quinta-feira, 4 de março de 2021

Pandemia no Brasil: quantos irão morrer de covid?

 

Com o grande aumento no número de mortes por covid no Brasil surge "naturalmente" uma pergunta: quantos mais irão morrer até o fim da pandemia?! Não temos, ninguém tem, uma resposta para essa pergunta. Mas podemos fazer uma estimativa muito assustadora: um milhão de brasileiros terão como causa do óbito o novo corona vírus até meados de 2022. Até o final deste ano de 2021 teremos mais de 600 mil mortos. 

Espero que essas minhas estimativas estejam exageradas, mas temos os seguintes fatos (ou, pelo menos, prováveis fatos) que as sustentam: 

  • pandemia não vai acabar este ano no Brasil (nem no mundo);
  • estão surgindo novas variantes do vírus que são mais transmissíveis e ainda mais letais;
  • nossa indisciplina congênita e a falta de um comando centralizado ajudam a espalhar cada vez mais o vírus.
  • a vacinação está ocorrendo em uma velocidade muito baixa, faltam vacinas e logística ainda está meio perdida; e
  • estamos no final da fila para compra de vacinas. 

O cenário é, sem dúvida, de preocupação e desafiador, mas se todos (população, governos locais e federal) fizerem a sua parte, o custo em termos de vidas humanas será menor do que essas previsões.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Divulgando: Mais de 100 pesquisadores da UFSC assinam carta com 10 recomendações para acabar com a pandemia


Um documento com mais de 100 assinaturas de professores e pesquisadores da UFSC foi divulgado nas mídias sociais e imprensa catarinense nesta quinta-feira, 25 de fevereiro. Intitulado “Os 10 Pontos Necessários para Acabar com a Pandemia Segundo Pesquisadores e Professores da UFSC”, o documento apresenta um chamado à sociedade para que reflita sobre a necessidade de cumprir algumas medidas necessárias para evitar “um retrocesso de difícil reparação nos sistemas de saúde e educação, ou no desenvolvimento humano, econômico e social”.

A carta conclui salientando a necessidade de “mudança da postura nacional de enfrentamento da pandemia, para não sermos todos cúmplices históricos por naturalizar no século 21 um novo holocausto”. A publicação foi assinada por 104 cientistas, de diversos Centros de Ensino da UFSC.

Conheça abaixo os 10 pontos e os argumentos dos cientistas da UFSC:

1. AINDA NÃO É POSSÍVEL DESENVOLVER AS ATIVIDADES COTIDIANAS COMO DE COSTUME. Continuamos perante um evento excepcional de alteração da saúde pública, por doença altamente contagiosa e com um percentual significativo de casos que evoluem para formas graves ou mortais, sem precedentes nos últimos 100 anos.

2. AS RECOMENDAÇÕES DE DISTANCIAMENTO SOCIAL, USO DE MÁSCARAS, HIGIENE DAS MÃOS E VENTILAÇÃO DOS AMBIENTES SÃO AS ÚNICAS COMPROVADAMENTE EFICAZES. Os pesquisadores alertam que a pandemia se mantém pela nossa incapacidade individual e coletiva de cumprir com as quatro recomendações de prevenção, conhecidas desde o início. Reforçam que as máscaras devem cobrir completamente as entradas e saídas de ar do rosto e que as recomendações devem envolver a todos – governos, empresas e sociedade civil.

3. LIBERAR ATIVIDADES SEM FISCALIZAÇÃO DO CUMPRIMENTO DE NORMAS PREVENTIVAS CONDUZ À PIORA INEVITÁVEL DA PANDEMIA, E CONSEQUENTEMENTE DOS SEUS EFEITOS ECONÔMICOS. O vírus tem apresentado características sem precedentes de transmissibilidade incrementada, o que resultará no colapso de nosso sistema de atendimento à saúde e num aumento também sem precedentes do número de mortes. Essas medidas, explicam os docentes, ao invés de minimizar os efeitos econômicos da pandemia, terão os efeitos contrários, pois levarão inevitavelmente a uma extensão do período pandêmico a elevação potencial de sua severidade e de todas as suas consequências negativas. Os países que sofreram quedas menores no seu PIB foram, na sua maioria, aqueles que colocaram em prática medidas muito mais rígidas de contenção do espalhamento da infecção, mas por períodos mais curtos de tempo, e conseguiram dessa forma manter janelas temporais de quase-normalidade, nas quais os cidadãos conseguiram retomar todas as atividades reprimidas durante os outros períodos.

4. O USO DE MÁSCARA EFICIENTE E BEM AJUSTADA DEVE SER EXIGIDO EM TODOS OS ESPAÇOS PÚBLICOS, E A FISCALIZAÇÃO DEVE SER AMPLA E GARANTIDA. Os pesquisadores da UFSC citam o egoísmo sistemático de pessoas. Salientam que é comum observar pessoas não pertencentes a grupos de risco se achando isentas de responsabilidade com os outros, fazendo questão de mostrar que não seguem as normas de prevenção em nome de uma suposta liberdade individual.  “Não podemos ignorar a ignorância dos outros, devemos explicar isto a quem ainda não entendeu. Reforçamos que os profissionais da saúde estão entre os grupos mais impactados por esta pandemia. Além do prejuízo à sua saúde física, adiciona-se o comprometimento da saúde emocional, que influi no desenvolvimento de suas atividades, como o combate da própria pandemia. A falta de compromisso de todos na contenção da infecção sobrecarrega além do necessário a estes colegas, fundamentais para a saúde de todos nós.”

5. QUALQUER ATIVIDADE LABORAL OU ECONÔMICA SOMENTE PODERÁ VOLTAR À NORMALIDADE QUANDO TIVERMOS CONSEGUIDO CONTROLAR A TRANSMISSÃO DA PANDEMIA. Antes desse controle, ressalta o documento, não haverá normalidade, pois não será possível conviver sem preocupações adicionais pela saúde.

6. A VOLTA DAS AULAS PRESENCIAIS DEVE SER REVISTA E ADIADA ATÉ QUE O CONTROLE DO PROCESSO PANDÊMICO/EPIDÊMICO ESTEJA CONSOLIDADO.  Os professores se posicionam contrários às atividades presenciais de ensino. Alegam que é falso que as crianças não se infectam, e afirmam que as crianças podem transmitir o vírus. “Todas as publicações científicas têm mostrado repetidamente que o convívio social delas permite essa transmissão, e indivíduos de qualquer idade podem ser infectados”. Os pesquisadores acreditam que o retorno de atividades escolares presenciais, apesar de muito necessárias, “precisam diminuir o contato com adultos ou com outras crianças que não pertençam ao núcleo familiar”. Os especialistas acreditam que “para conseguir isto não existe fórmula possível que não envolva a diminuição do número de indivíduos ou o aumento do tamanho dos locais onde se fazem as atividades, e simultaneamente a diminuição das taxas de transmissão atuais no resto de cidadãos”. O curso de Pedagogia da UFSC, por meio do Núcleo Docente Estruturante e Colegiado, manifestou-se em solidariedade aos/às trabalhadores/as em educação de Santa Catarina e do Brasil por meio de um manifesto no dia 24 de fevereiro.

7. AS VERDADEIRAS FORMAS PREVENTIVAS DE COMBATE À PANDEMIA DEVEM SER PRIORIZADAS E AMPLAMENTE DIVULGADAS. Os pesquisadores afirmam que é um erro grave pensar que aumentar o número de leitos hospitalares de uma região é uma medida de prevenção. “A manipulação do número de leitos como forma de combate à pandemia favorece a manutenção de uma elevada parcela da população infectada pelo vírus elevando as chances de mutações e surgimento de novas variantes que podem impor maior transmissibilidade e severidade para um processo pandêmico que já é gravíssimo”. Os cientistas salientam que é preciso uma campanha de comunicação nacional sobre quais medidas são cientificamente comprovadas.

8. NÃO HÁ DEMONSTRAÇÕES CIENTÍFICAS DE TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS CONTRA A COVID-19, SEJAM ELES PREVENTIVOS OU CURATIVOS. O que existe hoje são tratamentos de suporte para tentar reverter a patologia grave quando esta se apresenta, dizem os pesquisadores, lembrando que o Estado não pode agir com base em crenças ou opiniões, pois suas responsabilidades, caso venham a ser cobradas, precisam de bases de defesa sólidas e estudos científicos.

9. A ÚNICA TERAPIA PROFILÁTICA CIENTIFICAMENTE COMPROVADA CONTRA A DOENÇA É A VACINA. Os cientistas lembram que apesar do avanço científico, “todos nós sentimos uma clara falta de  planejamento e de comunicação adequada por parte do Ministério da Saúde (autoridade competente para esclarecer estes itens) sobre os benefícios reais destas vacinas, seguras e protetoras, em particular contra os efeitos mais indesejáveis da doença”. Ressaltam que há quase 200 milhões de doses de vacinas aplicadas no mundo, com pouquíssimos eventos adversos de maior gravidade. Sobre as vacinas ainda salientam que:

“1) Deve ser retirado das vacinas qualquer viés político-partidário, e elas devem de ser adotadas pelo Plano Nacional de Imunização, por este ter experiência demonstrada para controle e distribuição eficientes, assegurando a sua distribuição equitativa aos cidadãos;

2) O governo federal deve cumprir suas obrigações constitucionais e promover uma vacinação ordeira, rápida e irrestrita. Podemos e devemos cada um contribuir para que isso aconteça.

3) Devemos TODOS estar cientes de que a vacinação não significa um passaporte de isenção da doença. Assim, uma vez vacinados ainda poderemos transmitir a doença se pegarmos o vírus, e por isso devemos continuar com as medidas fundamentais: uso de máscaras eficientes, distanciamento social, ventilação dos ambientes e higienização de mãos, até conseguir que pelo menos 70-90% da nossa população seja vacinada”.

10. É NECESSÁRIO QUE O BRASIL VOLTE A INVESTIR EM CIÊNCIA DE FORMA SÓLIDA E CONTÍNUA. “A falta de investimento dos últimos anos fez com que o Brasil não tenha sido capaz até hoje de aprovar a sua primeira vacina (o único país dos BRICS que está nesta situação) apesar de ter cientistas e instituições capacitados para isso.”

Link:

https://noticias.ufsc.br/2021/02/mais-de-100-pesquisadores-da-ufsc-assinam-carta-com-10-recomendacoes-para-acabar-com-a-pandemia/

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Divulgando: Tech Women Paper Contest 2021





INSCREVA SEU TRABALHO CIENTÍFICO

Prezado professor,

Gostaria de contar com a sua ajuda para divulgar um concurso de papers exclusivamente para o público feminino, queremos unir mulheres do Brasil inteiro, mas para isso, precisamos de muita ajuda, e gostaria de contar com você.

O Tech Women Summit trará para o público 5 trilhas de conhecimento com palestrantes de renome em suas áreas, todas mulheres, para dar voz e inspirar milhares de outras mulheres. Além disso nosso evento inclui, como falei antes, um concurso de papers (Tech Women Paper Contest) para mestres e doutoras com o tema "Soluções e Inovações de Tecnologia em Sustentabilidade", uma feira de Startups de liderança feminina, uma feira de carreiras e uma Expo Business.

As inscrições para o Tech Women Paper Contest 2021 foram 2021 estão abertas até 19 de março. O concurso é exclusivo para mulheres autodeclaradas, brasileiras e naturalizadas, e tem o objetivo de estimular e conectar pesquisadoras, empresas e investidores, a fim de desenvolver ações inovadoras para as pessoas e a sociedade.

O Tech Women Paper Contest também visa enaltecer e valorizar o trabalho de mestras e doutoras no campo científico e tecnológico para serem inspiração para mais mulheres. A edição deste ano terá como tema “Soluções e Inovação de Tecnologia em Sustentabilidade” e distribuirá R$ 9 mil em prêmios, divididos entre as categorias: mestrado e doutorado.

Observações: As candidatas que desejam participar do concurso podem estar em fase final de apresentação de seus trabalhos de mestrado ou doutorado ou tê-los defendidos até dois anos antes da data de abertura do edital deste concurso. A avaliação dos trabalhos será feita por mestras e doutoras do Comitê Científico.

A participação e inscrição do concurso é gratuita. Mais informações no site: www.techwomensummit.com.br/tech-women-paper-contest/

O evento conta com o patrocínio da FAPERJ e apoio institucional do IFRJ, entre outros.

Segue um link com um folheto falando sobre o evento: https://drive.google.com/file/d/1V-bfcMB-iZ8AC4fHHUWb9BtFIsxGAoNE/view?usp=sharing

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Razão x fé x teísmo x ateísmo em dois livros - dicas de leitura


As relações entre fé, religião, razão, política e vida prática podem ser problemáticas. Em alguns lugares pessoas morrem e matam por causa da fé ou por causa da religião que seguem ou deixam de seguir. O mundo é um ambiente muito plural e diversas tradições religiosas muito diversas existem. Algumas pessoas, entretanto, preferem não seguir religião alguma e, algumas vezes de forma bem clara, negam a existência de Deus. Contudo, o diálogo entre um crente e um não crente não só é possível, mas também é necessário. Nos livros "Crer ou não crer: uma conversa sem rodeios entre um historiador ateu e um padre católico" e "Em que crêem os quais não crêem? Um diálogo sobre a ética no fim do milênio" tem exemplos desses diálogos. Em "Crer ou não crer" o diálogo é realmente na forma de uma longa conversa, já "Em que crêem os quais não crêem?" não existe propriamente um diálogo, mas trocas de cartas que discutem vários tópicos de religião. São diálogos respeitosos e sem a intenção de um converter o outro. Vale pelo aprendizado e pela discussão de temas polêmicos sob pontos de vista bem diferentes. 
 
Isso tudo me faz lembrar da seguinte regra de fé de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: 11 Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde, ou o que desejarem.


Um trecho do debate entre Fábio de Melo e Leandro Karnal:

Karnal: Não é possível ser budista e católico.
Padre Fábio: Justamente! Eu posso até dizer, como cristão, que encontrei na reflexão budista aspectos que me favorecem crescer na minha vida cristã. Há ensinamentos que se encontram. Conheço católicos que descobriram na meditação uma técnica de concentração que facilita a reflexão que fazem diariamente do Evangelho. Veja bem, não estamos falando de teologia. É uma prática ritual, um caminho que facilita o voltar-se para dentro, o chegar a si. Agora, quando você tem antropologias e teologias que se opõem radicalmente, como conciliá-las? 
Karnal: Mas você nota isso?
Padre Fábio: Sim, o tempo todo. A adesão que não contempla o conhecimento é um campo fértil para a ignorância religiosa. E a customização é um resultado do não comprometimento com as instituições religiosas. Cada um vive ao seu modo, de acordo com o que lhe interessa.
Karnal: Eu acho que a crença das pessoas é, essencialmente, crença em si. É um pouco duro dizer isso, mas nós vivemos a era de adoração a Narciso. Usando uma ideia que é de Agostinho, quando afasto da Bíblia o que eu não quero e seleciono o que quero, eu creio em mim e não na Bíblia.
Padre Fábio: Sim, é muito comum encontrar crentes assim.

Dois trechos entre as cartas trocadas por Umberto Eco e Carlo M. Martini:

Umberto Eco: (...) Os laicos não têm direito a criticar o modo de viver de um crente salvo no caso, como sempre, de que vá contra as leis do Estado (por exemplo, a negativa a que aos filhos doentes lhes pratiquem transfusões de sangue) ou se oponha aos direitos de quem professa uma fé distinta. O ponto de vista de uma confissão religiosa se expressa sempre através da proposta de um modo de vida que se considera ótimo, enquanto que do ponto de vista laico deveria considerar-se ótimo qualquer modo de vida que seja consequência de uma livre eleição, sempre que esta não impeça as eleições de outros.

(...)

Carlo Maria Martini: A pergunta, pois, que tenho intenção de lhe fazer se refere ao fundamento último da ética para um laico. Eu gostaria que todos os homens e as mulheres deste mundo tivessem
claros fundamentos éticos para seu obrar e estou convencido de que existem não poucas
pessoas que se comportam com retidão, pelo menos em determinadas circunstâncias, sem
referência a um fundamento religioso da vida. Todavia, não consigo compreender que tipo de
justificação última dão a seu proceder. 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Negacionismo Científico

 

Algumas vezes, a realidade pode ser muito dura e desafiadora. Diante dessas situações algumas pessoas podem simplesmente tentar negar as evidências e a realidade. Podemos definir negacionismo como sendo a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável. Trata-se da recusa em aceitar uma realidade empiricamente verificável.

A ciência é a melhor ferramenta que temos para conhecer o mundo natural, suas relações e funcionamento, seja em relação ao Cosmos, aos seres vivos, à geologia, química, ou qualquer outra área. É com conhecimento científico que conseguimos criar tecnologias e melhorar a vida das pessoas.

O negacionismo científico procura negar fatos ou descobertas científicas sem apresentar provas ou argumentos válidos. Um exemplo: as pessoas que negam o poder de cura das vacinas testadas e aprovadas por comitês científicos. Outro exemplo ainda mais explícito: o terraplanismo.  

Isso não significa dizer que a ciência seja infalível ou que tudo já está devidamente explicado e conhecido. A ciência moderna não tem essa pretensão, mas se temos celulares, GPS, remédios é por causa da ciência. E se a ciência tem tanto sucesso nessas áreas, então que é consenso científico deve ser considerado como altamente provável e como verdade, pelo menos uma verdade provisória.

O cenário atual é muito desafiador. De um lado temos muitas conquistas científicas, de outro lado temos pessoas e "fake news" que negam parte dessas conquistas e do conhecimento criando confusão. A única saída para o fim, ou pelo menos para a minimização do negacionismo científico é a educação. Quanto mais educadas e instruídas, menores as chances das pessoas serem enganadas ou permanecerem no erro mesmo depois de verem evidências desse erro.

domingo, 31 de janeiro de 2021

Dica de leitura: Meditações de Marco Aurelio

 


Marco Aurélio (em latim Marcus Aurelius; 20 de abril de 121 - 17 de março de 180), foi imperador romano desde 161 até sua morte. Seu reinado foi marcado por guerras na parte oriental do Império Romano contra os partas, e na fronteira norte, contra os germanos. Foi o último dos cinco bons imperadores, e é lembrado como um governante bem-sucedido e culto; dedicou-se à filosofia, especialmente à corrente filosófica do estoicismo, e escreveu uma obra que até hoje é lida, Meditações.

O título da principal obra escrita de Marco Aurélio, "Meditações", é uma paráfrase do original em grego que significava "Para si mesmo". Esse mudança de título é antiga e já não possível indicar quem foi o primeiro a fazê-lo. O certo é que o título "Meditações" caiu no gosto do público leitor e esse nome é que usado até hoje.

Nessa obra, escrita em grego ao longo de muitos anos (170 - 180), o Imperador-Filósofo, ligado à Escola Estoica, tece pensamentos, aforismos, anotações e reflexões que misturam conhecimentos práticos e filosóficos de um homem erudito que faz um diálogo interior em busca de grandes e pequenas verdades.

Alguns trechos:

Livro I.

3. A minha mãe deu-me um exemplo de piedade e generosidade, de como evitar a crueldade - não só nos atos, mas também em pensamento - e de uma simplicidade de vida completamente diferente daquilo que é habitual nos ricos.

4. Ao meu bisavô fiquei a dever o conselho de que dispensasse a educação da escola e, em vez disso, tivesse bons mestres em casa - e de que me capacitasse de que não se devem regatear quaisquer despesas para este fim.

12. O platonista Alexandre acautelou-me contra o uso frequente das palavras "Estou muito ocupado" na expressão oral ou na correspondência, exceto em casos de absoluta necessidade; dizendo que ninguém deve furtar-se às obrigações sociais devidas, com a desculpa de afazeres urgentes.

13. O estóico Catulo aconselhou-me a nunca menosprezar a censura de um amigo, mesmo quando pouco razoável, mas em vez disso, fazer o possível por voltar a agradar-lhe; a falar pronta e abertamente em louvor dos meus instrutores, como se lê nas memórias de Domítio e Athenodoto; e a cultivar um genuíno afeto pelos meus filhos.


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Xadrez: Tata Steel Chess 2021

Resultados após a 9 rodadas.



Um dos torneios de xadrez mais fortes do ano acontece na Holanda já no mês de janeiro, é o Tata Steel Chess. Alguns dos melhores jogadores de xadrez do mundo se enfrentam em jogos quase sempre muito equilibrados. O resultado mais provável em competições deste nível é o empate. Este ano não está sendo diferente. A novidade é o desempenho relativamente fraco, até o momento, de Magnus Carlsen. Como destaque, eu cito Esipenko que conseguiu vencer Carlsen. Será que o campeão mundial consegue reverter essa situação? Por enquanto, Giri, Firouzja e Caruana estão no topo da tabela e têm boas chances de vencerem o torneio. Link para o torneio aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Distorcendo um sinal de voz: você prefere mais grave ou mais agudo?

Existem vários aplicativos que podem gerar diversos efeitos na sua voz.

Em alguns filmes ouvimos um tipo de sintetizador de voz que causa uma grande distorção na voz na pessoa que está falando de tal forma que a voz dela fica irreconhecível. Existem inclusive aplicativos que podem transformar a voz complemente e convertem a sua voz na de uma voz de monstro, robô de filme e até animal (ver aqui). 

Neste breve código Scilab realizamos duas transformações: tornamos uma voz "original" mais grave e, em seguida, em mais aguda. O efeito é bem interessante e código bem simples. Para a voz se tornar mais aguda é só retirar algumas amostras do sinal original. Já para voz se tornar mais grave, basta inserir amostras (calculadas como sendo a média de duas amostras adjacentes). A figura abaixo ilustra esses procedimentos.


Obs: uma forma muito mais simples de obter esses efeitos na hora de ouvir o arquivo de som (voz) é simplesmente informar uma taxa de amostragem diferente da taxa de amostragem original. Assim,

  • sound(y,Fs*0.80,bits);   ===> o som fica mais grave.
  • sound(y,Fs*1.25,bits);   ===> o som fica mais agudo.

Código:

////////////////////////////////
// Prof. Dr. Francisco Aquino //
// Lendo e modificando um     //
// arquivo de voz ".wav"      //
///////////////////////////////
clc; 
xdel(winsid());

//// Voz original:
vz = 'bomdia8.wav'; /// 
[y,Fs,bits]=wavread(vz);
ty = max(size(y));
y = y(5000:(ty-5000));
y = y/max(abs(y));
ty = max(size(y));

//// Convertendo em uma voz mais grave:
ym = 1:round(1.25*ty);
ym = 0*ym;
p = 1;
c = 0;
for k=1:ty-1;
    ym(p) = y(k);
    p = p + 1;
    c = c + 1;
    if c>3 then
        yy = (y(k) + y(k+1))/2;
        ym(p) = yy;
        c = 0;
        p = p + 1;
    end;
end
h = [0.1 0.25 0.5 0.5 0.25 0.1]; h=h/sum(h);
ymf = filter(h,1,ym);
tempo = 1:max(size(ymf));
tempo = tempo - 1; tempo = tempo/Fs;
sound(ymf,Fs,bits);

/// Convertendo em uma voz mais aguda:
ya = 0*y;
p=1;
pula = 0;
for k=1:round(ty*0.75)
    ya(k)=y(p);
    p=p+1;
    pula = pula + 1;
    if pula > 3 then pula = 0; p = p + 1; end;
end
ya = ya(1:k);
yaf = filter(h,1,ya);
pause; sound(yaf,Fs,bits);

f1 = 1:max(size(y));
f1 = f1-1; f1=f1/max(f1); f1=f1*Fs;
f2 = 1:max(size(ymf));
f2 = f2-1; f2=f2/max(f2); f2=f2*Fs;
f3 = 1:max(size(yaf));
f3 = f3-1; f3=f3/max(f3); f3=f3*Fs;
ffim1 = round(max(size(f1))/6);
ffim2 = round(max(size(f2))/6);
ffim3 = round(max(size(f3))/6);

yff = abs(fft(y));
ymff = abs(fft(ymf));
yaff = abs(fft(yaf));

subplot(3,2,1); plot(y); title('Voz original');
subplot(3,2,2); plot(f1(1:ffim1),yff(1:ffim1));
subplot(3,2,3); plot(ymf); title('Voz mais grave');
subplot(3,2,4); plot(f2(1:ffim2),ymff(1:ffim2));
subplot(3,2,5); plot(yaf); title('Voz mais aguda');
subplot(3,2,6); plot(f3(1:ffim3),yaff(1:ffim3));
Resultados gráficos:
Sinais de voz no tempo e no espectro. As diferenças são melhor percebidas quando ouvimos o sinal.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Quer manter o seu cérebro esperto? Faça atividade física!


Estudos recentes mostram que para manter o seu cérebro em bom estado e aguçado você também deve fazer atividades físicas. Isso não chega a ser uma novidade, você talvez lembre do antigo ditado Mens sana in corpore sano - Mente sã em um corpo saudável - como afirmava o poeta romano Juvenal. No editorial Cardiorespiratory Fitness and Brain Volumes (fonte e editorial completo aqui) podemos ler:

O papel do exercício e da saúde do cérebro tem sido um tópico de discussão muito popular nos últimos anos. A National Academies of Sciences concluiu que o exercício aeróbio pode ser útil para retardar as mudanças cognitivas no envelhecimento, e a Comissão Lancet relatou de forma semelhante o valor do treinamento aeróbio e dos resultados cognitivos. Além disso, a Organização Mundial da Saúde endossou o exercício como meio de intervenção na progressão do comprometimento cognitivo. Em uma revisão da literatura médica baseada em evidências, a American Academy of Neurology concluiu que o exercício pode ser útil para retardar a progressão clínica de comprometimento cognitivo leve para demência. Este tópico é de grande interesse para a área. 

Embora vários corpos de literatura tenham sugerido que o exercício é benéfico, existem poucos estudos que analisam quais medidas de exercício podem ser indicativas de um benefício. A suposição implícita é que o exercício leva à melhora da função cardiorrespiratória (ACR), mas faltam dados precisos. No entanto, um estudo recente da Noruega avaliou a CRF dos participantes em dois momentos para avaliar se as mudanças na aptidão física teriam um impacto nos resultados cognitivos e na mortalidade. Eles descobriram que a mudança na CRF era um fator de risco independente para demência incidente e mortalidade por demência. Eles estimaram que os participantes que aumentaram sua CRF estimada ao longo do tempo ganharam 2,2 anos livres de demência e 2,7 anos de vida quando comparados com aqueles que permaneceram inaptos nas duas avaliações. Wittfeld e cols.6 do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas relataram análises transversais da associação de CRF e volumes globais e locais do cérebro em imagens de ressonância magnética na edição atual da Mayo Clinic Proceedings. Eles descobriram que o CRF estava positivamente associado à massa cinzenta (GM) e aos volumes cerebrais totais em certas regiões do cérebro; e, curiosamente, as associações ocorreram em regiões do cérebro acopladas a funções cognitivas específicas, e não a funções motoras. Esses dados sugerem que o CRF tem uma associação positiva com a cognição, particularmente em regiões do cérebro que estão envolvidas com o declínio cognitivo e o envelhecimento. Mudanças na substância branca (WM) não foram observadas.

A força do estudo é derivada das fontes de dados: duas grandes coortes baseadas na população que dão crédito à validade dos resultados. Houve vários estudos menores apoiando uma associação entre exercícios e saúde do cérebro, mas este estudo envolveu 2.103 participantes. Um estudo popularmente citado sobre o treinamento físico sugeriu que o exercício aeróbico pode aumentar o tamanho do hipocampo e melhorar a memória espacial.7 Este estudo envolveu 120 adultos mais velhos, e os autores especularam sobre o papel do fator neurotrópico derivado do cérebro na neurogênese no dentado. No entanto, a seleção da amostra e o tamanho da amostra tornam as generalizações desafiadoras, ao passo que o estudo de Wittfeld e cols. parece mais representativo e os achados com a idade são particularmente encorajadores.

Artigo Cardiorespiratory Fitness and Gray Matter Volume in the Temporal, Frontal, and Cerebellar Regions in the General Population completo aqui.

Então, se você quer continuar jogando evoluindo no jogo de xadrez, na matemática, na oratória, ou quer aprender alguma coisa nova, pratique atividade física regular. Isso vai ajudar a manter o corpo saudável e a mente ativa.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Novas resoluções para 2021 (um pouco atrasadas)



Como o ano novo já começou (e eu me lembrei de escrever sobre "resoluções" ou "promessas" de ano novo hoje), aqui vão algumas resoluções - repaginadas - de 2015 (ver aqui):

  • Menos tempo no Facebook, Instagram, whatsapp e outras distrações virtuais. 
  • Manter uma rotina que inclua atividades físicas, já está mais que demonstrado que um corpo saudável melhora o rendimento no trabalho e nas demais áreas da vida. 
  • Hora de estudar, estudar! Nada de deixar para o último dia a entrega de trabalhos, projetos, relatórios e coisas semelhantes. 
  • Ler mais e sobre temas variados, uma boa leitura pode trazer muitos ensinamentos. Não precisamos aprender somente com os nossos erros, mas podemos também aprender com os erros e acertos de outros! 
  • Procurar ajuda antes que um problema fique grande demais para ser resolvido, isso vale tanto nos estudos quanto em outras atividades profissionais ou pessoais. 
  • Melhorar o diálogo com as outras pessoas. Por falta de uma conversa, vários problemas podem acontecer.
  • Faltar alguma aula ou trabalho somente quando não houver opção e conversar com os colegas de aula depois. 
  • Organizar uma rotina de estudos, sem esquecer que algum tempo para diversão deve ser incluído. 
  • Lutar e apoiar causas justas, mas sem recorrer a ações extremistas. 
  • Ouvir melhor e mais atentamente, falar somente quando tiver alguma coisa importante a dizer. 
  • Celebrar os bons momentos com amigos e familiares. 
  • Menos egoísmo e mais solidariedade para com os amigos, conhecidos, não tão conhecidos, com a natureza e com os animais. 
  • Manter as contas sob controle. Parodiando José Saramago, as dívidas são fáceis de fazer, mas muito difíceis de quitar. 
  • Continuar me protegendo contra a covid-19, as vacinas vão demorar a chegar por aqui!
  • E, talvez, o mais importante: manter o bom humor e a flexibilidade diante dos problemas.

Obs: as resoluções de 2013 e 2014 estão aqui aqui.