quarta-feira, 1 de julho de 2026

Ignaz Semmelweis: lavar as mãos já foi um ato revolucionário


O caso de Ignaz Semmelweis é um exemplo dramático de como descobertas com forte evidência empírica podem ser recusadas quando entram em choque com o paradigma dominante, exatamente o tipo de situação que Thomas Kuhn descreve em A Estrutura das Revoluções Científicas.

Semmelweis: evidência contra o paradigma

Ignaz Semmelweis, obstetra húngaro do século XIX, observou que a simples prática de lavar as mãos com solução clorada reduzia drasticamente a mortalidade por febre puerperal nas enfermarias obstétricas.

Ele comparou estatisticamente duas enfermarias, uma atendida por médicos e estudantes que realizavam autópsias, outra por parteiras, e identificou que a contaminação por “partículas cadavéricas” explicava a diferença de mortalidade, propondo a lavagem das mãos antes de examinar as pacientes.

Do ponto de vista da ciência empírica, Semmelweis produziu o que Kuhn chamaria de uma anomalia robusta: um resultado sistemático que o paradigma vigente não conseguia explicar adequadamente.

Apesar disso, muitos colegas reagiram com resistência, considerando ofensiva a sugestão de que médicos “matavam” pacientes por falta de higiene e desconfiando de uma proposta sem teoria microbiológica consolidada por trás.

Resistência paradigmática e “reflexo Semmelweis”

Esse tipo de reação ficou conhecido, em leituras posteriores, como “reflexo Semmelweis”: uma tendência a rejeitar novas ideias que desafiam crenças estabelecidas, independentemente da força da evidência.

Kuhn argumenta que a ciência, em períodos de ciência normal, opera dentro de um quadro conceitual compartilhado – um paradigma – que organiza problemas, métodos e critérios de solução aceitos pela comunidade.

No paradigma médico da época de Semmelweis, a febre puerperal era interpretada em termos de teorias miasmáticas, desequilíbrios internos e explicações pouco compatíveis com a noção de contaminação por microrganismos, ainda em gestação.

Assim, a evidência experimental de Semmelweis não apenas sugeria uma prática simples e eficaz, mas pedia uma reinterpretação profunda dos conceitos de doença, contaminação e responsabilidade profissional – e isso colidia com hábitos, prestígio e concepções enraizadas.

Semmelweis à luz de Kuhn: anomalia sem revolução imediata

Em A Estrutura das Revoluções Científicas, Kuhn descreve um ciclo em que:

  • Um paradigma se estabiliza e guia décadas de ciência normal.
  • Anomalias se acumulam: resultados persistentes que o paradigma não consegue explicar.
  • Em certo ponto, uma crise se instala e pode levar à emergência de um novo paradigma, numa revolução científica, mudando profundamente a forma de ver o mundo.

Semmelweis se insere historicamente entre os passos 2 e 3: ele identificou uma anomalia contundente (a queda da mortalidade devido a lavagem de mãos) e propôs uma prática que antecipava a futura teoria germinal das doenças, mas a comunidade médica ainda não estava pronta para abandonar seu paradigma.

Semmelweis não dispunha do arcabouço teórico que Pasteur, Lister e outros construiriam mais tarde; seus dados eram sólidos, porém “desencaixados” do sistema de crenças aceito, o que favoreceu que fossem vistos como incômodos, não como decisivos.

Paradigmas como estruturas sociais de crença

Kuhn enfatiza que paradigmas não são apenas teorias; são conjuntos de crenças, valores, técnicas, exemplos e práticas partilhadas por uma comunidade científica.

O que está em jogo, portanto, não é apenas “evidência contra teoria”, mas uma forma de vida científica: currículos, livros-texto, modos de treino, hierarquias e expectativas sociais sobre o que é ciência “respeitável”.

No caso de Semmelweis, aceitar suas conclusões implicava admitir erros graves em práticas consagradas e mexer com a autoridade de professores e hospitais de prestígio – algo que o paradigma social da medicina resistia fortemente.

A rejeição da proposta de lavagem de mãos, portanto, não pode ser explicada apenas pelo “desconhecimento”; ela revela como o paradigma vigente filtrava o que seria reconhecido como evidência válida e aceitável.

A revolução que veio depois

Somente décadas mais tarde, com o desenvolvimento da teoria microbiana das doenças, estudos de Pasteur sobre fermentação e contaminação e as práticas antissépticas de Lister, é que a comunidade médica passou por uma verdadeira “revolução paradigmática” em torno da higiene e da infecção.

Nesse novo paradigma, o gesto de Semmelweis passa a ser retrospectivamente reinterpretado como precocemente certo: sua anomalia ganha sentido, não porque os dados mudaram, mas porque a estrutura conceitual da medicina foi transformada.

Aqui aparece uma tese central de Kuhn: os dados não falam por si mesmos; eles são lidos à luz de um quadro conceitual, e mudanças profundas nesse quadro podem alterar, a posteriori, o valor atribuído a dados antigos.

Assim, Semmelweis funciona quase como personagem trágico dessa história: ele estava, em certo sentido, alinhado com o futuro paradigma, mas viveu num mundo ainda preso ao antigo.

Ciência, sofrimento e reconhecimento tardio

A trajetória de Semmelweis, que terminou em isolamento, sofrimento psíquico e morte em instituição psiquiátrica, mostra o custo humano que pode acompanhar conflitos paradigmáticos.

Enquanto Kuhn foca sobretudo nas estruturas intelectuais e sociais das revoluções científicas, casos como esse evidenciam que a ciência é feita por pessoas e que a recusa de uma inovação pode significar também recusa de um sujeito, com consequências existenciais.

Há um paradoxo aí: a ciência se apresenta como aberta à crítica e guiada por evidências, mas, na prática, a abertura é mediada por paradigmas que dão estabilidade e, ao mesmo tempo, dificultam a aceitação de resultados disruptivos.

O “reflexo Semmelweis” mostra que, em algumas circunstâncias, quanto mais uma descoberta desafia pressupostos profundos, mais forte tende a ser a resistência, mesmo quando os números são eloquentes.

Um olhar para o presente

Ler Semmelweis pela lente de Kuhn é um exercício útil para pensar o presente:

  • Em que áreas atuais, resultados robustos são ignorados ou minimizados porque não cabem bem nas crenças dominantes?
  • Quais práticas de pesquisa ou formação científica hoje reforçam muros paradigmáticos, em vez de abrir pontes para anomalias e vozes dissidentes?

Kuhn não oferece uma receita para evitar injustiças como a vivida por Semmelweis, mas sua análise ajuda a reconhecer que o progresso científico não é linear e que o reconhecimento de uma descoberta depende tanto de sua força empírica quanto da capacidade da comunidade de revisar seus próprios paradigmas.

Retomar episódios como o de Semmelweis é um lembrete ético: proteger a integridade da ciência não é apenas defender métodos; é também cuidar das pessoas que ousam questionar o consenso, e criar condições para que anomalias importantes sejam ouvidas antes que se tornem apenas histórias trágicas contadas a posteriori.

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Alguns referências  

  • https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12255899/
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Ignaz_Semmelweis
  • https://www.cbc.ca/radio/ideas/the-dirt-on-handwashing-the-tragic-death-behind-a-life-saving-act-1.5587319 
  • https://laskerfoundation.org/paradigm-shifts-in-science-insights-from-the-arts/
  • https://theconversation.com/ignaz-semmelweis-the-doctor-who-discovered-the-disease-fighting-power-of-hand-washing-in-1847-135528
  • https://www.cureus.com/articles/283961-pioneering-hand-hygiene-ignaz-semmelweis-and-the-fight-against-puerperal-fever   
  • https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-nocao-paradigma-pensada-por-thomas-kuhn.htm 
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Estrutura_das_Revolu%C3%A7%C3%B5es_Cient%C3%ADficas
  • https://www.pbs.org/newshour/health/ignaz-semmelweis-doctor-prescribed-hand-washing

terça-feira, 30 de junho de 2026

Conceitos Fundamentais: Erros, Incerteza, Precisão e Acurácia

Conceitos de Erros, Incerteza, Precisão e Acurácia

Na Física Experimental e na Matemática Aplicada, a medição e a aproximação numérica nunca são perfeitamente exatas. Compreender as fontes de desvios e como quantificá-los é crucial para validar qualquer modelo ou experimento.

1. Erro

Definição: É a diferença entre o valor medido (ou calculado por aproximação) e o valor verdadeiro (ou exato) de uma grandeza. Na prática, como o valor real exato muitas vezes é desconhecido, o erro é estimado em relação a um valor de referência aceito.

Exemplo: Se a aceleração da gravidade teórica local é 9,806 m/s² e um sensor em laboratório mede 9,780 m/s², a diferença entre esses valores constitui o erro da medição.

2. Tipos de Erros

Os erros de medição são classificados fundamentalmente em duas categorias principais de acordo com o seu comportamento:

  • Erros Sistemáticos: São desvios constantes ou que seguem uma lei matemática definida, afetando todas as medições sempre no mesmo sentido (para mais ou para menos). Geralmente decorrem de instrumentos descalibrados ou falhas no método.
    Exemplo: Uma balança que está descalibrada e marca sempre 50 gramas a mais em qualquer pesagem.
  • Erros Aleatórios (ou Estocásticos): São variações imprevisíveis e inevitáveis que ocorrem de forma bidirecional (para mais e para menos) ao repetir uma medição sob as mesmas condições. São causados por flutuações ambientais ou limitações intrínsecas de leitura do observador.
    Exemplo: Pequenas variações na leitura de um cronômetro digital ao medir o tempo de queda de um objeto devido ao tempo de reação humana a cada tentativa.

3. Erro Absoluto

Definição: É o módulo (valor positivo) da diferença entre o valor medido (x) e o valor verdadeiro ou de referência (xverdadeiro). Indica a magnitude exata do desvio nas mesmas unidades da grandeza medida.

Fórmula: Eabs = |x - xverdadeiro|

Exemplo: Na Matemática Aplicada, ao aproximar o número π (3,141592...) por 3,14, o erro absoluto cometido é |3,14 - 3,141592...| ≈ 0,001592.

4. Erro Relativo

Definição: É a razão entre o erro absoluto e o valor verdadeiro (ou de referência). Sendo uma grandeza adimensional, permite comparar a gravidade ou impacto do erro em escalas diferentes. É frequentemente expresso em percentagem (Erro Relativo Percentual).

Fórmula: Erel = Eabs / |xverdadeiro|

Exemplo: Se errar a medida de uma mesa em 1 cm (erro absoluto), o impacto é diferente se a mesa tiver 10 cm ou 100 metros. Para a mesa de 10 cm, o erro relativo é 1/10 = 10%. Para a mesa de 100 metros (10.000 cm), o erro relativo é 1/10.000 = 0,01%.

5. Erro Experimental

Definição: É o desvio total associado ao processo físico de medição em laboratório. Ele engloba a soma dos efeitos dos erros sistemáticos e aleatórios introduzidos pelos aparelhos, pelo operador e pelas condições do ambiente.

Exemplo: Ao realizar um experimento para determinar a resistência elétrica de um fio, o erro experimental total incluirá a resistência interna dos cabos do multímetro (sistemático) e a variação da temperatura da sala que altera a resistividade do material ao longo do dia (aleatório).

6. Erro Grosseiro (Blunder / Outlier)

Definição: É um erro de grande magnitude decorrente de uma falha humana óbvia, distração, mau funcionamento súbito do equipamento ou leitura totalmente incorreta da escala. Eles distorcem completamente os dados e devem ser identificados e descartados da análise estatística.

Exemplo: Anotar a temperatura de um líquido como 250°C em vez de 25,0°C por esquecer de colocar a vírgula decimal, ou ler o valor num instrumento olhando pelo ângulo totalmente invertido.

7. Incerteza

Definição: Ao contrário do "erro" (que foca na diferença para um valor ideal), a incerteza é um parâmetro estatístico que quantifica a dúvida sobre o resultado de uma medição. Ela define um intervalo ao redor do valor estimado dentro do qual há uma probabilidade confiável de se encontrar o valor verdadeiro.

Exemplo: Um relatório físico que aponta o comprimento de uma barra como (1,54 ± 0,02) metros. O "0,02 m" é a incerteza, indicando que o experimentador garante que o tamanho real está entre 1,52 m e 1,56 m.

8. Precisão

Definição: Refere-se à consistência, repetibilidade ou proximidade entre várias medições independentes da mesma grandeza obtidas sob as mesmas condições. Um sistema preciso apresenta baixa dispersão de dados (erros aleatórios pequenos), mesmo que esteja longe do valor real.

Exemplo: Um atirador que acerta cinco tiros exatamente no mesmo ponto de um alvo, mas todos no canto superior esquerdo, longe do centro. O conjunto de tiros foi altamente preciso.

9. Acurácia (ou Exatidão)

Definição: Indica o grau de proximidade entre o valor medido (ou a média de um conjunto de medições) e o valor verdadeiro ou aceito como padrão. Um sistema acurado possui erros sistemáticos muito baixos.

Exemplo: Se o valor padrão de uma massa é 1,000 kg e uma balança faz três medições que resultam em 0,999 kg, 1,001 kg e 1,000 kg, a média é exatamente 1,000 kg. Portanto, o instrumento demonstrou alta acurácia.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

As IAs Generativas Chinesas Mais Populares

As IAs Generativas Chinesas Mais Populares

O mercado chinês de inteligência artificial generativa cresceu vertiginosamente, com várias das suas tecnologias a alcançarem — e por vezes a superarem — os modelos ocidentais em benchmarks globais de programação, matemática e custo-benefício.

As IAs generativas chinesas mais populares e influentes dividem-se entre gigantes de tecnologia e startups unicórnios:

1. As Líderes Globais e Técnicas (Open-Weight/Open-Source)

Estas são as que ganharam imensa tração tanto na China como na comunidade global de desenvolvedores devido ao seu alto desempenho e modelos de código aberto.

  • DeepSeek (da DeepSeek AI): É um dos maiores fenómenos recentes da IA. Com os seus modelos de raciocínio lógico avançado e arquiteturas eficientes, a empresa revolucionou o mercado ao entregar capacidade de programação e matemática equivalente (ou superior) aos principais modelos proprietários ocidentais por uma fração minúscula do custo.
  • Qwen / Tongyi Qianwen (da Alibaba): A linha de modelos Qwen é desenvolvida pela gigante do e-commerce Alibaba. É considerada uma das melhores famílias de modelos abertos do mundo, brilhando especialmente em tarefas multilíngues, codificação avançada e agentes autónomos.
  • GLM / ChatGLM (da Zhipu AI / Z.ai): A Zhipu AI é uma das startups mais valiosas da China (frequentemente chamada de uma das "Novas Tigresas da IA" do país). Os seus modelos destacam-se frequentemente nos índices globais em tarefas de agenciamento de dados e código aberto.

2. As Campeãs de Popularidade e Uso Doméstico (Consumidor Final)

No mercado interno da China, as regras e a popularidade mudam, com aplicações focadas em buscas, redes sociais e produtividade.

  • Doubao (da ByteDance): Desenvolvido pela empresa dona do TikTok (e do Douyin, a versão chinesa), o Doubao tornou-se o assistente de IA mais utilizado na China, com centenas de milhões de utilizadores ativos. É extremamente popular pela sua integração nativa com ecossistemas de vídeo e preço agressivo para empresas.
  • Kimi (da Moonshot AI): Outra das grandes promessas da IA chinesa. A Moonshot AI ficou famosa pelo Kimi Chat, que liderou a corrida de contextos longos (capacidade de processar livros inteiros ou centenas de PDFs de uma só vez) através de arquiteturas altamente eficientes.
  • ERNIE Bot / Wenxin Yiyan (da Baidu): Sendo o "Google da China", a Baidu foi uma das primeiras a lançar um concorrente direto para os assistentes ocidentais. A linha de modelos ERNIE continua a ser um pilar massivo para buscas na web corporativa e governamental na China.
  • Yuanbao (da Tencent): O assistente da gigante dos ecossistemas de jogos e dona do WeChat. A sua grande vantagem de popularidade na China é a capacidade única de procurar informações e artigos diretamente dentro do ecossistema fechado do WeChat.

3. Menções Honrosas em Áreas Específicas

  • Kling (da Kuaishou): No campo da geração de vídeos por IA, o Kling tornou-se imensamente popular no mundo inteiro por rivalizar diretamente com as principais ferramentas ocidentais, gerando vídeos hiper-realistas com física consistente a partir de comandos de texto.
  • MiniMax: Muito popular entre o público jovem na China para a criação de avatares virtuais, chatbots de RPG e clonagem/dublagem de voz ultra-realista.

Você usa uma dessas IAs regularmente?

sábado, 27 de junho de 2026

Crônica de uma morte não anunciada --- Crônica Premiada no Festival de Produções Literárias e Artísticas do IFCE (FEPLAI).

Recebendo a premiação.
 

Mário Santos Souza acordou cedo, tomou um banho rápido, fez a barba – não foi fácil, a lâmina já estava gasta e arranhava o rosto. Conferiu o horário no celular velho: ainda tinha tempo para fazer um lanche rápido, mas preferiu permanecer em jejum e apenas bebeu um pouco de água. Precisava economizar o máximo que podia: estava desempregado e os parcos recursos já se esgotavam. Perder o emprego fora um duro golpe, algo que estava completamente fora de suas expectativas. A reestruturação da empresa onde trabalhava pegou vários trabalhadores experientes de surpresa. 

Procurou a roupa, os sapatos, as meias. Em poucos minutos estaria pronto para sair. Conferiu novamente o endereço. Iria participar de mais uma entrevista de emprego. Seria a terceira ou quarta neste mês. Não estava particularmente animado, mas tinha esperança que desta vez daria certo. Enquanto se aprontava, repassava mentalmente as possíveis perguntas que poderiam ser feitas. Ensaiava as respostas, não queria parecer inseguro ou hesitante como nas últimas entrevistas. Esse era o preço por passar muito tempo em um emprego: fica-se completamente enferrujado para enfrentar esses processos seletivos. Antes de sair de casa, fez uma breve oração, afinal nunca se sabe quais perigos se pode enfrentar fora de casa. 

Do outro lado da cidade, o jovem K. não teve uma boa noite de sono. Na verdade, nem chegou a dormir propriamente. Havia bebido muito, passado do limite e, mesmo assim, conseguido chegar em casa em seu carro. Milagrosamente, o velho Gol cinza estava intacto, apenas mal estacionado. 

Ao mesmo tempo, não muito longe dali, em outro plano, dois seres etéreos, Belial e Uriel, discutiam como seria o dia e o futuro de Mário e de K. Belial dizia: 

_ Tenho o direito de fazer o que eu quiser com esse Mário ou qualquer outro humano. Fui autorizado!
Uriel retrucou:
_ Você sabe que isso não é inteiramente verdadeiro. Você não foi proibido de interferir nas coisas terrenas, mas isso está muito longe de ser uma autorização formal para virar do avesso a vida de Mário ou de qualquer outra pessoa!
_ Você está falando igual a um advogado! E eu detesto advogados! Veremos se você é capaz de me impedir! Você também não tem nenhuma autorização especial, Uriel.
_ Você sabe que não podemos intervir no mundo deles. O destino deles não está em nossas mãos. Foi dado a eles o livre arbítrio, não lembra? O que te motiva Belial?
_ Você sabe que eu não tenho o direito de ser feliz. Se não me foi dado, por que deveria ser permitido a eles? 

E sumiu repentinamente. Uriel ficou só e pensativo. 

Completamente alheio a essa discussão, Mário se pôs a caminho. Teria que andar um pouco, esperar alguns minutos e pegar um coletivo, percorrer mais umas duas quadras e chegar ao local da entrevista que ficava no centro histórico da cidade. Pelos seus cálculos, chegaria uns 15 minutos antes do horário marcado. Tudo dentro do previsto, tudo humanamente calculado. 

Enquanto Mário estava iniciando sua jornada, do outro lado da cidade, K. despertou. Ele estava muito zonzo, com a boca seca, o mundo parecia girar e ondular. Pensou em dormir um pouco mais. Contudo, ouviu uma voz bem clara: é hora de levantar, pegue o carro, você tem um compromisso no centro velho da cidade. Se apresse! K. se levantou meio trôpego, viu a chave do carro no chão, perto do banheiro. Ele não ficou especulando do motivo da chave estar ali, apenas a buscou. Em dois minutos já estava acelerando o seu carro. No outro plano, Belial ria satisfeito. Seu esquema estava em andamento, mas ainda exigiria ajustes para funcionar completamente. 

Dentro do coletivo, pela janela Mário via passar vários carros grandes, até luxuosos com apenas o motorista. Isso não era injusto? Enquanto ele e seus colegas de viagem precisam se ajustar aos horários dos coletivos e, muitas vezes, andar apertados e desconfortáveis, alguns podiam muito e ostentavam luxo diariamente. Ele compreendia como o mundo funcionava, afinal eram mais de quarenta anos de vida com recursos exíguos. Quando jovem, tentou conciliar o trabalho com os estudos universitários. Não deu. Optou, ou melhor, o sistema o obrigou a optar pelo trabalho. Ele precisava ajudar a sustentar os irmãos mais novos, o pai havia se perdido no mundo, deixando apenas alguma mágoa e um vazio difuso.

Mário despertou desses pensamentos e percebeu que já estava quase no final de seu trajeto. Deu sinal e desceu no ponto planejado. Agora só faltava uma curta caminhada até o seu destino. Tudo dentro do prazo. Já eram quase sete horas e trinta minutos. Mário gostava de ser pontual e, em geral, era mesmo pontual. Esse era um dos seus pontos fortes, tinha que lembrar de falar isso durante a entrevista. Ele também pensou que seria bom enfatizar que a idade não era um ponto negativo, mas um tipo de comprovante de experiência acumulada. O tipo de experiência que não se adquire em uma faculdade ou conversando com uma dessas inteligências artificiais. 

Belial continuava seus sussurros e K. continuava dando ouvidos. Acelerar, reduzir, direita, esquerda, segue em frente ... K. agia como um autômato, sem ter consciência plena do que estava fazendo ou ver claramente para onde estava indo, pois a sua visão ainda estava meio turva. Apenas mantinha o carro acelerando sobre o asfalto, quase causando acidentes, mas seguindo fielmente os sussurros de Belial.
Mário estava prestes a atravessar a última rua. Estava na faixa de pedestre. O centro histórico estava calmo, as lojas ainda não estavam funcionando, somente as padarias. A cidade não era muito grande e acordava de forma lenta, espreguiçando-se longamente antes de entrar em um ritmo mais intenso. Ele olhou para os dois lados, não avistou nenhum carro vindo, começou a travessia tranquilo, imerso em seus pensamentos e no planejamento. O Sol brilhava pouco acima do horizonte. 

K. subitamente virou à esquerda, a claridade do Sol lhe prejudicou a visão, mesmo assim acelerou ainda mais. Acabou desviando-se excessivamente para a direita, a metade do carro subiu na calçada, sentiu um solavanco e um forte impacto. Um segundo barulho, seco, intenso, foi ouvido quase no mesmo instante. Ele havia atingido algo ou alguém. Em pânico, K. puxou o carro para fora da calçada e seguiu acelerando. A última coisa que ouviu foi ‘corre’. E K. correu o máximo que seu velho Gol permitia, sem pensar ou olhar para trás. Belial sorria discretamente. 

O corpo de Mário jazia imóvel, contorcido, encostado na parede de uma loja, bem próximo ao local da entrevista. Um último pensamento lhe atravessou a mente: “ ... eu estava tão perto, tão perto.” Populares, atônitos e incrédulos começaram a chegar, entre eles estava a pessoa que iria entrevistá-lo. A entrevista tão metodicamente planejada e desejada por Mário jamais ocorreria. 

Uriel fez o que estava autorizado a fazer: recebeu o espírito ainda atordoado de Mário no outro plano. 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Divulgando: CONNEPI 2026

 

Estão abertas as inscrições para o CONNEPI 2026, um dos maiores eventos de divulgação científica dos Institutos Federais. Todos que estão envolvidos com pesquisa e pós-graduação podem participar. Os trabalhos podem ser submetidos até o dia 10 de julho. 

As submissões devem ser feitas no formato de resumo expandido e precisam apresentar resultados de pesquisa ou inovação já obtidos. Todas as propostas aprovadas serão apresentadas presencialmente na modalidade pôster durante o congresso. O resultado final dos trabalhos aprovados será divulgado no dia 25 de agosto. 

Link para inscrições: aqui.  

 Sobre o Evento:

A XV edição do Congresso Norte-Nordeste de Pesquisa e Inovação (XV CONNEPI) acontecerá de 09 a 11 de dezembro de 2026, com organização do Instituto Federal do Ceará (IFCE), reunindo pesquisadores, estudantes, empreendedores e instituições.

Pela segunda vez em Fortaleza, o CONNEPI retorna promovendo uma experiência intensa de troca de conhecimento, conexões estratégicas e inspiração. A programação contará com apresentação de trabalhos científicos, Mostra Tecnológica, Desafio de Ideias, palestras, mesas-redondas e Mostra Cultural, integrando ciência, criatividade e impacto social em um mesmo espaço.

O CONNEPI consolidou-se como um ambiente estratégico para o fortalecimento da pesquisa aplicada, da inovação e da colaboração entre instituições públicas, privadas, empresas e empreendedores.

Mais do que um congresso acadêmico, o CONNEPI é um catalisador de transformação. Muitos dos projetos apresentados ultrapassam os muros das instituições e chegam ao setor produtivo, impulsionando soluções concretas para os desafios do Brasil e contribuindo diretamente para a melhoria da vida das pessoas.

Fortaleza será, mais uma vez, o palco onde ideias se conectam, parcerias nascem e o futuro começa a ser construído.

Prepare-se para viver o CONNEPI 2026.

Mais informações: aqui.  

#Pesquisa #IFCE #CONNEPI  

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Matemática com IAs Generativas

Alternativas Gratuitas ao Math-GPT para Matemática Avançada

O math-gpt.org realmente se destaca por combinar modelos de linguagem com processamento matemático. No entanto, para matemática avançada (cálculo multivariável, álgebra linear, equações diferenciais, análise real e física matemática), existem outras excelentes ferramentas de IA e computação que possuem camadas gratuitas robustas.

As melhores alternativas estão listadas abaixo, divididas por categoria de funcionamento:

1. Motores Computacionais Puros (Os mais confiáveis)

Diferente de IAs generativas tradicionais (que às vezes "alucinam" ou erram contas por trabalharem com previsão de texto), estas ferramentas usam algoritmos exatos e sistemas de álgebra computacional (CAS).

  • Wolfram|Alpha: É o padrão ouro para qualquer estudante de exatas ou pesquisador. Ele não tenta adivinhar a resposta; ele computa usando o motor do Mathematica.
    • O que faz no gratuito: Resolve limites, derivadas, integrais complexas, matrizes e equações diferenciais, gerando os gráficos e o resultado exato.
    • Limitação do gratuito: O passo a passo detalhado (step-by-step) é limitado ou exige assinatura, mas para validar respostas avançadas e gerar gráficos, é imbatível.
  • Symbolab: Excelente focado em álgebra computacional e cálculo avançado.
    • O que faz no gratuito: Resolve uma gama enorme de problemas de cálculo e matrizes e, diferentemente de outros, costuma mostrar os primeiros passos da resolução de graça.

2. Especialistas em Matemática Baseados em IA

Estas são plataformas que utilizam modelos LLM tunados especificamente para a linguagem matemática, de forma muito similar ao math-gpt.

  • Mathos AI (antigo MathGPTPro): Um dos concorrentes mais diretos e avançados do math-gpt.org. Ele possui modelos treinados especificamente para entender notações matemáticas complexas e fórmulas acadêmicas.
    • O que faz no gratuito: Permite que você digite ou faça o upload de imagens/PDFs de problemas de nível universitário, oferecendo resoluções e explicações contextualizadas.
  • Thetawise (thetawise.ai): Uma IA em crescimento focada em matemática de nível superior e olimpíadas. É excelente para entender conceitos abstratos e demonstrar teoremas, indo além da simples aritmética.
  • Microsoft Math Solver: Embora seja muito associado à matemática escolar, o motor da Microsoft lida surpreendentemente bem com cálculo integral/diferencial básico e intermédio, além de álgebra linear, oferecendo gráficos e resoluções passo a passo totalmente gratuitas (além de vídeos explicativos associados ao problema).

3. Modelos de Linguagem Gerais (Com Code Interpreter)

Se você preferir usar IAs de chat tradicionais, o segredo para matemática avançada é garantir que elas usem execução de código (como Python) em segundo plano para validar os cálculos.

  • ChatGPT (OpenAI - Versão Gratuita): Na versão gratuita atual, o ChatGPT tem acesso à análise de dados avançada (Advanced Data Analysis). Quando você envia um problema de cálculo, ele escreve um script em Python (usando bibliotecas como SymPy ou NumPy), executa-o internamente e devolve a resposta exata.
  • Perplexity AI (Modo Focus: Academic / Writing): Ótimo se o seu problema matemático envolver pesquisa de teoremas ou artigos científicos. Ele busca na web e em bases acadêmicas para ajudar a estruturar provas matemáticas e demonstrações.

Resumo: Qual escolher?

  • Se você quer certeza absoluta no cálculo e gráficos perfeitos: Vá de Wolfram|Alpha.
  • Se quer uma alternativa direta ao math-gpt para subir imagens de exercícios universitários: Vá de Mathos AI ou Thetawise.
  • Se quer conversar sobre a teoria por trás de um teorema complexo: Use o ChatGPT.

sábado, 20 de junho de 2026

Minha primeira orientação de doutorado concluída

 

Defesa de Tese de Doutorado

Data: 19 de junho de 2026

Local: Auditório - Bloco da Pós-Graduação - IFCE / Fortaleza

Discente

Italândia Ferreira de Azevedo

Título da Tese

“Diálogos sobre o ensino da Álgebra no processo de transição do 5º para o 6º ano do Ensino Fundamental: tomada de consciência dos professores que ensinam Matemática”

Orientação Concluída 

Tenho a satisfação de informar que atuei como Orientador desta tese, com a valiosa colaboração da coorientadora Profa. Dra. Maria José Costa dos Santos.

Esta defesa marca a conclusão da minha primeira orientação de doutorado, um momento especialmente significativo na minha trajetória acadêmica.

Banca Examinadora

  • Profa. Dra. Francisca Helena de Oliveira Holanda (IFCE)
  • Profa. Dra. Elsa Maria de Figueiredo Isabelinho Domingues Barbosa (Universidade de Évora/Portugal)
  • Prof. Dr. Cleidivan Alves dos Santos (UFDPar)
  • Prof. Dr. Wendel Melo Andrade (SEDUC/CE)

Agradecimentos

Agradeço profundamente a todos os membros da banca pela leitura cuidadosa, pelas contribuições críticas, sugestões valiosas e pelo rico diálogo realizado durante a defesa. Suas observações enriqueceram significativamente o trabalho. 

Meu sincero reconhecimento à professora Maria José Costa dos Santos pelo seu grande suporte e trabalho de orientação ao longo de todo esse processo.

Meu sincero agradecimento à (agora) doutora Italândia Ferreira de Azevedo pela dedicação, comprometimento e excelência ao longo de todo o processo de doutoramento.Muitos desafios foram superados nesses últimos quatro anos. 

Francisco José Alves de Aquino
Orientador

Comparando os métodos de Runge-Kutta de baixa ordem (RK-2, RK3 (A, B e C) e RK4)

Comparação entre RK2, RK3 e RK4

Os métodos de Runge-Kutta são uma das técnicas numéricas mais populares para resolver Equações Diferenciais Ordinárias (EDOs) da forma:

\( y' = f(t, y), \quad y(t_0) = y_0 \)

Por que usar Runge-Kutta?

Eles permitem obter alta precisão sem calcular derivadas de ordem superior, avaliando a função \(f(t,y)\) em vários pontos dentro de cada passo \(h\).

Comparação dos Métodos

Método Ordem Estágios Erro Local Erro Global Custo Computacional
RK2 (Heun, Midpoint...) 2 2 O(h³) O(h²) Baixo
RK3 3 3 O(h⁴) O(h³) Médio
RK4 Clássico 4 4 O(h⁵) O(h⁴) Alto

Fórmulas dos Métodos

1. Runge-Kutta de 2ª Ordem (Método de Heun)

k₁ = f(tₙ, yₙ)
k₂ = f(tₙ + h, yₙ + h k₁)
yₙ₊₁ = yₙ + (h/2)(k₁ + k₂)
    

2. Runge-Kutta de 3ª Ordem (um deles, talvez o mais usado)

k₁ = f(tₙ, yₙ)
k₂ = f(tₙ + h/2, yₙ + (h/2)k₁)
k₃ = f(tₙ + h, yₙ - h k₁ + 2 h k₂)
yₙ₊₁ = yₙ + (h/6)(k₁ + 4k₂ + k₃)
    

3. Runge-Kutta de 4ª Ordem (Clássico)

k₁ = f(tₙ, yₙ)
k₂ = f(tₙ + h/2, yₙ + (h/2)k₁)
k₃ = f(tₙ + h/2, yₙ + (h/2)k₂)
k₄ = f(tₙ + h, yₙ + h k₃)
yₙ₊₁ = yₙ + (h/6)(k₁ + 2k₂ + 2k₃ + k₄)
    

O RK4 continua sendo o método mais usado devido ao excelente equilíbrio entre precisão e simplicidade. O RK2 é útil quando velocidade é prioritária, enquanto o RK3 serve como um meio-termo. O código Scilab a seguir mostra uma comparação prática entre os métodos. São usados 3 RK-3. O valor do passo tem forte influência na acurácia dos métodos. No código Scilab foi incluída a extrapolação de Richardson para melhorar ainda mais o resultado do RK-4. 

Implementação em Scilab:

clc; close(winsid());

function r=ff(t) // função
      // r = exp(-t).*(1 + t.*t);   //y(t)
      r = t.*t.*exp(-t).*cos(3*t);
endfunction

function r=gg(t, y) // derivada
     // r = -y + 2*t.*exp(-t);    // y' = -y + 2texp(-t)
     r = 2*t.*exp(-t).*cos(3*t)-y-3*t.*t.*exp(-t).*sin(3*t);
endfunction

function r=rk2(t, y, h) // RK-2
    k1 = h*gg(t,y);
    k2 = h*gg(t+h,y+k1);
    r = y + (k1+k2)/2;
endfunction

function r=rk3A(t, y, h) // RK-3A
    k1 = h*gg(t,y);
    c2 = 2/3;
    c3 = 2/3;
    a32 = 1;
    a31 = -1/3;
    k2 = h*gg(t+h*c2,y+k1*c2);
    k3 = h*gg(t+h*c3,y+k2*a32+k1*a31);
    r = y + (k1+2*k2+k3)/4;
endfunction
 
function r=rk3B(t, y, h) // RK-3B
    k1 = h*gg(t,y);
    k2 = h*gg(t+h/2,y+k1/2);
    k3 = h*gg(t+h,y-k1+2*k2);
    r = y + (k1+4*k2+k3)/6;
endfunction

function r=rk3C(t, y, h) // RK-3C
    k1 = h*gg(t,y);
    c2 = (15-sqrt(5))/24;
    c3 = (5+sqrt(5))/8;
    a32 = (15+sqrt(5))/11;
    a31 = (-65+3*sqrt(5))/88;
    k2 = h*gg(t+h*c2,y+k1*c2);
    k3 = h*gg(t+h*c3,y+k2*a32+k1*a31);
    r = y + (k1+3*k2+k3)/5;
endfunction

function r=rk4(t, y, h) // RK-4
    k1 = h*gg(t,y);
    k2 = h*gg(t+h/2,y+k1/2);  
    k3 = h*gg(t+h/2,y+k2/2);
    k4 = h*gg(t+h,y+k3);
    r = y + (k1+2*(k2+k3)+k4)/6; // RK-4
endfunction

t = 0; h = 0.05;
y = ff(t);
y2 = y; y3a = y; y3b = y; y3c = y; 
y4 = y; y42 = y; y4m = y;
vy2 = [];
vy3a = [];
vy3b = [];
vy3c = [];
vy4 = [];
vy42 = [];
vy4
while t<5
    vy2 = [vy2, y2];
    vy3a = [vy3a, y3a];
    vy3b = [vy3b, y3b];
    vy3c = [vy3c, y3c];
    vy4 = [vy4, y4];
    vy42 = [vy42, y42];
    
    y2 = rk2(t,y2,h);
    y3a = rk3A(t,y3a,h);
    y3b = rk3B(t,y3b,h);
    y3c = rk3C(t,y3c,h);
    y4 = rk4(t,y4,h);
    y42 = rk4(t,y42,h/2); /// passo h/2
    y42 = rk4(t+h/2,y42,h/2);  /// passo h/2
    t = t + h;
end

vy4m = (vy42*16-vy4)/15; // Extrapolação de Richardson

tempo = 1:max(size(vy4));
tempo = tempo - 1; tempo = tempo*h;

ya = ff(tempo);  // função analítica
title('Função no tempo e soluções numéricas');
plot(tempo,ya,tempo,vy2,tempo,vy3a,tempo,vy3b,tempo,vy4);

// erros:
e2 = abs(vy2-ya);   e2L = log10(e2(2:$));
e3a = abs(vy3a-ya); e3aL = log10(e3a(2:$));
e3b = abs(vy3b-ya); e3bL = log10(e3b(2:$));
e3c = abs(vy3c-ya); e3cL = log10(e3c(2:$));
e4 = abs(vy4-ya);   e4L = log10(e4(2:$));
e4m = abs(vy4m-ya);   e4Lm = log10(e4m(2:$));
figure; 
plot(tempo,e2,tempo,e3a,tempo,e3b,tempo,e3c,tempo,e4,tempo,e4m);
legend('Erro 2','Erro 3A','Erro 3B','Erro 3C','Erro 4','Erro 4 m');
title('Erros, h ='+string(h));

figure; 
tp = tempo(2:$);
plot(tp,e2L,tp,e3aL,tp,e3bL,tp,e3cL,tp,e4L,tp,e4Lm);
title('Erros em escala Log, h ='+string(h));
legend('Erro 2','Erro 3A','Erro 3B','Erro 3C','Erro 4','Erro 4 m',3);

 Resultados gráficos:


 

Elon Musk: Primeiro Trilionário

Concentração de Renda, Desigualdade Social e o Futuro da Democracia

Concentração de Renda, Desigualdade Social e Democracia: O Primeiro Trilionário em Tempos Recentes

Em junho de 2026, Elon Musk tornou-se o primeiro trilionário do planeta, impulsionado pelo IPO (Initial Public Offering, ou em português, Oferta Pública Inicial) da SpaceX, que elevou sua fortuna para cerca de US$ 1,1 trilhão. Esse marco simbólico coloca em evidência um fenômeno global: a extrema concentração de renda. Enquanto um indivíduo acumula riqueza equivalente ao PIB de dezenas de países, bilhões enfrentam estagnação salarial, precariedade e dificuldade de acesso a moradia, saúde e educação. Mas o que isso significa para a democracia?

A Perspectiva da Esquerda: Desigualdade como Ameaça Existencial

Thomas Piketty, um dos principais economistas contemporâneos de orientação progressista, argumenta em obras como *O Capital no Século XXI* que, quando a taxa de retorno do capital (r) supera o crescimento econômico (g), a desigualdade tende a aumentar de forma estrutural. A riqueza se concentra nas mãos de quem já a possui, gerando uma plutocracia que captura o processo político. Para Piketty, a desigualdade não é mera consequência do mercado, mas uma construção política e histórica que mina a igualdade de direitos democráticos. Sem intervenção forte — como tributação progressiva sobre riqueza e herança —, a democracia se torna formal, enquanto o poder real fica nas mãos de poucos.

Estudos empíricos reforçam essa visão: alta desigualdade reduz a confiança nas instituições, diminui a participação política dos mais pobres e aumenta a polarização, abrindo caminho para populismos autoritários de esquerda ou direita.

A Perspectiva da Direita: Incentivos, Liberdade e Crescimento

Pensadores liberais clássicos como Friedrich Hayek e Milton Friedman oferecem contrapontos importantes. Para Hayek, a desigualdade é inerente a uma sociedade livre baseada no mercado, que funciona como um processo de descoberta. A concentração de riqueza recompensa inovação, risco e talento, gerando prosperidade geral. Intervenções redistributivas excessivas, segundo ele, levam ao caminho da servidão, concentrando poder no Estado e destruindo liberdades individuais.

Friedman argumentava que o capitalismo, apesar das desigualdades, é o sistema que mais reduziu a pobreza absoluta na história. A mobilidade social e o crescimento econômico beneficiam os mais pobres mais do que qualquer redistribuição forçada. Críticos de esquerda seriam ingênuos ao ignorar que tentar igualar resultados inevitavelmente prejudica os incentivos que geram a própria riqueza.

O Debate na Timeline do X

Na rede social X, as reações ao primeiro trilionário são polarizadas. Alguns usuários destacam o poder político e influência excessiva que acompanha tal fortuna, questionando se um indivíduo com recursos ilimitados pode distorcer o debate público e as instituições democráticas. Outros defendem que a inovação de Musk (veículos elétricos, espaço, IA) justifica a recompensa e que o problema real não é a riqueza, mas o uso do poder estatal para favorecer ou punir bilionários. Críticas à "concentração de renda" coexistem com celebrações do capitalismo de risco americano.

Nota histórica: super ricos 'antigos'

Elon Musk é o primeiro trilhonário conhecido, e não há evidência consistente de que alguém no passado tenha atingido patrimônio equivalente a um trilhão de dólares atuais. Listas históricas de pessoas mais ricas (como Rockefeller, Carnegie, imperadores e monarcas) ajustam a riqueza à inflação e/ou ao tamanho da economia, e mesmo assim esses valores ficam na casa de centenas de bilhões, não trilhões, em dólares atuais. John D. Rockefeller, muitas vezes citado como o “mais rico da história” em termos modernos, atinge algo como 600–700 bilhões de dólares atuais, dependendo da metodologia, ainda abaixo de 1 trilhão. Outros nomes frequentemente citados (Mansa Musa, Augusto, grandes imperadores) são tão difíceis de avaliar em termos monetários modernos que as estimativas variam enormemente, e os historiadores costumam falar em “riqueza incalculável”, não em números concretos e comparáveis a um trilhão de dólares. Muitos desses personagens históricos controlavam uma fração enorme da economia do seu tempo (por exemplo, percentuais relevantes do PIB de seus países ou impérios), o que os tornava, em termos relativos, tão ou mais poderosos economicamente que os bilionários atuais. Porém, isso não significa que seus patrimônios, convertidos a dólares de hoje, cheguem a 1 trilhão; as estimativas sérias que existem param antes desse patamar.

Uma Crítica Equilibrada

A existência de um trilionário não é, por si só, o fim da democracia. No entanto, quando a desigualdade extrema se alia à captura regulatória, ao financiamento de campanhas e à influência midiática, o risco de erosão democrática se torna real. A direita tem razão ao alertar contra o igualitarismo que mata a inovação e a liberdade. A esquerda acerta ao apontar que, sem contrapesos, o capitalismo pode gerar oligarquias incompatíveis com a igualdade de oportunidades e de voz política.

A solução não está em abolir o mercado ou em taxar punitivamente todo sucesso, mas em fortalecer instituições que garantam concorrência real, meritocracia aberta, educação de qualidade universal e um sistema tributário que incida sobre riqueza acumulada sem destruir incentivos. Democracia exige não só liberdade econômica, mas também capacidade real de participação. Ignorar a concentração extrema de poder econômico é arriscar que a "regra da maioria" se torne mera formalidade.

O primeiro trilionário é um símbolo de possibilidades humanas (ou das injustiças sociais em escala global) — e de desafios urgentes. Cabe à sociedade, através do debate honesto e sem dogmas, encontrar o equilíbrio entre prosperidade e coesão social.

Nota de Transparência: Este texto foi gerado com o auxílio do Grok (xAI), com base no prompt: "Concentração de renda, desigualdade social e democracia. Temos hoje o primeiro trilionário no planeta. Escreva um texto crítico com esse tema. Consulte pensadores de direita e da esquerda sobre esse tema. Veja também o que diz a timeline do 'x'." e na solicitação de reformatação em HTML. O conteúdo reflete análise equilibrada a partir de fontes consultadas. A nota histórica foi escrita com o auxílio do Perplexity.ai.
#Reflexão #Pensamento