terça-feira, 25 de abril de 2023

Resolvendo analiticamente um circuito elétrico

Problema. Qual a corrente elétrica no resistor R1 do circuito acima? Considerar a fonte de tensão V1 como sendo uma fonte constante igual a 12 volts. Considere ainda que a chave está aberta a muito tempo e fecha em t = 0 s.

Solução.

No nó formado pelos resistores R1, R2 e o indutor, podemos equacionar:

\[ \frac{V1 - V}{R1} = \frac{V}{R2} + I_x \]

onde $V$ é a tensão sobre R2 e $I_x$ a corrente que passa no indutor e no capacitor.  Podemos relacionar $I_x$ e $V$ por:

\[ V_L + V_C = V \]

\[ L\frac{dI_x}{dt} + \frac{1}{C}\int I_x dt = V \]

Usando o operador $D$:

\[  (LD^2 + \frac{1}{C})I_x = DV \] 

Logo,

\[ I_x = \frac{1}{L}\frac{DV}{D^2 + 1/LC} \]

Substituindo na primeira equação:

\[ \frac{V1}{R1} = \frac{V}{R1} + \frac{V}{R2} + \frac{1}{L}\frac{DV}{D^2 + 1/LC} \]

Reorganizando e efetuando algumas operações obtemos:

 \[ \frac{LV}{Re}(D^2 + 1/LC) + DV  = L\frac{V1(D^2 + 1/LC)}{R1} \]

onde $Re = R1R2/(R1+R2) = 9/4$, finalmente:

 \[ (D^2 + \frac{Re}{L}D + 1/LC) V = \frac{Re}{R1}(D^2 + 1/LC)V1 \]

Substituindo os valores:

 \[ (D^2 + \frac{9}{2}D + 4) V = \frac{3}{4}(D^2 + 4)V1 \]

A solução da equação acima é do tipo:

\[  V(t) = V_{\phi} + Ae^{\lambda_1t} + Be^{\lambda_2t}\] 

onde $\lambda_1 = -9/4 - \sqrt{17}/4 = -3,2807764$ e $\lambda_2 = -9/4 + \sqrt{17}/4 = -1,2192236$ e $V_{\phi} = 9$. Sendo $V1$ uma tensão constante, o valor inicial $V(0)$ é igual a 9 volts. O valor final de $V(t)$ é também 9 volts. A derivada de $V(t)$ no instante zero é:

\[  \frac{dV(0)}{dt} = -\frac{Re}{L}V(0) = -\frac{81}{2}\] 

Aplicando as condições iniciais: $V(0) = 9 = 9 + A + B$, logo $A = - B$; e  $-3,2807764A - -1,2192236B = -81/2$. Logo, $V(t)$ pode ser expresso como

\[  V(t) = 9 + 19.645386(e^{ -3,2807764t} - e^{ -1,2192236t}) \] 

Finalmente, a corrente no resistor R1 é:

\[  I_{R1} = (3 - 19.645386(e^{ -3,2807764t} - e^{ -1,2192236t}))/3 \] 

Logo, a corrente em R1 depois do transitório é 1A. Gráficos:

 

 

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Discurso de Chico Buarque - Prêmio Camões 2019

 

Discurso de Chico Buarque - Prêmio Camões 2019
 
Cerimônia de entrega - dia 24 de abril de 2023, Palácio Nacional de Queluz, às 16 horas.

 
Ao receber este prêmio penso no meu pai, o historiador e sociólogo Sergio Buarque de Holanda, de quem herdei alguns livros e o amor pela língua portuguesa. Relembro quantas vezes interrompi seus estudos para lhe submeter meus escritos juvenis, que ele julgava sem complacência nem excessiva severidade, para em seguida me indicar leituras que poderiam me valer numa eventual carreira literária. Mais tarde, quando me bandeei para a música popular, não se aborreceu, longe disso, pois gostava de samba, tocava um pouco de piano e era amigo próximo de Vinicius de Moraes, para quem a palavra cantada talvez fosse simplesmente um jeito mais sensual de falar a nossa língua. Posso imaginar meu pai coruja ao me ver hoje aqui, se bem que, caso fosse possível nos encontrarmos neste salão, eu estaria na assistência e ele cá no meu posto, a receber o Prêmio Camões com muito mais propriedade. Meu pai também contribuiu para a minha formação política, ele que durante a ditadura do Estado Novo militou na Esquerda Democrática, futuro Partido Socialista Brasileiro. No fim dos anos sessenta, retirou-se da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo em solidariedade a colegas cassados pela ditadura militar. Mais para o fim da vida, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, sem chegar a ver a restauração democrática no nosso país, nem muito menos pressupor que um dia cairíamos num fosso sob muitos aspectos mais profundo.

O meu pai era paulista, meu avô, pernambucano, o meu bisavô, mineiro, meu tataravô, baiano. Tenho antepassados negros e indígenas, cujos nomes meus antepassados brancos trataram de suprimir da história familiar. Como a imensa maioria do povo brasileiro, trago nas veias sangue do açoitado e do açoitador, o que ajuda a nos explicar um pouco. Recuando no tempo em busca das minhas origens, recentemente vim a saber que tive por duodecavós paternos o casal Shemtov ben Abraham, batizado como Diogo Pires, e Orovida Fidalgo, oriundos da comunidade barcelense. A exemplo de  tantos cristãos-novos portugueses, sua prole exilou-se no Nordeste brasileiro do século XVI. Assim, enquanto descendente de judeus sefarditas perseguidos pela Inquisição, pode ser que algum dia eu também alcance o direito à cidadania portuguesa a modo de reparação histórica. Já morei fora do Brasil e não pretendo repetir a experiência, mas é sempre bom saber que tenho uma porta entreaberta em Portugal, onde mais ou menos sinto-me em casa e esmero-me nas colocações pronominais. Conheci Lisboa, Coimbra e Porto em 1966, ao lado de João Cabral de Melo Neto, quando aqui foi encenado seu poema Morte e Vida Severina com músicas minhas, ele, um poeta consagrado e eu, um atrevido estudante de arquitetura. O grande João Cabral, primeiro brasileiro a receber o Prêmio Camões, sabidamente não gostava de música, e não sei se chegou a folhear algum livro meu.

Escrevi um primeiro romance, Estorvo, em 1990, e publicá-lo foi para mim como me arriscar novamente no escritório do meu pai em busca de sua aprovação. Contei dessa vez com padrinhos como Rubem Fonseca, Raduan Nassar e José Saramago, hoje meus colegas de prêmio Camões. De vários autores aqui premiados fui amigo, e de outras e outros – do Brasil, de Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde - sou leitor e admirador. Mas por mais que eu leia e fale de literatura, por mais que eu publique romances e contos, por mais que eu receba prêmios literários, faço gosto em ser reconhecido no Brasil como compositor popular e, em Portugal, como o gajo que um dia pediu que lhe mandassem um cravo e um cheirinho de alecrim.

Valeu a pena esperar por esta cerimônia, marcada não por acaso para a véspera do dia em os portugueses descem a Avenida da Liberdade a festejar a Revolução dos Cravos. Lá se vão quatro anos que meu prêmio foi anunciado e eu já me perguntava se me haviam esquecido, ou, quem sabe, se prêmios também são perecíveis, têm prazo de validade. Quatro anos, com uma pandemia no meio, davam às vezes a impressão de que um tempo bem mais longo havia transcorrido. No que se refere ao meu país, quatro anos de um governo funesto duraram uma eternidade, porque foi um tempo em que o tempo parecia andar para trás. Aquele governo foi derrotado nas urnas, mas nem por isso podemos nos distrair, pois a ameaça fascista persiste, no Brasil como um pouco por toda parte. Hoje, porém, nesta tarde de celebração, reconforta-me lembrar que o ex-presidente teve a rara fineza de não sujar o diploma do meu Prêmio Camões, deixando seu espaço em branco para a assinatura do nosso presidente Lula. Recebo este prêmio menos como uma honraria pessoal, e mais como um desagravo a tantos autores e artistas brasileiros humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo.
   
Muito obrigado.

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Dica de leitura: A Ilha do Conhecimento


 Sobre Marcelo Gleiser:

Marcelo Gleiser é um renomado físico teórico e cosmólogo brasileiro, além de escritor e professor universitário. Ele nasceu em 1959 no Rio de Janeiro e estudou física na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) antes de se mudar para os Estados Unidos, onde obteve seu Ph.D. em física teórica pela Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook.

Gleiser é conhecido por seu trabalho em teoria de campos, relatividade geral e cosmologia. Ele é autor de mais de 100 artigos científicos revisados por pares e também escreveu vários livros sobre ciência para um público mais amplo, incluindo "A Dança do Universo", "Criação Imperfeita" e "A Ilha do Conhecimento".

Além de sua pesquisa e escrita, Gleiser é um educador comprometido e tem sido professor de física e astronomia na Universidade Dartmouth nos Estados Unidos desde 1991. Ele é um forte defensor da comunicação científica para o público em geral e muitas vezes aparece na mídia para discutir ciência e questões filosóficas relacionadas à natureza do universo. Ele possui uma conta no Instagram (ver aqui).

Gleiser é amplamente reconhecido por suas contribuições para a física teórica e pela promoção da compreensão pública da ciência. Ele é membro da Academia Brasileira de Filosofia e foi agraciado com vários prêmios, incluindo o Prêmio Templeton em 2019 por seu trabalho na interface entre ciência e espiritualidade. Gleiser também é ganhador do Prêmio Jabuti (1998, 2022).

Sobre o livro - A Ilha de Conhecimento:

Neste livro, "A Ilha do Conhecimento: Os Limites da Ciência e A Busca Por Sentido", Gleiser faz, entre outras coisas, uma defesa da ciência e explica sobre seus limites e possibilidades, afinal, a ciência não tem explicação para todos os problemas humanos. O livro apresenta um Prólogo e está divido em três partes: A Origem do Mundo e a Natureza dos Céus; Da Pedro Filosofal ao Átomo: A Natureza Elusiva da Realidade; A Mente e a Busca por Sentido. É uma excelente leitura para cursa a disciplina de metodologia científica.

Um resumo (fonte aqui):

Há respostas para todas as perguntas? Quanto realmente sabemos sobre o mundo? Existe mesmo uma verdade absoluta? O que define o ser humano é a curiosidade, é o querer saber sempre mais sobre o mundo e sobre si mesmo. Mas o que observamos do mundo é uma pequena porção do que existe. Em A ilha do conhecimento, o físico Marcelo Gleiser traça nossa busca por respostas a questões fundamentais da existência. E chega a uma conclusão provocativa: a ciência, principal ferramenta que temos para encontrar respostas, é fundamentalmente limitada. A essência da realidade é incognoscível.

Os limites do nosso conhecimento derivam dos nossos instrumentos de exploração e da natureza da realidade física: a velocidade da luz, o princípio da incerteza, a impossibilidade de ver além do horizonte cósmico, os teoremas da incompletude e a nossa própria capacidade como uma espécie inteligente. Reconhecer essas fronteiras, Gleiser argumenta, não é um impedimento ao progresso ou um motivo para sucumbir à religião. Pelo contrário, nos deixa livres para questionar o sentido e a natureza do universo, afirmando o papel central da vida e da nossa existência. A ciência pode e deve seguir em frente, mas, ao reconhecer os próprios limites, revela sua verdadeira missão: conhecer o universo é nos conhecer.

Uma ampla história intelectual da nossa busca por conhecimento e sentido, este livro aborda de forma altamente original as ideias de alguns dos maiores pensadores da história, de Platão a Einstein, mostrando como continuam a nos influenciar. A ilha do conhecimento oferece uma visão singular do que significa ser humano em um universo mergulhado em mistério.

A Ilha do Conhecimento foi publicado em 2014.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Divulgando: bolsas de pós-doutorado para pesquisadores negras e negros de todo o Brasil - USP.

 Nesta edição, serão concedidas até 50 bolsas de pós-doutorado sob coordenação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI). O objetivo é contribuir para a diversificação racial do contingente de pós-doutoras/es negras/os, aumentando, assim, as chances de diversidade racial e de gênero das/dos postulantes a vagas docentes em universidades brasileiras, particularmente na Universidade de São Paulo.

Poderão candidatar-se à bolsa de que trata o Edital 001/2023 pesquisadoras e pesquisadores brasileiros, mulheres e homens, que possuam traços fenotípicos que as/os caracterizem como negros, de cor preta ou parda, portadoras/es do título de Doutorado com data de defesa anterior à data limite de submissão das candidaturas.

O programa abrange todas as áreas do conhecimento e envolverá projetos que busquem ampliação e ressignificação de temas, problemas e abordagens relacionadas a quaisquer áreas do conhecimento. As bolsas terão duração de 12 meses, e poderão ser prorrogadas por até 12 meses, a critério da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e de acordo com a disponibilidade de recursos.

Todas as propostas serão analisadas por uma comissão instituída pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e a confirmação da autodeclaração de pertença racial da/o candidata/o será realizada por uma Comissão de Heteroidentificação.

Cronograma:

  • Publicação do Edital 001/2023 05/04/2023
  • Envio das inscrições e propostas Até 10/05/2023
  • Avaliação das candidaturas 08/05 a 13/06/2023
  • Resultado 14/06/2023
  • Interposição de recurso 15 a 19/06/2023
  • Resultado final 30/06/2023
  • Entrega de Termo de Outorga assinado Até 17/07/2023
  • Cadastro da/o bolsista nas unidades Até 31/07/2023

*** Mais informações e edital aqui.

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Divulgando: 7ª Jornada de Física

 

Em 2023 o tema da 7ª Jornada de Física será “Física sem Fronteiras: interfaces com outras ciências para a construção de uma sociedade sustentável". Venha você também fazer parte dessa história!


INSCRIÇÕES EM: Jornada de Física - 2023.


PARA MAIORES INFORMAÇÕES:
Instagram: @fisparauniecon


YouTuber: FÍSICA PARA UNIVERSIDADES E CONCURSOS
https://www.instagram.com/reel/CqoI1vzpl_b/?igshid=MDJmNzVkMjY=



segunda-feira, 20 de março de 2023

Algumas mulheres extraordinárias na ciência.


Existem muitas cientistas e matemáticas brilhantes que fizeram contribuições significativas em suas áreas de atuação. Alguns exemplos notáveis incluem:
  • Hypatia (c. 370-415): foi uma filósofa e matemática grega que fez contribuições significativas para a geometria e a álgebra. Ela também foi a primeira mulher a ensinar matemática e filosofia em Alexandria. Teve uma morte trágica. 
  • Émilie du Châtelet (1706-1749): foi uma física, matemática e filósofa francesa que fez contribuições significativas para a mecânica e a física matemática. Ela é mais conhecida por sua tradução e comentário sobre os "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural" de Isaac Newton. 
  • Ada Lovelace (1815-1852): é considerada a primeira programadora do mundo, tendo trabalhado no projeto da Máquina Analítica, uma espécie de computador mecânico projetado pelo matemático Charles Babbage. 
  • Marie Curie (1867-1934): foi uma física e química polonesa-francesa que descobriu o rádio e o polônio e foi a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, em Física, e depois em Química. 
  • Emmy Noether (1882-1935): foi uma matemática alemã que fez contribuições importantes para a álgebra abstrata e a física teórica. Ela desenvolveu o Teorema de Noether, que estabelece uma relação fundamental entre simetria e conservação de energia. 
  • Maria Göppert-Mayer (1906-1972): foi uma física teórica estadunidense nascida na Alemanha. Com Eugene Paul Wigner e J. Hans D. Jensen, recebeu o Nobel de Física em 1963, por propor um novo modelo do envoltório do núcleo atômico. 
  • Karen Keskulla Uhlenbeck (Cleveland, 24 de agosto de 1942): é uma matemática estadunidense. Uhlenbeck recebeu o Prêmio Abel de 2019 "por conquistas pioneiras em equações diferenciais parciais geométricas, teoria de gauge e sistemas integráveis, e pelo impacto fundamental de seu trabalho sobre análise, geometria e física matemática". É a primeira mulher a receber este prêmio. 
  • Donna Theo Strickland (1959-): é uma física canadense da Universidade de Waterloo, especializada em laser. Recebeu o Nobel de Física de 2018, juntamente com o cientista francês Gérard Mourou (laser ultra rápido) e o físico norte-americano Arthur Ashkin (pinças ópticas), "por invenções inovadoras no campo da física do laser". 
  • Maryam Mirzakhani (1977-2017): foi uma matemática iraniana-americana e professora da Universidade Stanford. Seus tópicos de pesquisa incluem Teoria de Teichmüller, geometria hiperbólica, teoria ergódica e geometria simplética. Tornou-se conhecida por seus trabalhos em topologia e geometria da superfície de Riemann. Em 13 de agosto de 2014 Mirzakhani tornou-se a primeira pessoa nascida no Irã e a primeira mulher da história a receber a medalha Fields.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Mulheres na ciência: baixa representatividade.

 


Quantas mulheres se destacaram na ciência ou na matemática na Antiguidade? Esse não é um problema restrito a épocas passadas. A falta de representação feminina na ciência nos dias atuais é um problema complexo e multifacetado que tem sido abordado por muitas pesquisas e iniciativas em todo o mundo. Existem vários fatores que podem contribuir para isso, incluindo a falta de modelos femininos e mentores na ciência, a desigualdade de gênero em termos de acesso a recursos e oportunidades, a discriminação de gênero e a falta de flexibilidade no local de trabalho para acomodar responsabilidades familiares e pessoais. Um exemplo de restrição: até recentemente era vedado o acesso de mulheres a cursos universitários em quase todos os países do mundo.

Embora haja cada vez mais mulheres se envolvendo na ciência, ainda há uma disparidade significativa em termos de representação em posições de liderança e reconhecimento de suas realizações. As mulheres são sub-representadas em áreas científicas específicas, como matemática, física e engenharia, e muitas vezes enfrentam barreiras ao avanço em suas carreiras científicas. Essas disparidades também se refletem no número de mulheres que receberam prêmios importantes, como o Prêmio Nobel. Por exemplo, apenas quatro mulheres já foram laureadas com o Prêmio Nobel de Física: Curie (1903), Maria Goeppert-Mayer (1963), Donna Strickland (2018) e Andrea Ghez (2020). Até 2022, o Prêmio Nobel de Física foi concedido a 221 indivíduos.

Para resolver essa desigualdade de gênero, é importante fornecer oportunidades iguais para mulheres na ciência, incentivá-las a seguir carreiras em ciência e tecnologia desde cedo, oferecer mentoria e suporte adequados e criar um ambiente de trabalho inclusivo e flexível. Além disso, é essencial que as instituições de ciência reconheçam e recompensem as contribuições das mulheres de maneira justa e equitativa. Vale lembrar que essa falta de representatividade feminina não ocorre somente na ciência. No xadrez, por exemplo, o número de mulheres participantes de torneios é significativamente menor e elas também recebem prêmios menores.

quinta-feira, 9 de março de 2023

Algumas frases e aforismos filosóficos



Há muitas frases famosas de pensadores ocidentais, aqui estão algumas das mais conhecidas:
  • "Penso, logo existo." - René Descartes 
  • "O homem é a medida de todas as coisas." - Protágoras 
  • "A vida sem filosofia é como estar cego em meio a um mundo de cores e luzes." - Michel de Montaigne 
  • "Só sei que nada sei." - Sócrates 
  • "O homem é um animal político." - Aristóteles 
  • "O conhecimento começa com a dúvida." - Galileu Galilei 
  • "A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se você não pode viver sozinho, também não é livre." - Arthur Schopenhauer 
  • "A filosofia é um combate, não uma doutrina." - Michel Foucault 
  • "A felicidade é a finalidade de tudo que fazemos." - Aristóteles 
  • "Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou." - Heráclito 
  • "Tudo o que é razoável é verdadeiro e tudo o que é verdadeiro é razoável." - Gottfried Leibniz 
  • "O homem nasce livre, mas em toda parte está acorrentado." - Jean-Jacques Rousseau 
  • "A verdadeira sabedoria está em reconhecer a própria ignorância." - Sócrates 
  • "O inferno são os outros." - Jean-Paul Sartre 
  • "O que é o homem na natureza? Nada em relação ao infinito, tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre o nada e o tudo." - Blaise Pascal 
  • "Aquele que luta com monstros deve tomar cuidado para não se tornar um monstro ele mesmo. E se você olhar para dentro de um abismo, o abismo olhará para dentro de você." - Friedrich Nietzsche

Um aforismo é uma frase breve e concisa que expressa uma ideia ou pensamento complexo de maneira clara e memorável. Geralmente, um aforismo é uma afirmação que se baseia em alguma observação, experiência ou sabedoria prática. Ele pode ser utilizado para transmitir uma lição, provocar reflexão ou humor, e pode ser encontrado em várias áreas do conhecimento, como na literatura, na filosofia, na religião, entre outras.
 
Aforismos são muito utilizados na filosofia, especialmente por filósofos como Friedrich Nietzsche e Arthur Schopenhauer, que escreveram muitos aforismos em seus trabalhos. Os aforismos são frequentemente lembrados e citados porque são concisos e memoráveis, o que os torna úteis para transmitir ideias complexas de uma maneira fácil de lembrar.

quinta-feira, 2 de março de 2023

Dica de leitura: "A lógica do Cisne Negro" de Nassim Taleb

---------------------- Uma resenha:

"A lógica do Cisne Negro" é um livro escrito pelo ensaísta e matemático Nassim Nicholas Taleb, publicado em 2007. O livro é uma obra revolucionária e provocativa que aborda o conceito de eventos extremos (os "cisnes negros") e como eles afetam nosso mundo, incluindo nossa economia, política e vida pessoal.

Um cisne negro é um evento imprevisível, altamente improvável e com grandes consequências. Taleb argumenta que a maioria dos modelos e teorias econômicas e financeiras falham em reconhecer a existência e a importância dos cisnes negros. Esses eventos são frequentemente considerados como "ruído" e, portanto, ignorados, mas quando eles ocorrem, podem ter efeitos dramáticos e duradouros em nossa sociedade.

O livro também discute a tendência humana de procurar explicações simples e causas únicas para eventos complexos, em vez de reconhecer a complexidade da realidade. Taleb argumenta que precisamos adotar uma abordagem mais humilde e reconhecer nossa ignorância e limitações, ao invés de tentar prever e controlar tudo.

"A lógica do Cisne Negro" é uma leitura desafiadora e inovadora, que mudou a maneira como muitos pensam sobre o mundo e como tomam decisões. É uma obra que deve ser lida por qualquer pessoa interessada em economia, finanças, política ou simplesmente em compreender a complexidade e imprevisibilidade do mundo em que vivemos. A obra também apresenta alguns traços autobiográficos.

---------------------- Sobre o autor:

Nassim Nicholas Taleb (Amioun, 12 de setembro de 1960) é um autor, ensaísta, estatístico, e analista de riscos líbano-americano, matemático de formação.

Atualmente residente nos Estados Unidos, Reino Unido e Líbano, é conhecido por ser um megainvestidor do mercado financeiro, sendo professor do Instituto Politécnico da Universidade de Nova Iorque e presidente da empresa de investimentos Empirica, também atuando como conselheiro do grupo Universa. Sua religião é grega ortodoxa. Taleb é fluente em inglês, francês e em árabe clássico, em conversação é fluente em italiano e em espanhol e lê textos clássicos em grego, latim e aramaico.

Nassim Nicholas Taleb possui MBA pela Wharton e Ph.D. pela Universidade de Paris. Ao longo da carreira, ocupou cargos importantes em bancos, dentre eles: CSFB, UBS, BNPParibas e Bankers Trust.

Fonte: wikipedia - Nassim Nicholas Taleb

---------------------- Referência (Norma ABNT NBR 6023):

TALEB, Nassim Nicholas. A lógica do Cisne Negro: o impacto do altamente improvável. Tradução de Marcelo Schild. Revisão técnica de Mario Pina. 23. ed. Rio de Janeiro: BestBusiness, 2020. 458 p. ISBN 9788576842125.

---------------------- Extra - um vídeo sobre o livro/tema:

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Scilab: lendo um arquivo texto de números (csv).

 


Em algumas situações precisamos ler um arquivo CSV (Valores Separados por Vírgula) usando o Scilab. O CSV é um tipo especial de arquivo que você pode criar ou editar no Excel ou outra planilha eletrônica. Em vez de armazenar informações em colunas, os arquivos CSV armazenam informações separadas por vírgulas. Quando o texto e os números são salvos em um arquivo CSV, é fácil movê-los de um programa para outro.

Os comandos para ler um arquivo texto e para converter o arquivo lido em vetor de números são:

  • fileinfo: informações sobre um arquivo.
  • mopen: abrir o arquivo
  • mgetstr: ler texto do arquivo
  • mclose: fechar o arquivo
  • csvTextScan: converte o texto em um vetor de dados.

Exemplo de código:
clc;
fn = 'dadostt.txt';    // nome do arquivo texto
details = fileinfo(fn);         // retrieve file details
len = details(1);               // get file length
fd = mopen(fn, 'rt');           // open file as text with read mode
str1 = mgetstr(len, fd);        // leitura de todo o arquivo
mclose(fd); // close file descriptor A = csvTextScan(str1); // converte em um vetor de números disp(A);