados e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional.

Não desperdice o seu voto. Pesquise sobre o seu candidato, confira se ele é de fato uma pessoa que acredita na democracia e vai zelar pelo povo. Use o senso crítico, não caia em "fake news".

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Diga não ao discurso de ódio


Nestes tempos líquidos, dizer o óbvio nunca foi tão necessário.

Primeiro uma definição do que seja "ódio": aversão intensa gerada ou motivada por medo, raiva ou injúria sofrida; odiosidade; em sentido figurado é a pessoa ou a coisa odiada.

O que é discurso de ódio

No direito, discurso de ódio é qualquer discurso, gesto ou conduta, escrita ou representada que seja proibida porque pode incitar violência ou ação discriminatória contra um grupo de pessoas ou porque ela ofende ou intimida um grupo de cidadãos.[3] A lei pode tipificar as características que são passíveis de levar a discriminação, como raça, gênero, origem, nacionalidade, orientação sexual ou outra característica. Fonte aqui.

Ou ainda, o discurso de ódio é uma forma de pensamento, fala e posicionamento social que incita à violência contra diferentes grupos da sociedade. Pode ser verbalizado ou escrito e sua intenção é discriminar as pessoas devido a suas diferenças, sejam estas raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, deficiências, classe etc. O Discurso de Ódio tem por base o ódio em si ao diferente e todos os preconceitos e prejuízos que decorrem desse sentimento. É considerado crime no Brasil e também um atentado aos Direitos Humanos. Fonte aqui.

Discurso de ódio político.

Especialmente quando se aproximam as eleições para cargos majoritários (prefeitos, governadores e presidente) as forças políticas no Brasil tendem a se polarizar. Algumas pessoas se aliam a uma corrente ou outra e levam a disputa política para o lado pessoal e, sem refletir muito, começam a gerar discursos de ódio político, especialmente se algum líder faz algum tipo de incentivo neste sentido.

O nosso baixo nível de educação em geral e a falta de educação política em especial, leva a uma grande dificuldade de estabelecer um diálogo produtivo entre os diferentes lados políticos. Em geral, o debate político é de baixo nível e explora mais os "defeitos" ou "falhas morais" dos candidatos do que os reais problemas brasileiros. Algumas vezes, são focados problemas que afetam uma parcela bem pequena da sociedade e outros problemas que atingem muitas pessoas são ignorados ou negligenciados.

No Brasil existem mais de 30 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, isso mostra a grande dispersão ideológica (da "extrema-esquerda" a "extrema-direita") existente e que alguns partidos políticos servem apenas para serem "alugados" (partido “fisiológico”) ou como plataforma para alguns líderes políticos (partido político personalista). A população, de forma geral, tem muita dificuldade em diferenciar o que seja "esquerda" ou "direita" e mais dificuldade ainda em argumentar e defender de forma sensata e lógica o seu ponto de vista nesse verdadeiro mar agitado de ideologias frouxamente amarradas em conceitos sólidos.

No final das contas, em casos extremos, quando faltam argumentos a violência brota e o discurso de ódio na política pode levar a agressões físicas e até mesmo a morte dos envolvidos. Em uma democracia deve existir espaço para a diversidade e para o debate de ideias, mas não pode haver espaço para a intolerância ou falta de civilidade. A liberdade de expressão é essencial, porém ela não pode ser usada para acobertar discursos de ódio de qualquer tipo.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Postagem possivelmente "polêmica": O "POBRE DE DIREITA" É UM FIGURANTE DE BURGUÊS de José Menezes Gomes

 
Em geral, eu publico textos originais ou, no máximo, traduções, mas desta vez fiz uma cópia (fonte original aqui) integral de uma publicação de José Menezes Gomes. O texto abaixo é uma definição de "pobre de direita" bem situada para o Brasil. O que você acha deste texto?


O "POBRE DE DIREITA" É UM FIGURANTE DE BURGUÊS

Por José Menezes Gomes (doutor pela USP e professor do curso de Economia de Santana e do Doutorado em Serviço Social da UFAL) 

O "pobre de direita" se acha liberal mesmo não tendo capital e propriedade.

Ele é contra os direitos trabalhistas, pois espera um dia ter capital e propriedade para ser um explorador da força de trabalho dos outros.

Ele é contra os direitos sociais, pois acha que isto irá reduzir os seus lucros futuros, quando ele for capitalista e puder explorar os trabalhadores, sendo que ele é trabalhador, mas não se reconhece como tal.

Ele é contra o Estado pois acha que quando ele tiver capital e propriedades não vai querer que o Estado estabeleça limites ao seu desejo de ficar rico explorando os trabalhadores. 

O "pobre de direita" é o produto melhor elaborado pelos mecanismos de produção de ideologia burguesa para a defesa dos burgueses que têm capital, que têm propriedade e que estão na gestão do Estado para não pagar impostos, para receber subsídios e incentivos fiscais, para ganhar dinheiro comprando títulos da dívida pública e terem o controle dos meios de comunicação de forma a propor o mundo dos ricos como o objeto a ser defendido, mesmo que a riqueza da burguesia seja fruto da exploração,  também dos pobres de direita. Ele passa a vida toda sonhando ser burguês, mas sem capital e propriedade e sendo explorado. 

Entretanto, ele é muito útil para a burguesia, pois, já que não tem nem capital nem propriedade, ele se torna o cão de guarda da classe à qual um dia sonha pertencer. Sendo assim, ele vai para as ruas defender o capitalismo e vê nos trabalhadores esclarecidos e organizados os seus inimigos de classe.

O "pobre de direita", além de ser um figurante de burguês, é terreno fértil para o fascismo. Portanto, o "pobre de direita" é um figurante de Burguês que, no momento de crise do capitalismo, se comporta como um pitbull da burguesia, na defesa de um governo de conteúdo fascista. 

Como o "pobre de direita" tenta ser o espelho dos valores que ele acha que a burguesia tem, passa a ser machista, racista, homofóbico, etc. Ele acaba sendo o portador dos principais preconceitos que a burguesia gerou e perpetuou como parte do seu sistema de dominação, porque precisa no racismo para pagar bem menos aos trabalhadores afrodescendentes. É machista porque os salários das mulheres é bem menor que os salários dos homens. Enfim, ele nega sua origem social e tenta ser o que não tem, pois se trata de um trabalhador sem consciência de classe. Por isso se endivida para ter uma imagem diferente do seu real poder de compra permite. São chamados de "emergentes" porque querem negar sua classe assumindo a aparência de burguês. 

Ele come sardinha e arrota caviar, enquanto late sempre mais alto para mostrar à burguesia que está protegendo a propriedade do burguês, enquanto dorme fora da mansão que sonha que um dia ser sua.

Ao envelhecer, não vai ter emprego e muito menos vai poder pagar um plano de saúde. Desta forma vai precisar de proteção social, porém, passou a vida toda defendendo que bastava deixar a mão invisível agir, que, com o egoísmo sendo potencializado, se chegaria ao bem-estar coletivo, onde todos teriam chance de um dia ser rico, bastando apenas "seu esforço individual e sua capacidade de assumir riscos".

O "pobre de direita" é um figurante de Burguês que late como pitbull em defesa da burguesia e se cala sobre sua própria exploração.

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Ainda sobre esse assunto, você pode assistir a opinião de Ana Roxo,  youtuber convidada pelo blog NOCAUTE, de Fernando Moraes. https://youtu.be/W2BSU6CRYWw

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José Menezes Gomes possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Mato Grosso (1986), mestrado em Economia Rural [C. Grande] pela Universidade Federal da Paraíba (1991), doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (2005) e pós doutor em Ciência Política pela UFPE. Atualmente é Professor Associado IV da Universidade Federal de Alagoas. Atua na área de Teoria Econômica com ênfase em Economia Política especialmente nos seguintes temas: crise capitalista, imperialismo, fundos de Pensão, políticas públicas e lutas de Classes. É coordenador do núcleo alagoano pela auditoria da divida e componente do Observatório de Políticas Públicas e Lutas Sociais da UFAL. Link do Lattes: http://lattes.cnpq.br/6623770380524546

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Você é comunista?! Talvez seja bom esclarecer um pouco mais esse ponto.

 

Fonte aqui.

Vamos começar com uma definição curta (do dicionário):

comunismo - SUBSTANTIVO - 

  • organização socioeconômica baseada na propriedade coletiva dos meios de produção;
  •  doutrina econômica e política que preconiza tal organização;
  •  qualquer regime de governo fundado nessa doutrina, ex: "o comunismo da ex-União Soviética"; 
  • doutrina e política dos partidos comunistas.

Uma definição bem mais completa (Nicola Abbagnano (1901 - 1990) - Dicionário de Filosofia, 5a. ed. - São Paulo: Martins Fontes, 200): 

COMUNISMO (in. Communism - fr. Communisme, ai. Kommunismus; it. Comunismo). Ideologia política que tem como programa o Manifesto Comunista publicado por Marx e Engels em 1847, desenvolvido nas obras de Marx e Engels, bem como de Lênin e Stálin. Tal ideologia pode ser resumida nos seguintes pontos fundamentais: 
  • 1) a personalidade humana depende da sociedade historicamente determinada a que pertence, e nada é fora e independentemente da própria sociedade; 
  • 2) a estrutura de uma sociedade historicamente determinada depende das relações de produção e de trabalho próprias dessa sociedade, que determinam todas as suas manifestações: moralidade, religião, filosofia, etc, além das formas de sua organização política. Esses dois pontos constituem a doutrina do materialismo histórico (v.); 
  • 3) a luta de classes tem caráter permanente e necessário em toda e qualquer sociedade capitalista, isto é, em qualquer sociedade cujos meios de produção sejam propriedade privada; 
  • 4) depois de alcançar o ponto máximo de concentração de riqueza em poucas mãos e de empobrecimento e nivelamento de todos os trabalhadores, a sociedade capitalista passa, necessária e inevitavelmente, para a sociedade socialista, que possui e exerce diretamente os meios de produção e é, por isso, sem classes; 
  • 5) existe um período de transição entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista, durante o qual o proletariado assumirá o poder e o exercerá, assim como os capitalistas fizeram, em seu próprio proveito. Esse será o período da ditadura do proletariado.
O comunismo russo deu destaque sobretudo ao último desses aspectos, que, nas obras de Marx e Engels, aparecia como secundário. E, dando-lhe destaque, transformou-o no sentido de entender a ditadura do proletariado como ditadura do partido comunista, confiando ao próprio partido a função de vanguarda do proletariado. Desse modo, o partido torna-se o instrumento fundamental para a realização da sociedade nova e pretende comandar, controlar e dirigir qualquer ação que tenha essa finalidade. Essa preeminência do partido, já teorizada por Lênin, foi levada ao extremo por Stálin, que afirmou a necessidade da "partidarização" da ciência, da arte, da filosofia e, em geral, de todas as atividades intelectuais, o que significa simplesmente subordinar essas atividades aos interesses do partido, na forma como são interpretadas e impostas por seus dirigentes.

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Bom, dada essas definições, vejamos uma história de "caça aos comunistas infiltrados" que ocorreu nos EUA nos anos 1950:

Em 1952, a histeria anti-comunista tomou conta dos EUA. Era a segunda vez que isto acontecia. O alvo eram os professores. No final do seu mandato, Truman passou lei dizendo que comunistas não poderiam ser professores. Apenas o sindicato reagiu. Mais de 1500 professores em todo o país foram demitidos. Na maioria dos lugares, bastava a palavra do diretor ou de alguém da comunidade para caracterizar o docente como comunista. Em NY, o sindicato resolveu resistir e exigiu processos com direito de defesa. Dois casos impressionam. Uma professora, de origem judaica, acusada de comunismo, foi descrita por seu diretor como "tendo uma imensa capacidade de ensinar o marxismo-leninismo com bloquinhos de madeira com letras". Ela era alfabetizadora. E começou a receber cartas da comunidade com os dizeres "comunismo é judeu e judeus não são bons americanos" ou "hitler estava certo!". Quando recebeu o veredicto, a professora se suicidou. O comitê investigativo usou o suicídio como prova da culpa e da competência das investigações. Outro caso, outra professora, desta vez trabalhava no Harlem. A comunidade negra se mobilizou em sua defesa. Testemunhos diziam que nenhum professor tinha o cuidado e a paciência de Bella Dodd para ensinar as crianças negras. O comitê usou isto como prova de que ela era comunista. Entre as "provas" tinha o depoimento de um carteiro informando que via seguidamente Bella nas áreas mais pobres do Harlem "perguntando por e ajudando crianças, inclusive doando roupas no inverno". O carteiro completou dizendo que achava isto "bem comunista".

Nos anos 50 a CIA, em memorandos internos, reclamava que o custo para infiltrar agentes no mundo soviético era muito alto e que todos eles eram descobertos e mortos. Entretanto, o comunismo exercia "uma papel mágico no encantamento dos americanos, sobretudo os mais bem formados". Segundo a CIA "todo professor é um espião soviético em potencial" e "quanto mais estudado mais vulnerável". Professores com doutorado eram quase certamente espiões.

Não é a primeira vez que a burrice e a ignorância torcem os discursos para se fazerem superiores. Nos EUA, consciência social e trabalho pelos mais pobres era prova de "comunismo" e os mais bem formados inclinarem-se pelo comunismo não era prova da correção ou mesmo de viabilidade destas ideias, mas a demonstração da "mágica" comunista e um argumento contra a ciência e os intelectuais. Todo regime de ignorantes ataca essencialmente professores, universidades, as artes e a história. Atacam irracionalmente e usam a irracionalidade como argumento de defesa contra a ciência e a lógica. Estamos vendo tudo isto de novo.
 
- Fernando Horta (@professorfernandohorta)

Veja também uma reportagem sobre esse tema - Medo do comunismo nos EUA: os professores perseguidos e demitidos nos anos 50 sob a suspeita de serem 'vermelhos' por Amanda Rossi, da BBC News Brasil em São Paulo, de 10 dezembro 2018. Link aqui.

Bom, depois disso tudo. Refaço a pergunta: você é comunista? Quem lhe chama de comunista tem uma noção do que seja comunismo? Será que você só quer um mundo um pouco menos injusto, que a educação seja de boa qualidade e para todos?