Mostrando postagens com marcador dica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Primo Levi: é isso um homem?


 
“É isto um homem?” (Se questo è un uomo, 1947), de Primo Levi, é um livro-memória sobre a experiência do autor como prisioneiro judeu no campo de concentração de Auschwitz, entre 1944 e 1945. Muitos companheiros de Levi não sobreviveram a esse período de confinamento. 
 
Levi, na época um jovem químico italiano 'sem juízo', narra de forma sóbria e precisa sua deportação, a chegada ao campo, a perda do nome (substituído por um número), a fome (o tempo todo se sente fome e, muitas vezes, sede), o trabalho exaustivo, a degradação física e moral, as estratégias mínimas e criativas de sobrevivência. Mais do que um relato do Holocausto, o livro é uma reflexão sobre a condição humana em situação-limite: como o sistema nazista buscava aniquilar não apenas corpos, mas a identidade, a dignidade e a noção de “ser humano” dos prisioneiros. 

O título, tomado de um poema que abre a obra, já indica a pergunta central: o que resta do homem quando tudo lhe é retirado? Levi evita autopiedade ou um tom vingativo; sua escrita é clara, quase “científica”, o que torna o horror ainda mais contundente. O resultado é um testemunho ético e literário fundamental para pensar memória, responsabilidade e os limites da humanidade.
 
Trecho do prefácio do livro:
 
A necessidade de contar “aos outros”, de tornar “os outros” participantes, alcançou entre nós, antes e depois da libertação, caráter de impulso imediato e violento, até o ponto de competir com outras necessidades elementares. O livro foi concebido para satisfazer essa necessidade em primeiro lugar, portanto, com a finalidade e liberação interior. Daí seu caráter fragmentário: seus capítulos foram escritos não em sucessão lógica, mas por ordem de urgência (LEVI, 1998, p. 8).
 
LEVI, P. É isto um homem? Rio de Janeiro: Rocco, 1988. 
 
Para saber mais: 
 
DE MACÊDO, Lucíola Freitas. Testemunho, extimidade e a escrita de Primo Levi. Revista de Letras, p. 51-65, 2012. 
 
****** 
 
Primo Michele Levi (Turim, 31 de julho de 1919 - Turim, 11 de abril de 1987) foi um químico, escritor e sobrevivente do Holocausto, considerado uma das vozes mais importantes do testemunho sobre os campos de concentração nazistas. 

Nascido em família judia de classe média em Turim, formou-se em Química pela Universidade de Turim no início dos anos 1940, em pleno regime fascista. Em 1943, integrou a resistência antifascista (partigiano), foi preso e, por ser judeu, deportado para o campo de Auschwitz-Monowitz, onde permaneceu por onze meses (1944–1945). Sua formação científica e o conhecimento de alemão ajudaram-no a ser alocado em trabalhos menos brutais, o que, somado a fatores de acaso, contribuiu para sua sobrevivência. 

Libertado pelos soviéticos em 1945, retornou a Turim, retomou a atividade como químico na indústria e, paralelamente, passou a escrever. Seu primeiro e mais famoso livro, “É isto um homem?” (Se questo è un uomo, 1947), relata sua experiência em Auschwitz com linguagem clara, ética e reflexiva. Ao longo da vida, publicou obras de memórias, ensaios, contos e ficção, muitas vezes articulando ciência e literatura; entre elas, destacam-se “A trégua” (sobre o retorno à Itália) e “A tabela periódica” (contos autobiográficos nomeados por elementos químicos). 

Levi morreu em 1987, aos 67 anos, após cair da escadaria de seu apartamento em Turim. Sua morte foi amplamente interpretada como possível suicídio, embora haja debates sobre as circunstâncias. Sua obra permanece como referência fundamental para pensar memória, responsabilidade e os limites da condição humana após o Holocausto.
 
-----------------------------------
 
#Literatura #DicaDeLeitura #Reflexão #Auschwitz

sábado, 20 de setembro de 2025

Dica de leitura: Como enfrentar um ditador: A luta pelo nosso futuro

Como enfrentar um ditador: A luta pelo nosso futuro

 Autora: Maria A. Ressa, Prêmio Nobel da Paz (2021).

 

Sobre a autora

Nascida: 2 de outubro de 1963, Manila, Filipinas
Residência no momento do prêmio: Filipinas

Maria Ressa nasceu em Manila, nas Filipinas. Aos nove anos, ela e sua família mudaram-se para os Estados Unidos. Após estudar na Universidade de Princeton, ela retornou ao seu país natal e obteve um mestrado na Universidade das Filipinas Diliman. A partir de 1995, a Sra. Ressa trabalhou como correspondente local para a CNN, cobrindo, em particular, o crescimento do terrorismo no Sudeste Asiático.

Em 2012, ela foi uma das co-fundadoras do site de notícias online Rappler. Como jornalista investigativa, ela se destacou como uma defensora destemida da liberdade de expressão e expôs abusos de poder, uso de violência e o crescente autoritarismo do regime do presidente Rodrigo Duterte. Em particular, a Sra. Ressa direcionou atenção crítica à controversa e mortal campanha antidrogas do presidente Duterte. Ela e a Rappler também documentaram como as redes sociais estão sendo usadas para espalhar notícias falsas, assediar opositores e manipular o discurso público. 

Prêmio Nobel da Paz (2021)

Motivação do prêmio: “por seus esforços em salvaguardar a liberdade de expressão, que é uma condição prévia para a democracia e a paz duradoura” 

O Comitê Norueguês do Nobel decidiu conceder o Prêmio Nobel da Paz de 2021 a Maria Ressa e Dmitry Muratov por seus esforços em salvaguardar a liberdade de expressão, que é uma condição prévia para a democracia e a paz duradoura. A Sra. Ressa e o Sr. Muratov estão recebendo o Prêmio da Paz por sua corajosa luta pela liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia. Ao mesmo tempo, eles são representantes de todos os jornalistas que defendem esse ideal em um mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas. Maria Ressa utiliza a liberdade de expressão para expor abusos de poder, uso de violência e o crescente autoritarismo em seu país natal, as Filipinas. Em 2012, ela co-fundou a Rappler, uma empresa de mídia digital para jornalismo investigativo, que ainda dirige. Como jornalista e CEO da Rappler, Ressa demonstrou ser uma defensora destemida da liberdade de expressão. A Rappler direcionou atenção crítica à controversa e mortal campanha antidrogas do regime Duterte. O número de mortes é tão alto que a campanha se assemelha a uma guerra travada contra a própria população do país. A Sra. Ressa e a Rappler também documentaram como as redes sociais estão sendo usadas para espalhar notícias falsas, assediar opositores e manipular o discurso público.

Uma resenha do livro

Maria Ressa recebeu o Nobel da paz em 2021 por sua luta pelo direito à liberdade de expressão. Uma das mais renomadas jornalistas do século XXI, ela fundou um portal de notícias independente em 2012, o Rappler, que rapidamente virou alvo do Estado filipino e fez de Ressa inimiga do homem mais poderoso de seu país: o presidente Duterte. Mas ele não é seu único adversário.

Nestas memórias, Maria Ressa compartilha sua trajetória contra a opressão e censura, e tenta mapear o fenômeno da desinformação que assola o mundo todo. Da invasão ao Capitólio nos EUA ao Brexit da Grã-Bretanha, passando pela influência do Facebook nas eleições, Ressa revela como grandes empresas de comunicação incentivaram mentiras e disseminaram um vírus de ódio que infecta toda a população, em uma pandemia de raiva e medo.

Contado da linha de frente da guerra digital, Como enfrentar um ditador é o grito urgente para que lutemos por nossa liberdade, antes que seja tarde demais. O que você está disposto a sacrificar pela verdade?

Com prefácio exclusivo de Patrícia Campos Mello, autora de A máquina do ódio.
 Fontes: aqui e aqui

Início do primeiro capítulo do livro

Desde que se iniciou o lockdown da pandemia de covid-19, em março de 2020, ando muito mais emotiva do que jamais me permiti ser. Sinto a raiva acumulada contra a injustiça que só me resta aceitar. Foi esse o resultado de seis anos de ataques ao governo.

Posso ser presa. Pelo resto da vida — ou, como diz meu advogado, por mais de cem anos. Por acusações que nem deveriam ser levadas a tribunal. A derrocada do estado de direito é um fato global, mas, no meu caso, se tornou pessoal. Em menos de dois anos, o governo filipino emitiu dez ordens de prisão contra mim.

----------------------------------------------- #literatura #dicadeleitura #nobeldapaz #democracia #reflexão #política

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Dicas para conseguir um bom resultado em uma prova minha.


Minhas provas, em geral, combinam questões de diferentes níveis de dificuldade, sendo permitindo ao estudante a consulta de fórmulas e ao próprio material didático (livro, caderno, calculadora), mas a prova em si é individual. Seguem algumas dicas práticas para alcançar um bom desempenho nas minhas provas.
1. Organização e Familiaridade com o Material Didático
  • Conheça e organize o seu próprio o material: revisarem as fórmulas e anotações com antecedência, destacando as seções mais relevantes. Você deve saber exatamente onde encontrar cada fórmula ou conceito no material para economizar tempo durante a prova.
  • Crie um resumo da matéria: preparem uma página de referência rápida com as fórmulas mais usadas, organizadas por tópico (ex.: integrais, derivadas, equações diferenciais, etc.), incluindo condições de uso (ex.: limites de validade).
  • Pratique a consulta: Resolva questões do livro para treinar a busca de informações no material didático, simulando o ambiente da prova, para que não percam tempo procurando durante o exame.
2. Gerenciamento de Tempo
  • Leia toda a prova primeiro: dedicar os primeiros minutos para ler todas as questões, identificando as mais fáceis (aplicação direta de fórmulas) e as mais complexas (que exigem raciocínio ou cálculos mais longos). Começar pelas questões fáceis garante pontos iniciais e aumenta a confiança.
  • Defina um tempo por questão: divida o tempo total da prova pelo número de questões para estimar quanto podem gastar em cada uma. Por exemplo, em uma prova de 2 horas com 5 questões, reservar cerca de 20 minutos por questão é razoável, pois sobra tempo para revisão final.
  • Não se prenda em uma questão difícil: Se uma questão estiver tomando muito tempo, passe para a próxima e volte depois, se possível.
3. Estratégias para Questões de Aplicação Direta
  • Verifique as unidades e variáveis: fique atento para a importância de confirmar as unidades das variáveis e se a fórmula escolhida é apropriada para o problema (ex.: usar a fórmula correta para tensão ou divisão de corrente em circuitos elétricos).
  • Siga um passo a passo claro: mesmo em questões simples, mostre os cálculos de forma organizada (substituição de valores, simplificações), pois isso facilita a correção e pode garantir pontos parciais.
  • Confira os cálculos numéricos: use calculadoras científicas com cuidado, verificando se os valores inseridos estão corretos e se o resultado faz sentido (ex.: uma força negativa em um contexto que espera um valor positivo pode indicar erro).
4. Estratégias para Questões que Exigem Mais Raciocínio
  • Entenda o problema: leia a questão com atenção, identificando o que é pedido e quais são os dados fornecidos. Escrever um diagrama, esboço ou equação inicial pode ajudar a visualizar o problema (ex.: um diagrama de corpo livre em dinâmica).
  • Quebre o problema em partes: Para questões complexas, sugira dividir o problema em etapas menores (ex.: resolver primeiro a componente horizontal, depois a vertical, em problemas de vetores).
  • Use o material para inspiração: consultar exemplos resolvidos no material didático que sejam semelhantes à questão, adaptando a lógica para o problema em mãos.
  • Teste hipóteses com verificação: se houver dúvida sobre a abordagem, teste a solução com valores conhecidos ou casos limite (ex.: verificar se a solução converge para zero quando o tempo tende ao infinito em um problema de amortecimento).
5. Prática Prévia
  • Resolva exercícios variados: pratique tanto questões de aplicação direta quanto problemas mais complexos, usando listas de exercícios ou provas anteriores (se disponíveis). Isso ajuda a desenvolver confiança e familiaridade com os tipos de questões.
  • Simule a prova: faça simulados no mesmo tempo da prova real, usando apenas o material permitido, para treinar o gerenciamento de tempo e a consulta eficiente.
  • Revise erros: analisar os próprios erros cometidos em exercícios, identificando se foram conceituais (ex.: uso errado de uma fórmula) ou de cálculo (ex.: erro de sinal), e corrigirem essas falhas.
6. Apresentação e Clareza na Resolução
  • Escreva de forma legível e organizada: lembre-os de que uma resposta clara e bem estruturada facilita a correção. Peça que separem as etapas (ex.: “Passo 1: Identificar os dados”, “Passo 2: Aplicar a fórmula”).
  • Justifique escolhas: para questões que exigem raciocínio, explique brevemente por que escolheram uma abordagem ou fórmula, especialmente se o material didático oferece várias opções.
  • Inclua unidades e respostas finais destacadas: sempre incluir as unidades nos resultados e destacar a resposta final (ex.: com um box ou sublinhado), conforme o padrão da disciplina.
7. Controle do Estresse e Confiança
  • Mantenha a calma: lembre-se de que o acesso ao material didático pode reduzir a pressão de memorizar tudo. Foque na aplicação correta dos conceitos.
  • Confie na preparação: confie no estudo prévio e na prática que você fez. Resolva muitos exercícios antes da prova.
  • Respire e revise: durante a prova, faça pausas curtas (1-2 minutos) para respirar e revisar as respostas, especialmente em questões numéricas, para evitar erros bobos. Confira que está dando a resposta solicitada.
Concluindo
O nível das questões varia bastante, a prova recompensa tanto a aplicação correta de fórmulas quanto a capacidade de raciocínio. Usem o material didático como uma ferramenta, mas é necessário dominar os conceitos básicos para resolverem as questões mais desafiadoras.