quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Principais empresas e IAs chinesas

Principais empresas e IAs chinesas

Além da DeepSeek, as principais empresas e laboratórios chineses de inteligência artificial são Alibaba (Qwen), ByteDance (Doubao/Seed), Baidu (ERNIE), Tencent (Hunyuan/Yuanbao), Moonshot AI (Kimi), Zhipu AI/Z.ai (GLM), MiniMax, StepFun, iFlytek e Xiaomi. O setor é dividido entre grandes plataformas de tecnologia e startups conhecidas como os “tigres da IA” chineses.

Principais empresas e modelos

Empresa Modelo/IA principal Destaques
DeepSeek DeepSeek V4 / V4.1 Ficou conhecida mundialmente por oferecer modelos de alto desempenho a custo reduzido, com forte atuação em raciocínio, programação e modelos de pesos abertos.
Alibaba Qwen Uma das famílias de modelos abertos mais influentes do mundo; destaca-se em multilínguas, programação, matemática, agentes e tarefas multimodais.
ByteDance Doubao e Seed Empresa-mãe do TikTok; tem enorme capacidade de distribuição de IA para consumidores e integração com seus aplicativos e serviços em nuvem.
Baidu ERNIE Um dos primeiros grandes chatbots chineses; forte em busca, língua chinesa, aplicações empresariais e integração com seu ecossistema.
Tencent Hunyuan e Yuanbao Beneficia-se da enorme base de usuários do WeChat e de sua infraestrutura de nuvem; atua em IA generativa, jogos, mídia e serviços corporativos.
Moonshot AI Kimi Startup conhecida por modelos com contexto muito longo, úteis para analisar documentos extensos, pesquisa, programação e fluxos de trabalho com agentes.
Zhipu AI / Z.ai GLM Origem ligada à Universidade Tsinghua; é forte em uso corporativo, programação, uso de ferramentas e agentes de IA.
MiniMax MiniMax M3, Hailuo Atua em texto, voz, música e vídeo; o Hailuo é um de seus produtos de geração de vídeo mais conhecidos.
StepFun Step Startup focada em modelos de linguagem de grande escala, raciocínio e aplicações multimodais.
iFlytek Spark Empresa tradicional em reconhecimento de fala e processamento de linguagem; destaca-se pelo uso de chips domésticos chineses no treinamento de modelos.
Xiaomi MiMo Entrou mais tarde na corrida dos modelos fundamentais, mas vem ganhando atenção com modelos abertos e integração com seu ecossistema de dispositivos.

Os “tigres da IA”

O termo “tigres da IA” costuma designar as startups que desafiam as grandes plataformas tecnológicas chinesas na criação de modelos de base. Os nomes mais citados são DeepSeek, Moonshot AI, Zhipu AI e MiniMax.

  • DeepSeek tornou-se o caso mais visível internacionalmente, sobretudo por sua estratégia de baixo custo e modelos abertos.
  • Moonshot AI é associada ao Kimi e ao processamento de contextos longos.
  • Zhipu AI, também chamada de Z.ai em seu braço internacional, é reconhecida pela família GLM e por soluções corporativas.
  • MiniMax diferencia-se por cobrir texto, fala, música e vídeo em um mesmo ecossistema.

Grandes plataformas

As gigantes Baidu, Alibaba, Tencent e ByteDance continuam entre os atores mais importantes porque combinam pesquisa em IA com nuvem, aplicativos, bilhões de usuários e capacidade de distribuição comercial.

Para quem busca alternativas à DeepSeek, os nomes mais relevantes hoje são:

  • Qwen (Alibaba) — melhor escolha para ecossistema aberto, multilíngue e multimodal.
  • Kimi (Moonshot AI) — indicada para documentos longos, pesquisa e agentes.
  • GLM (Zhipu/Z.ai) — forte em programação, ferramentas e uso empresarial.
  • Doubao (ByteDance) — voltada a produtos de consumo e implantação em larga escala.
  • ERNIE (Baidu) — relevante para aplicações em chinês, busca e empresas.
  • MiniMax — interessante para geração multimodal, especialmente vídeo e voz.

Observação importante

“IA chinesa” não é um bloco homogêneo: há diferenças grandes entre modelos abertos, como muitos da DeepSeek, Qwen, GLM e Kimi, e sistemas proprietários, como boa parte das soluções da ByteDance. Além disso, o acesso, o preço e a disponibilidade internacional variam conforme o modelo e a jurisdição.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Divulgando: SUBMISSÃO DE TRABALHOS PARA O XI WORKSHOP TECNOLOGIAS, LINGUAGENS E MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

 Prezado (a) colega pesquisador (a),

Representando a comissão organizadora, tenho o prazer de convidar toda comunidade para participar do nosso evento online IX Workshop de Tecnologias, Linguagens e Mídias na Educação a ser realizado no dia 05 de dezembro de 2026, sábado, pelo IFTM- Campus Uberlândia Centro.

Nesta nona edição apresentamos como tema geral: "Entre Dados e Desigualdades: preconceitos algorítmicos e impactos na educação".  

Estamos no período de submissão de RESUMO EXPANDIDO e TRABALHOS COMPLETOS para publicação e apresentação de comunicações orais.

Informações específicas sobre as normas de submissão no formulário de envio dos arquivos:

 
Cronograma:
O prazo para submissão estará aberto até as 23:59, do dia 03 de NOVEMBRO de 2026.
Até 17 de novembro de 2026 - período de avaliação e emissão de pareceres 
A partir do dia 18 de novembro de 2026 - divulgação dos trabalhos aprovados para apresentação de comunicação oral e publicação nos ANAIS 
Dia 05 de dezembro de 2026 a partir das 13h- apresentação online de comunicações orais nos Grupos de Trabalho

RELAÇÃO E DESCRIÇÃO DOS GRUPOS DE TRABALHO PARA SUBMISSÃO DE TRABALHOS- Clique aqui
MODELO DE TEMPLATE PARA RESUMO EXPANDIDO (de 02 a 04 páginas) - Clique aqui

MODELO DE TEMPLATE PARA TRABALHO COMPLETO (de 08 a 15 páginas)- Clique aqui

Evento gratuito, com emissão de certificado e publicação de trabalhos nos ANAIS.

Contamos com seu apoio na divulgação do nosso evento!

Estamos à disposição em caso de dúvidas entre em contato pelo email: workshoptlme@iftm.edu.br

ou no grupo de whatsapp da comissão organizadora: https://chat.whatsapp.com/JLT35I2seUiBQmpR6PKPNy


Atenciosamente, 
Prof. Me. Franciely Pereira Moreira
Comissão Organizadora

Como saber se eu estou certo e os outros estão errados?

Como saber se estou certo e os outros estão errados?

Você pode nunca ter certeza absoluta de que está certo e essa é justamente a postura mais saudável diante de polêmicas. É possível, porém, ter crenças bem justificadas: mais coerentes com as evidências, mais capazes de explicar os fatos e mais abertas à correção do que outras alternativas.

As paixões realmente podem cegar, mas o antídoto não é a ausência de paixão; é a paixão disciplinada pela dúvida, pelas evidências e pela disposição de mudar de ideia. Em outras palavras, devemos cultivar uma paixão moderada (eu sei que isso pode ser muito difícil na prática).

Um exemplo simples é o do torcedor apaixonado pelo seu time de futebol. Ele pode reconhecer que o adversário atravessa uma fase melhor, mesmo sem deixar de torcer pelo seu clube. Os números podem mostrar isso: o rival está mais bem classificado no campeonato, tem melhor saldo de gols, uma defesa mais consistente e um desempenho mais regular ao longo da temporada. Reconhecer esses fatos não exige abandonar a paixão; exige apenas não transformá-la em negação da realidade.

Por que nos enganamos

Somos naturalmente inclinados a defender posições que já adotamos. A psicologia cognitiva mostra que buscamos, interpretamos e lembramos informações de modo a confirmar nossas crenças, o chamado viés de confirmação. Também tendemos a sentir que nosso grupo está certo e que o grupo contrário é irracional, mal-intencionado ou ignorante.

Isso não significa que todas as opiniões valham o mesmo. Significa que o fato de você sentir muita convicção não é evidência de que está certo. Às vezes, quanto mais forte é a emoção, maior deve ser o cuidado metodológico.

Como saber se você não está cego

Não existe um teste definitivo, mas há sinais de que sua posição é epistemicamente mais sólida:

  • Você consegue formular a melhor versão do argumento oposto. Se só conhece caricaturas da outra posição, ainda não está em condições de julgá-la.
  • Você procura evidências que poderiam refutá-lo, não apenas as que o confirmam.
  • Você distingue fatos, interpretações e valores. Muitas polêmicas misturam as três coisas.
  • Você aceita mudar de ideia diante de evidência forte, mesmo quando isso é desconfortável.
  • Você confia mais em métodos do que em intenções. Uma pessoa pode ter más intenções e, ainda assim, apresentar um dado correto; e uma pessoa simpática pode estar enganada.
  • Você consulta fontes independentes e qualificadas, em vez de apenas repetir quem já pensa como você.
  • Você admite incerteza proporcional à evidência. Dizer “ainda não sei” ou “minha conclusão é provisória” não é fraqueza intelectual.

Um bom exercício é perguntar: “Que tipo de evidência me faria abandonar essa crença?” Se a resposta for “nenhuma”, você não está defendendo uma tese; está protegendo uma identidade -- e, provavelmente, está errado.

Quando é razoável afirmar que os outros erram

Você pode dizer que outra pessoa está errada quando consegue mostrar, com clareza, pelo menos uma destas condições:

  1. Os fatos que ela afirma não correspondem às melhores evidências disponíveis.
  2. Sua inferência não decorre logicamente dos fatos que ela aceita.
  3. Ela usa critérios diferentes apenas quando isso favorece sua conclusão.
  4. Sua explicação é menos parcimoniosa, menos consistente ou menos preditiva que a alternativa.
  5. Ela ignora sistematicamente contraprovas relevantes.

Mas há uma diferença importante entre dizer “você está errado” e dizer “você é ignorante, mau ou de má-fé”. A primeira é uma afirmação sobre argumentos; a segunda, sobre a pessoa. Em debates públicos, confundir as duas coisas costuma transformar discussão em guerra.

O papel das paixões

As paixões não são inimigas do pensamento. Sem interesse, indignação ou cuidado, muitas pessoas não se mobilizariam para investigar injustiças, erros científicos ou problemas sociais. O problema começa quando a paixão passa a selecionar as evidências em vez de ser orientada por elas. Um matemático que não tivesse paixão por matemática nunca seria um matemático (sim, algumas pessoas gostam de verdade de matemática).

A questão não é: “Estou apaixonado por essa causa?”
É: “Minha paixão me torna mais ou menos capaz de reconhecer quando estou errado?”
Uma segunda questão: “Essa apaixão está me tornando intolerante com as outras pessoas?”

Uma postura possível

Talvez a melhor resposta seja esta: procure não estar certo contra os outros, mas estar disposto a mudar de opinião diante de evidências. Isso exige humildade sem relativismo: você não precisa concluir que “cada um tem sua verdade”, mas pode reconhecer que sua verdade é sempre parcial, revisável e dependente de melhores argumentos.

No espírito do ceticismo científico, uma teoria bonita, uma convicção intensa ou uma maioria entusiasmada não substituem o teste da realidade. E algumas verdades podem estar escondidas atrás de muitas camadas de falsas aparências.

Em suma: você nunca terá garantia total de não estar cego; mas pode reduzir muito o risco ao tornar sua própria posição falsificável, expô-la a críticas competentes e aceitar que o adversário pode ter razão em algum ponto.


Obs: postagem inspirada em uma conversa que eu tive com a minha amiga Terezinha Narbal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Resumo das eleições para presidente do Brasil (2o. turno)

Resumo das eleições presidenciais brasileiras — 2º turno de 2026

Resumo das eleições presidenciais brasileiras — 2º turno de 2026

No 2º turno das Eleições 2026, realizado em 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil, com 64.256.232 votos válidos, correspondentes a 51,79% do total. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 votos válidos, ou 48,21%.

Resultado presidencial

Candidato Votos válidos Percentual Situação
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 64.256.232 51,79% Eleito
Flávio Bolsonaro (PL) 59.826.041 48,21% Não eleito

A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. Foram registrados, ainda, 2.723.305 votos nulos, 1.430.496 votos brancos e 30.509.005 abstenções.

Tecnologia utilizada

A votação foi realizada com urnas eletrônicas em todo o país. No 2º turno, foram utilizadas 499.248 urnas, das quais apenas 1.551 — cerca de 0,31% — precisaram ser substituídas durante o processo eleitoral.

O funcionamento básico do sistema ocorreu nas seguintes etapas:

  • O eleitor registrou o voto na urna eletrônica.
  • Ao encerramento da votação, cada urna gerou o Boletim de Urna (BU), com o resultado da respectiva seção eleitoral.
  • Os boletins foram transmitidos à Justiça Eleitoral.
  • O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) processou os dados em seu sistema de totalização.
  • Os resultados foram divulgados em tempo real no site e no aplicativo oficial de Resultados do TSE.

A unificação do horário de votação em todo o país, com referência ao horário de Brasília, contribui para a rapidez da apuração, pois permite iniciar a transmissão e a totalização dos boletins de forma coordenada.

Rapidez da obtenção dos resultados

Originalmente, a votação deveria terminar às 17h e a divulgação dos resultados começaria nesse horário. Entretanto, uma decisão judicial prorrogou o encerramento das urnas para as 19h, no horário de Brasília.

Como parte das urnas já havia sido encerrada, o TSE precisou suspender temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna. Isso gerou acúmulo de arquivos e atrasou o início da totalização, mas não representou uma falha generalizada das urnas eletrônicas.

Mesmo com esse atraso, o resultado presidencial foi definido às 21h08, com cerca de 97% das urnas apuradas. Naquele momento, Lula tinha 51,74% dos votos válidos, vantagem matematicamente irreversível sobre Flávio Bolsonaro.

Considerando o fechamento das urnas às 19h, o vencedor foi conhecido em aproximadamente duas horas e oito minutos.

Segurança e auditoria

Antes da apuração, o TSE realizou o Teste de Integridade, auditoria pública que compara os votos digitados nas urnas com os votos registrados em cédulas de papel previamente preenchidas. No 2º turno, foram auditados 389 votos e não houve divergência entre as cédulas e os registros das urnas.

O TSE informa que o percurso do voto — da ligação da urna até a totalização — é protegido por mecanismos de segurança. A divulgação oficial ocorreu pelo portal e pelo aplicativo do TSE, com atualização em tempo real.

Síntese

A urna eletrônica e o sistema nacional de transmissão e totalização permitiram conhecer o resultado presidencial poucas horas após o fechamento das seções. O principal fator de atraso foi a prorrogação judicial da votação, que exigiu ajustes no recebimento e no processamento dos boletins.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Lula foi ou é comunista?

Lula foi ou é comunista? Uma análise conceitual
Lula recebendo membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Fonte: https://x.com/LulaOficial/status/2027185326532211036/photo/1

Lula foi ou é comunista? Uma análise conceitual

Não. Usando o conceito acadêmico de comunismo — o projeto de superação do capitalismo, abolição da propriedade privada dos meios de produção, fim das classes sociais e, na formulação marxista clássica, eventual extinção do Estado — não é correto dizer que Lula é ou foi comunista. Ele é um político de esquerda, com trajetória sindical e socialista em parte de sua história, mas sua prática de governo tem sido predominantemente social-democrata, desenvolvimentista e conciliadora com o capitalismo.

O que é comunismo, academicamente

No sentido filosófico e político, comunismo não é simplesmente “Estado forte”, “mais impostos” ou “programas sociais”. Na tradição marxista, comunismo é uma sociedade futura sem classes sociais, sem propriedade privada dos meios de produção e, em última instância, sem Estado. O socialismo seria uma etapa intermediária, ainda marcada por conflitos de classe e pela existência do Estado.

Portanto, chamar de “comunista” qualquer governo que amplie gastos públicos, regule mercados ou adote políticas sociais é um uso popular e impreciso do termo.

A trajetória de Lula

Lula começou sua vida política no sindicalismo e no PT, partido fundado em 1980 com forte presença de trabalhadores, intelectuais, católicos de esquerda, socialistas e comunistas. Nos anos 1980 e no início dos 1990, ele e o PT utilizavam retórica anticapitalista e defendiam o socialismo como horizonte.

No programa de 1989, por exemplo, Lula defendia que “só através do socialismo” haveria condições de transformar a sociedade brasileira. Isso mostra que, em certo momento, o socialismo era parte explícita de seu discurso político.

O que Lula fez como presidente

Quando chegou à Presidência, em 2003, Lula não implementou uma agenda comunista. Pelo contrário: manteve elementos da política macroeconômica anterior, respeitou contratos, manteve a estabilidade monetária, preservou a propriedade privada e buscou aliança com setores empresariais e do agronegócio.

Estudos acadêmicos descrevem seu modelo como social-liberal-desenvolvimentista: crescimento do mercado interno, expansão do crédito, investimento público, transferência de renda, valorização do salário mínimo e políticas sociais, dentro de uma economia capitalista.

A BBC resume bem a distinção: o PT nunca se propôs a ser um partido comunista; é um partido amplo de esquerda, cuja prática governamental foi marcada por crescimento capitalista combinado com inclusão social.

Lula se declara socialista?

Sim, em discursos. Em 2025, ele afirmou que pretendia ficar “cada vez mais esquerdista” e “socialista”. Em 2023, no Foro de São Paulo, disse que não se ofendia ao ser chamado de comunista ou socialista.

Mas declaração de identidade política não é o mesmo que implementação de um regime comunista. Um político pode se identificar com o socialismo como horizonte normativo e, ao mesmo tempo, governar dentro de uma economia de mercado, com propriedade privada, empresas, bancos, bolsa de valores e investimento estrangeiro.

A distinção essencial

Conceito Significado acadêmico Aplicação a Lula
Comunismo Sociedade sem classes, sem propriedade privada dos meios de produção e, em última instância, sem Estado Não corresponde à prática governamental de Lula
Socialismo Crítica ao capitalismo e defesa de maior igualdade, poder trabalhista e controle social da economia Lula se identifica com o termo em discursos, mas não implementou socialismo pleno
Social-democracia Capitalismo regulado, Estado de bem-estar social, redistribuição, direitos trabalhistas e democracia Descreve melhor boa parte de sua prática governamental
Desenvolvimentismo Estado ativo promovendo industrialização, infraestrutura, crédito e crescimento Também descreve bem seu modelo econômico

Conclusão objetiva

Podemos dizer que Lula tem raízes na esquerda socialista e sindical, que já defendeu publicamente o socialismo e que não rejeita o rótulo de comunista. Mas, no sentido técnico e filosófico do termo, não é correto classificá-lo como comunista.

A descrição mais precisa é: Lula é um líder de esquerda, social-democrata e desenvolvimentista, que governa dentro do capitalismo, com forte presença do Estado, políticas redistributivas e defesa de direitos trabalhistas.

Chamá-lo de comunista, no sentido acadêmico, é uma simplificação política — não uma caracterização cientificamente correta.


Nota de transparência

Prompt original: “Podemos dizer objetivamente que o presidente Lula foi ou é comunista? Considere ‘comunismo’ como um conceito ensinado nas universidades e nos livros de filosofia e política, não o conceito ‘popular’ de comunismo.”

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial generativa, a partir do prompt acima, com pesquisa em fontes acadêmicas, jornalísticas e enciclopédicas. A análise busca distinguir o uso técnico-filosófico do termo “comunismo” de seu uso popular e político. A responsabilidade pela publicação e pela interpretação final é do autor do blogue.

Referências

  • BBC News Brasil. “O que é comunismo?”. 2022.
  • Menezes Neto, A. J. “Lulismo: do socialismo difuso ao pragmatismo liberal”. Universidade Federal do Ceará, 2020.
  • Almeida, C. A. L. “Economia política no Brasil: o primeiro governo Lula”. PUC-SP.
  • Loureiro, M. R. “Democracia, arenas decisórias e política econômica no governo Lula”. FGV-EAESP.
  • G1. “Lula diz que vai ficar cada vez mais ‘esquerdista’ e ‘socialista’”. 2025.
  • CNN Brasil. “Na abertura do Foro de São Paulo, Lula diz que ser chamado de comunista é motivo de orgulho”. 2023.

Divulgando: CARTA DE BISPOS CATÓLICOS AO POVO DE DEUS DIANTE DO SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2026.

CARTA DE BISPOS CATÓLICOS AO POVO DE DEUS DIANTE DO SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2026.

22 de outubro de 2026

O Senhor Deus falou, quem não profetizará? (Am 3,8)

O papa Leão XIV, em sua encíclica Magnifica Humanitas, diz: “Há situações em que, para permanecermos humanos, temos de abandonar as hesitações e tomar posição. Há conflitos nos quais não é justo permanecer neutros nem é suficiente pensar ‘não ser cúmplice’” (216).

Nós, bispos católicos de diversas dioceses do Brasil em comunhão com a CNBB, alinhados com a Mensagem do Conselho Permanente ao Povo Brasileiro, de 21/10/2026, acreditamos ser necessário e urgente, aplicarmos ainda mais em nossas preces pelo País e multiplicar mensagens para ajudar nos discernimentos, já que vivemos no Brasil uma dessas situações mencionadas pelo Papa Leão XIV, diante do cenário eleitoral dado, que exige tomar posição em nome do Santo Evangelho e da Doutrina Social da Igreja (DSI).

“O anúncio do Evangelho não pode esquecer a vida concreta dos povos” (Rerum Novarum, 15). O católico e a católica devem exercer a sua cidadania inspirados pela DSI e decidir o seu voto à luz de seus ensinamentos. Devem deixar “que o Evangelho [...] avalie as estruturas econômicas e políticas que, como viria a recordar São João Paulo II, podem tornar-se verdadeiras e próprias ‘estruturas de pecado’, para que nenhuma pessoa e nenhum povo sejam vistos como prescindíveis nos processos de desenvolvimento (Magnifica Humanitas, 36)

Duas candidaturas estão colocadas. Independentemente de votarmos ou não, um dos candidatos será o próximo presidente do Brasil. Mas é preciso votar. Votem para fazer a diferença. O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum. Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças.

Queremos auxiliar os católicos em sua decisão, apontando alguns pontos de antagonismo entre o ensinamento social da Igreja e uma das candidaturas em disputa.

As mudanças tecnológicas do mundo atual “não podem ser avaliadas apenas em termos de eficiência, mas a partir da dignidade do trabalhador, do direito a uma remuneração suficiente e da efetiva possibilidade de participar na vida social” (Magnifica Humanitas, 37). A candidatura que sempre foi contra o fim da escala 6x1 e propunha pagar o salário por hora trabalhada, não reconhece a dignidade do trabalhador e poderá voltar a este tema.

“A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito pelo direito dos povos a existir [...]. Qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, por isso, inaceitável (Magnifica Humanitas, 64). Um dos candidatos promete submissão do Brasil aos Estados Unidos (EUA), fez parte de uma conspiração para taxar produtos brasileiros, defende a intervenção estrangeira em nossas eleições e promete entregar nossas terras raras à exploração dos EUA.

A exortação apostólica Dilexi Te (Eu te amei, sobre o amor para com os pobres) critica os que pensam que “seria melhor deixar [os pobres] na miséria e ensinar-lhes antes a trabalhar” e que “a liberdade do mercado levará naturalmente à solução do problema da pobreza” (114). O partido de um dos candidatos sempre foi publicamente contrário aos programas sociais e de combate à pobreza, por desconhecerem as causas da miséria no Brasil, mesmo que agora o seu candidato diga que vai continuar alguns programas sociais. Estão, portanto, em contradição com a evangélica opção preferencial pelos pobres, reafirmada nos principais documentos de nossa Igreja.

A DSI propõe o desarmamento e diz que “o enorme aumento das armas representa uma ameaça grave para a estabilidade e a paz” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 508). Um dos candidatos promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu Governo.

O cuidado com a Ecologia Integral é hoje elemento central da DSI. A Laudato si’ critica “as atitudes que barram os caminhos de solução” que “vão da negação do problema à indiferença" (14). Um dos candidatos não reconhece a crise climática, nega os problemas ecológicos e quer dar continuidade às políticas de devastação que caracterizaram o Governo de seu pai e a atuação de seu partido no Congresso. Lembremo-nos da “Lei da Devastação” (nº 15.190/2025) aprovada no ano passado.

“O discípulo de Cristo rejeita todo recurso [à tortura], de modo algum justificável” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 404). Um dos candidatos é publicamente favorável à tortura e sua família fez homenagens a um dos maiores torturadores da ditadura brasileira, o general Brilhante Ustra, que matou muitas pessoas.

“A Igreja encara com simpatia o sistema da democracia [...]; ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objetivos ideológicos” (Centesimus Annus, 46). Um dos candidatos é filho do presidente que foi condenado e preso por atentar contra a democracia e segue suas ideias. Fez várias declarações de ameaça à ordem constitucional e, se eleito, governará com maioria absoluta no Congresso Nacional e no STF, criando as condições para uma usurpação do poder e submissão do país à sua ideologia.

Por outro lado, temos outra candidatura que, embora também esteja sujeita a críticas, sempre manifestou responsabilidade com os pobres e com a Casa Comum e atuou dentro dos limites da ordem democrática, respeitando a Constituição. Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja.

Diante desses e inúmeros outros elementos, não podemos nos manter neutros, a fim de que nossa consciência ou a história não nos condenem no futuro. Quem se calou diante das ameaças totalitárias que se concretizaram na Europa do século XX deixou uma herança vergonhosa para as gerações seguintes.

Conclamamos a todos os católicos para que não deixem de exercer seu direito e votem no dia 25 de outubro, em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres e dos ensinamentos de nossa Igreja.

Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, ilumine a mente de cada um e cada uma de nós.

Assinam:

Dom Adolfo Zon Pereira, SX, Bispo da Diocese do Alto Solimões AM

Dom Adriano Ciocca Vasino, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia MT

Dom Benedito Araújo, Diocese de Campo Maior PI

(...)

Dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Manaus AM

Dom Joel Maria dos Santos, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte MG

Dom José Albuquerque de Araújo, Diocese de Parintins AM

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, SDV, Bispo Presidente da CPT Comissão Pastoral da Terra

As últimas postagens na forma de nuvens de palavras


Usei o seguinte prompt em algumas IAs (Gemini, ChatGPT e Manus): 

Analise o meu blogue (link: https://alfanumericus.blogspot.com/) e gere uma nuvem de palavras referente às publicações dos últimos 30 dias. Não incluir na nuvem de palavras com três letras ou menos, nem alguns verbos, como, por exemplo, 'deve', 'ser', 'estar'. A nuvem de palavras deve ser apresentada na forma de uma imagem no formato 16x9. 

O que você achou do resultado (figuras acima)?  

#inteligênciaartificial 

Explicando novamente o meu voto em Lula 13 - Lula Presidente do Brasil.

 


'Apostar' no Bolsonaro é apostar contra o Brasil, contra nossa soberania, contra os indígenas, contra as florestas, contra o meio ambiente, contra o trabalhador, contra a ciência, contra as universidades e institutos federais, contra a educação. É apostar no retrocesso, nas milícias e no desprezo pela dor do outro.
Lula é perfeito? Não, Lula não é perfeito. Podemos fazer muitas críticas ao governo do PT e a Lula, mas não podemos negar que ele tirou o Brasil do mapa da fome, que o Brasil voltou a crescer, que o salário mínimo teve ganhos reais, que o Brasil é respeitado internacionalmente. Lula sempre respeitou os resultados das eleições, ele sempre respeitou a democracia.
Votar em Lula não significa que apoiamos todas as propostas da 'esquerda', mas que, neste momento, ele é a nossa melhor opção. Na minha opinião, é a única opção real que temos.
Finalmente, para quem não vota em Lula por que ele é 'comunista', eu tenho uma verdade para lhe revelar: ele não é e nunca foi comunista. Para algumas pessoas pode ser surpresa, mas Lula não é comunista e nunca foi comunista. Mas você não precisa acreditar em mim, estude sobre esse assunto, leia sobre o que é capitalismo, socialismo e comunismo, veja o histórico de Lula e tire suas próprias conclusões.
E se você não quer votar em Lula por motivos religiosos, eu tenho mais uma revelação: não é pecado você votar em Lula. Você tem liberdade de consciência e tem o direito de votar em quem você entender que é melhor para a sociedade e para o Brasil. Na verdade, eu tenho muitos motivos religiosos para não votar no outro candidato.
Dito tudo isso, eu afirmo e reforço que sou cristão e voto em Lula para presidente do Brasil. Eu sou patriota, eu amo o Brasil, quero ver o nosso país crescendo, livre da fome, e com liberdade e democracia. Por tudo isso eu voto Lula 13 para Presidente do Brasil e peço que você faça uma reflexão profunda sobre esse assunto e vote mais consciente neste próximo domingo, dia 25 de outubro.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Por quais motivos eu voto em Lula 13 para presidente do Brasil?

Por que voto em Lula neste segundo turno

Por que eu voto em Lula neste segundo turno

Estamos em um momento decisivo para o Brasil. A eleição presidencial deste ano é marcada por forte polarização e por uma disputa apertada entre dois projetos de país. Neste segundo turno, meu voto é em Luiz Inácio Lula da Silva - 13. Este texto explica, com clareza e honestidade, as principais razões dessa escolha.

Votar em Lula não significa apoiar tudo o que pensa ou quer a esquerda brasileira. Não significa concordar com todas as decisões, todos os discursos ou todas as políticas do governo. Votar em Lula significa, antes de tudo, defender um conjunto de valores e conquistas que considero essenciais para o futuro do país: democracia, crescimento, soberania, preservação ambiental, universidade pública, saúde, educação e direitos trabalhistas e maior justiça social.

Democracia e instituições

O primeiro motivo do meu voto é a defesa da democracia. Vivemos, nos últimos anos, um período de forte tensão institucional no Brasil. A preservação das instituições democráticas, do Estado de Direito e da liberdade de imprensa é uma condição para qualquer avanço (ou a simples manutenção) social ou econômico.

Lula representa, para mim, a continuidade de um projeto que respeita as instituições e busca o diálogo -- ainda que imperfeito -- com os diferentes setores da sociedade. O voto no outro candidato, neste contexto, representaria um risco maior de retrocesso institucional e de aprofundamento da polarização. Eu lembro muito bem como foi o governo do pai dele, não quero que aquela história se repita ou fique ainda pior.

Crescimento, emprego e renda

O segundo motivo é o desempenho econômico e social do governo Lula. Em 2025, o desemprego caiu para 5,6%, a menor média anual da série do IBGE, e a população ocupada atingiu o recorde de 103 milhões de pessoas. Esses números mostram que o país voltou a crescer e a gerar empregos de forma consistente. O Brasil, tudo indica, voltará a ser a 8a. economia do mundo em 2027.

Além disso, milhões de brasileiros saíram da pobreza, o salário mínimo ganhou poder de compra e a desigualdade de renda diminuiu. O Bolsa Família foi ampliado e fortalecido, protegendo famílias em situação de vulnerabilidade. Esses resultados não são abstratos: eles representam vidas concretas que melhoraram.

“Em 2025, o desemprego caiu para 5,6%, menor média anual da série do IBGE, e a população ocupada chegou ao recorde de 103 milhões.”
-- Congresso em Foco, 2026.

Soberania nacional e política externa

O terceiro motivo é a defesa da soberania nacional. Lula retomou uma política externa ativa e multipolar, fortalecendo as relações do Brasil com países do Sul global, sem romper com parceiros tradicionais. Essa postura fortalece a posição do Brasil no mundo e amplia nossa autonomia estratégica. As terras raras são nossas, devemos saber negociar com sabedoria as nossas riquezas minerais.

A soberania não é apenas um conceito abstrato: ela se traduz em capacidade de negociar, de defender interesses nacionais e de não se subordinar automaticamente a potências estrangeiras. O voto em Lula é, para mim, um voto por um Brasil mais independente e respeitado internacionalmente.

Meio ambiente e florestas

O quarto motivo é a preservação do que sobrou de nossas florestas. O governo Lula recuperou a política ambiental, reduziu o desmatamento e reposicionou o Brasil como ator relevante no debate climático global. A Amazônia não é apenas patrimônio brasileiro: é patrimônio da humanidade. Sem as florestas, corremos o risco de secas mais graves e mais prolongadas, por exemplo.

Defender as florestas é defender água, clima, biodiversidade e o futuro das próximas gerações. O voto em Lula é, nesse sentido, um voto pela vida e pela sustentabilidade.

Universidades públicas, saúde e educação

O quinto motivo é a defesa das universidades públicas e institutos federais, da saúde e da educação. O governo Lula fortaleceu universidades e institutos federais, ampliou o acesso ao ensino superior e recuperou políticas de ação afirmativa que abriram oportunidades para populações historicamente excluídas.

Na saúde, o SUS foi fortalecido e ampliado. Na educação, houve investimento em escolas, professores e programas de inclusão. Essas políticas não são gastos: são investimentos no futuro do país.

Direitos trabalhistas: a escala 5x2

O sexto motivo, e talvez o mais concreto, é a defesa dos direitos trabalhistas. Eu apoio a escala 5x2 de trabalho -- dois dias de descanso remunerado por semana -- e o fim da exaustiva escala 6x1.

A emenda constitucional que estabelece o fim da escala 6x1 foi aprovada pelo Congresso e promulgada agora em outubro de 2026, reduzindo a jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial. Essa é uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros, e Lula foi o principal articulador político dessa mudança.

“O fim da escala 6x1 foi uma conquista do povo brasileiro.”
-- Lula, 2026

Quero que o salário mínimo continue sendo reajustado acima da inflação, garantindo poder de compra real aos trabalhadores. Quero que o Brasil permaneça fora do Mapa da Fome, como aconteceu em 2025, com as menores taxas de pobreza e desigualdade já registradas.

O voto no outro candidato

Votar no outro candidato é, na prática, dizer não a tudo isso. É dizer não à democracia consolidada, não ao crescimento com distribuição de renda, não à soberania nacional, não à preservação ambiental, não às universidades públicas, não à saúde e educação para todos, e não aos direitos trabalhistas conquistados.

O outro defende um modelo de maior flexibilização trabalhista, com acordos individuais e pagamento por hora, que irá fragilizar proteções coletivas. Embora tenha declarado apoio ao fim da escala 6x1, sua base política e seu plano de governo apontam para uma direção diferente. E ele já mentiu muitas e muitas vezes, não tenho um pingo de confiança nele.

Por isso, meu voto é consciente e informado. Não é um voto cego ou puramente ideológico, mas uma escolha fundamentada em valores, em resultados e em uma visão de futuro para o Brasil.

Conclusão

Votar em Lula, para mim, é votar por um Brasil que cresce sem abandonar os mais pobres. É votar por um país que preserva suas florestas, fortalece suas universidades, cuida da saúde de seu povo e respeita seus trabalhadores. É votar pela democracia, pela soberania e pela esperança.

É um voto pela continuidade de conquistas reais -- e pela defesa do que ainda precisa ser construído. Por tudo isso, meu voto é em Lula. Além disso tudo, eu não tenho a menor vontade de ter o meu salário congelado por quatro anos (ou mais), nem quero que as universidades e intitutos federais fiquem sem dinheiro para honrar seus compromissos.


Nota de transparência

Este texto reflete a posição política pessoal do autor, professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), que declara apoio e voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O texto foi produzido com apoio de inteligência artificial generativa Perplexity, com base em pesquisa de notícias e fontes públicas, e reflete a interpretação e as convicções do autor.

Referências

  • Folha de S.Paulo. “O legado de Lula”. 19 out. 2026.
  • Congresso em Foco. “O mal-estar do mundo que desafia a política”. 19 out. 2026.
  • G1. “No Maranhão, Lula diz que disputa pela última vez a Presidência”. 20 out. 2026.
  • O Globo. “Eleições 2026: o que dizem os programas econômicos de Flávio e Lula?”. 20 out. 2026.
  • UOL. “Lula diz que enviará amanhã PEC para transporte gratuito nos fins de semana”. 20 out. 2026.
  • BBC Brasil. “Fim da escala 6x1 foi aprovado no Senado, o que acontece agora?”. 14 out. 2026.
  • Câmara dos Deputados. “Prioridades do governo para 2026 incluem fim da escala 6x1 e projetos de segurança pública”. 2026.
  • UOL. “Propostas de Flávio Bolsonaro: veja principais pontos do plano de governo”. 27 set. 2026.

Realismo ingênuo: por que é tão difícil concordar com quem pensa diferente?

Realismo ingênuo: por que é tão difícil concordar com quem pensa diferente

Realismo ingênuo: por que é tão difícil concordar com quem pensa diferente

Artigo | Francisco J. A. de Aquino

Resumo

O realismo ingênuo é um conceito da psicologia social que explica por que é tão difícil concordar com quem pensa diferente. Formalizado pelos psicólogos Lee Ross e Andrew Ward, da Universidade de Stanford, na década de 1990, a partir de estudos sobre conflito e percepção social, o conceito descreve a tendência humana de acreditar que nossa percepção da realidade é objetiva, direta e sem filtros — e que quem discorda de nós estaria distorcendo os fatos.

Este artigo apresenta a origem do conceito, suas três ilusões centrais, suas implicações para o conflito social e político, e propõe uma alternativa reflexiva: substituir a pergunta “quem está vendo a realidade?” por “que parte da realidade cada um de nós está vendo?”.

1. Origem e definição

O termo realismo ingênuo foi cunhado e formalizado por Lee Ross e Andrew Ward na década de 1990, a partir de uma série de estudos experimentais sobre percepção social, conflito interpessoal e julgamento moral conduzidos na Universidade de Stanford (Ross & Ward, 1996; Pronin, Gilovich & Ross, 2004).

A ideia central é simples e desconfortável: cada um de nós acredita, sem perceber, que enxerga a realidade de forma objetiva e direta. Os outros, quando discordam, é que estariam distorcendo os fatos. Esse mecanismo opera de forma automática e inconsciente, e é um dos principais obstáculos ao diálogo e à resolução de conflitos.

“Cada um de nós acredita que vê o mundo como ele realmente é — e que aqueles que discordam devem estar distorcidos, ignorantes ou mal-intencionados.”
— Lee Ross & Andrew Ward (1996)

2. As três ilusões do realismo ingênuo

2.1. A Ilusão da Objetividade

Eu acredito que minha percepção é neutra, fiel e sem filtros. Eu vejo as coisas como elas realmente são. Não é uma interpretação, é um fato.

Essa ilusão ignora que toda percepção é mediada por experiências anteriores, valores, cultura, linguagem, emoções e interesses. Não existe um “ponto de vista zero” — todo olhar é situado. A psicologia cognitiva confirma que nossos cérebros filtram e interpretam a realidade de forma seletiva, e não de forma espelhada.

2.2. A Ilusão da Racionalidade Compartilhada

Eu acredito que qualquer pessoa racional, informada e de boa-fé, se tiver acesso às mesmas informações que eu, chegará à mesma conclusão que eu.

Essa ilusão desconsidera que pessoas diferentes, mesmo com os mesmos dados, podem chegar a conclusões distintas por diferenças legítimas de valores, prioridades, experiências de vida e marcos interpretativos. A racionalidade não é homogênea: ela é plural e situada.

2.3. A Ilusão da Falha Alheia

Se alguém, mesmo informado, continua discordando de mim, eu explico essa discordância não como uma diferença legítima de valores, mas como um defeito da outra pessoa: falta de inteligência, preguiça, viés ideológico ou má intenção.

Essa ilusão é a mais corrosiva, pois transforma divergência em julgamento moral. Não é que o outro pensa diferente; é que o outro se recusa a ver o óbvio. Isso fecha a porta do diálogo e torna o conflito aparentemente insolúvel.

3. Por que isso importa?

O realismo ingênuo é o combustível de quase todo conflito insolúvel. Ele transforma divergência em julgamento moral. Não é que o outro pensa diferente; é que o outro se recusa a ver o óbvio.

Esse mecanismo opera em todos os níveis de interação humana — do cotidiano familiar ao debate político nacional. Quando duas pessoas ou grupos se enxergam mutuamente como “cegos” ou “má-intencionados”, o diálogo se rompe e a polarização se intensifica.

Estudos recentes em psicologia política confirmam que o realismo ingênuo é um dos principais fatores de polarização afetiva, isto é, a tendência de ver o outro grupo político não apenas como errado, mas como moralmente inferior ou perigoso (Iyengar et al., 2019; Mason, 2018).

4. Realismo ingênuo não é relativismo

Reconhecer o realismo ingênuo não significa cair no relativismo de que “nada é real” ou “toda opinião vale igual”. Significa reconhecer que toda percepção é parcial e situada, sem negar a existência de fatos objetivos.

A alternativa não é abandonar a verdade, mas adotar uma postura de humildade epistêmica: reconhecer que minha visão é uma interpretação — ainda que fundamentada — e que a visão do outro também pode conter elementos válidos que eu não percebo.

Trocar a pergunta “quem está vendo a realidade?” por “que parte da realidade cada um de nós está vendo?”.

Essa mudança de pergunta abre espaço para o diálogo, para a escuta ativa e para a construção de pontes, mesmo em contextos de profunda divergência.

5. Implicações para a educação e a cidadania

No contexto educacional, especialmente no ensino superior e na formação de professores, o realismo ingênuo é um obstáculo ao pensamento crítico genuíno. Um estudante que acredita que sua visão é a única “correta” não está realmente pensando criticamente — está apenas confirmando suas próprias crenças.

Para formar cidadãos capazes de dialogar em uma sociedade plural, é necessário ensinar explicitamente sobre os vieses cognitivos, incluindo o realismo ingênuo, e criar oportunidades de contato com perspectivas diversas, de forma respeitosa e estruturada.

6. Conclusão

O realismo ingênuo é um mecanismo psicológico poderoso e universal. Ele nos faz acreditar que vemos o mundo como ele é, que qualquer pessoa racional concordaria conosco, e que quem discorda está defeituoso de alguma forma.

Reconhecer esse mecanismo é o primeiro passo para superá-lo. Não significa abandonar a verdade ou cair no relativismo, mas adotar uma postura de humildade epistêmica que abre espaço para o diálogo, a empatia e a construção coletiva de compreensão.

Em tempos de polarização crescente, essa é talvez uma das competências mais urgentes a ser desenvolvida -- na escola, na universidade, na família e na esfera pública.


Nota de transparência

A ideia original deste artigo partiu de um texto do historiador e comunicador Leandro Karnal, que abordou o conceito de realismo ingênuo e suas três ilusões centrais — objetividade, racionalidade compartilhada e falha alheia — em uma publicação nas redes sociais (Facebook). A partir dessa ideia inicial, com apoio de inteligência artificial generativa (Perplexity), foi realizada uma pesquisa complementar em fontes acadêmicas e científicas, com o objetivo de aprofundar a fundamentação teórica, contextualizar historicamente o conceito e relacioná-lo a estudos recentes sobre polarização, conflito social e educação. O texto final foi desenvolvido e estruturado em formato de artigo técnico-científico, com acréscimos de definições, exemplos, implicações educacionais e referências bibliográficas.


Referências

  • Ross, L., & Ward, A. (1996). Naive realism in everyday life: Implications for social conflict and misunderstanding. In T. Brown, E. Reed, & E. Turiel (Eds.), Values and knowledge (pp. 103–135). Lawrence Erlbaum Associates.
  • Pronin, E., Gilovich, T., & Ross, L. (2004). Objectivity in the eye of the beholder: Divergent perceptions of bias in self versus others. Personality and Social Psychology Bulletin, 30(7), 899–912.
  • Iyengar, S., Lelkes, Y., Levendusky, M., Malhotra, N., & Westwood, S. J. (2019). The origins and consequences of affective polarization in the United States. Annual Review of Political Science, 22, 129–146.
  • Mason, L. (2018). Uncivil agreement: How politics became our identity. University of Chicago Press.
  • Kahneman, D. (2011). Thinking, fast and slow. Farrar, Straus and Giroux.