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quinta-feira, 3 de abril de 2025

Não temos um 'Planeta B' - e o 'Plano A' está destruindo a Terra.



A frase "não temos um Planeta B" carrega uma verdade tão simples quanto alarmante: a Terra é o único lar que conhecemos, o único lugar no universo onde a vida, tal como a entendemos, floresce. Ainda assim, paradoxalmente, tratamos esse lar com uma negligência que beira o absurdo. As consequências dessa relação disfuncional já não são apenas previsões distantes de cientistas ou ativistas; elas estão aqui, batendo à nossa porta, infiltrando-se em nossas vidas de maneiras que não podemos mais ignorar. Mudanças climáticas, perda de biodiversidade, escassez de água, poluição desenfreada — esses são os sintomas de um planeta em crise, e nós, como espécie, somos os principais responsáveis.
Comecemos pelas mudanças climáticas, talvez o mais visível e debatido dos problemas ambientais. O aumento das temperaturas globais, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento, está alterando o equilíbrio delicado que sustenta a vida na Terra. Eventos climáticos extremos — ondas de calor sufocantes, furacões devastadores, secas prolongadas e chuvas torrenciais — tornaram-se mais frequentes e intensos. Cidades costeiras enfrentam a ameaça do aumento do nível do mar, enquanto regiões agrícolas lutam para se adaptar a padrões climáticos imprevisíveis. O Ártico derrete a um ritmo assustador, liberando metano, um gás de efeito estufa ainda mais potente que o dióxido de carbono, em um ciclo vicioso que acelera o aquecimento. E, enquanto isso, continuamos a emitir carbono como se o amanhã fosse uma garantia, não uma conquista.
Mas o clima é apenas uma peça do quebra-cabeça. A perda de biodiversidade é outro grito de alerta que ecoa pelo planeta. Estamos vivendo o que cientistas chamam de "sexta extinção em massa", uma onda de desaparecimento de espécies causada diretamente pela ação humana. Desmatamento, agricultura intensiva, poluição e urbanização descontrolada estão dizimando habitats inteiros. Florestas tropicais, como a Amazônia, que já foram chamadas de "pulmões do mundo", estão sendo reduzidas a cinzas para dar lugar a pastagens ou plantações. Espécies que levaram milhões de anos para evoluir — de insetos polinizadores a grandes mamíferos — estão desaparecendo em décadas, ou até em anos. Essa perda não é apenas uma tragédia estética; ela compromete os ecossistemas dos quais dependemos para comida, água potável e ar limpo. Sem abelhas, por exemplo, a produção de alimentos entra em colapso. Sem florestas, o ciclo da água se desregula. Tudo está interligado, e estamos cortando os fios dessa teia com uma imprudência assustadora.
A escassez de água, por sua vez, é um problema que já afeta bilhões de pessoas e promete se agravar. Rios secam, lençóis freáticos esgotam-se, e a desertificação avança em regiões outrora férteis. Em muitos lugares, a água tornou-se um recurso disputado, quase um luxo. Cidades como Cidade do Cabo, na África do Sul, já enfrentaram o temido "Dia Zero", quando as torneiras simplesmente param de funcionar. No Brasil, o Cerrado, conhecido como a "caixa d’água" do país, sofre com o avanço do agronegócio, ameaçando os rios que abastecem grande parte da população. A poluição agrava o quadro: rios e lagos contaminados por agrotóxicos, esgoto e resíduos industriais tornam a água disponível imprópria para consumo. Enquanto isso, o desperdício continua: usamos água potável para lavar carros e irrigar gramados, como se ela fosse infinita.
A poluição, em todas as suas formas, é outro reflexo do nosso descaso. O ar que respiramos está carregado de partículas tóxicas em muitas cidades, resultado da queima de combustíveis e da indústria desenfreada. Os oceanos, que cobrem mais de 70% do planeta, estão se transformando em depósitos de plástico — estima-se que, até 2050, haverá mais plástico do que peixes em peso nas águas marinhas. Animais morrem sufocados por sacolas ou com o estômago cheio de microplásticos, enquanto esses mesmos fragmentos entram na cadeia alimentar, chegando até nós. O solo, base da nossa agricultura, está sendo envenenado por fertilizantes químicos e pesticidas, comprometendo sua fertilidade a longo prazo. Vivemos em um ciclo de consumo e descarte que ignora os limites do planeta.
Diante desse cenário, é fácil cair no desespero ou na apatia. Mas a verdade é que ainda há tempo — não muito, mas o suficiente para mudar o rumo. A solução não está em uma única grande ação, mas em uma transformação coletiva e multifacetada. Reduzir as emissões de carbono é essencial, o que exige uma transição urgente para energias renováveis, como solar e eólica, e um transporte mais sustentável. Proteger e restaurar ecossistemas, como florestas e manguezais, pode absorver carbono e preservar a biodiversidade. A agricultura regenerativa, que trabalha com a natureza em vez de contra ela, pode recuperar solos e reduzir o impacto ambiental da produção de alimentos. E, acima de tudo, precisamos repensar nosso consumo: menos desperdício, mais reúso, uma economia circular que valorize o que já temos.
A responsabilidade não recai apenas sobre governos ou grandes corporações, embora eles tenham um papel crucial. Cada um de nós, em nossas escolhas diárias — o que comemos, como nos deslocamos, o que compramos — contribui para o problema ou para a solução. Educação e conscientização são armas poderosas: um mundo que entende a gravidade da crise é um mundo mais propenso a agir. E, sim, a tecnologia pode ajudar — desde inovações em energia limpa até métodos para limpar os oceanos —, mas ela não é uma varinha mágica. Sem vontade política e mudança cultural, as melhores invenções ficam na gaveta.
Não temos um Planeta B, mas ainda temos este. A Terra é resiliente; ela já passou por catástrofes antes e se recuperou. A questão é se nós, como espécie, estaremos aqui para ver essa recuperação. Estamos em um ponto de inflexão (ou muito próximo dele): podemos continuar a explorar e destruir, colhendo as consequências cada vez mais severas, ou podemos escolher cuidar do único lar que temos. O futuro não está escrito — ele depende do que fazemos hoje. E o hoje, mais do que nunca, exige coragem, responsabilidade e, acima de tudo, ação. Ação não só de indivíduos, mas das pequenas e grandes corporações e dos governos.

 

#ecologia #pensamento #reflexão #mudancaclimatica

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Sobre o uso ético das IAs em trabalhos acadêmicos

 


O uso de inteligência artificial (IA) em trabalhos acadêmicos, como artigos, dissertações e teses, pode ser feito de forma lícita e ética, desde que sejam seguidas determinadas recomendações e diretrizes.  A seguir, apresentamos algumas considerações sobre o uso ético das IAs em trabalhos acadêmicos.

Recomendações para o uso lícito da IA em trabalhos acadêmicos

1. Transparência e Divulgação
- É fundamental que os autores declarem explicitamente o uso de ferramentas de IA no processo de escrita ou análise. Muitos periódicos e instituições acadêmicas já exigem essa transparência como parte das políticas de submissão de manuscritos [6].
- A falta de divulgação pode levar a problemas éticos, como a violação de normas acadêmicas e até mesmo a retratação de trabalhos publicados [6].

2. Uso Ético e Responsável
- A IA deve ser utilizada como uma ferramenta auxiliar, sem substituir as responsabilidades centrais do autor, como a formulação de ideias originais, análise crítica dos dados e elaboração de conclusões científicas [6].
- É importante evitar práticas como a geração automática de textos sem revisão ou validação humana, pois isso pode comprometer a precisão e integridade do conteúdo [7].

3. Capacitação dos Pesquisadores
- Recomenda-se que os acadêmicos recebam treinamento sobre ética e integridade na utilização da IA, para compreender suas limitações e evitar usos inadequados, como plágio ou fabricação de dados [2].
- Esse treinamento deve incluir orientações sobre como integrar ferramentas de IA no processo de pesquisa sem comprometer a originalidade ou qualidade do trabalho.

4. Limitações da IA
- Embora as ferramentas de IA sejam úteis para tarefas como correção gramatical, estruturação textual e geração de ideias, elas ainda apresentam limitações significativas em termos de profundidade analítica, precisão factual e adequação às normas acadêmicas específicas [7].
- Os pesquisadores devem revisar criticamente os textos gerados pela IA para garantir que estejam alinhados com os objetivos do trabalho e com as normas da área.

5. Desenvolvimento de Diretrizes Institucionais
- As instituições acadêmicas devem criar **políticas claras** sobre o uso da IA em pesquisas e publicações. Essas diretrizes devem incluir protocolos para garantir transparência, evitar mal-entendidos sobre autoria e proteger a integridade científica [2][6].
- A colaboração internacional pode ajudar na criação de padrões éticos unificados para o uso da IA em diferentes disciplinas [2].

6. Ferramentas Específicas
- Ferramentas baseadas em IA podem ser usadas para:
  - Refinar textos acadêmicos (gramática, clareza e coerência) [5].
  - Auxiliar na escolha de tópicos ou na busca por referências relevantes [5].
  - Detectar plágio ou inconsistências textuais antes da submissão [4].
- No entanto, é importante escolher ferramentas que sejam projetadas especificamente para fins acadêmicos e estejam alinhadas às normas éticas.

Benefícios do Uso Lícito da IA
- A IA pode melhorar a eficiência do processo de escrita ao automatizar tarefas repetitivas, permitindo que os pesquisadores dediquem mais tempo à análise crítica e ao desenvolvimento teórico [3][4].
- Pode também facilitar o acesso a materiais relevantes e ajudar na organização estrutural dos trabalhos acadêmicos [5].

Conclusão
O uso lícito da inteligência artificial em trabalhos acadêmicos exige transparência, responsabilidade ética e validação humana constante. Seguir diretrizes institucionais específicas e reconhecer as limitações das ferramentas é essencial para preservar a integridade científica. Com essas práticas, a IA pode se tornar uma aliada valiosa no avanço da pesquisa acadêmica enquanto mantém os padrões éticos elevados.

Referências utilizadas:
-[1],[2],[3],[4],[5],[6],[7]

Links:
[1] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10801601/
[2] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11224801/
[3] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10759812/
[4] https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666990024000120
[5] https://www.microsoft.com/en-us/microsoft-365-life-hacks/writing/ai-thesis-statement
[6] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11838153/
[7] https://www.frontiersin.org/journals/education/articles/10.3389/feduc.2024.1347421/full
[8] https://www.yomu.ai/blog/10-best-ai-tools-for-clear-academic-writing-2024
[9] https://www.enago.com/academy/guideline-for-using-ai-for-academic-writing/
[10] https://www.enago.com/academy/generative-ai-ethics-in-academic-writing/
[11] https://typeset.io/resources/ai-for-thesis-writing/
[12] https://www.tekedia.com/the-ethical-use-of-ai-in-academic-writing-what-students-need-to-know/
[13] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11015711/
[14] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10478332/
[15] https://www.unesco.org/en/artificial-intelligence/recommendation-ethics
[16] https://www.timeshighereducation.com/campus/artificial-intelligence-and-academic-integrity-striking-balance
[17] https://libguides.unm.edu/AIinEducation/integrity
[18] https://www2.education.vic.gov.au/pal/generative-artificial-intelligence/guidance/promoting-academic-integrity
[19] https://www.theacademicpapers.co.uk/blog/2023/08/09/ai-tools-for-dissertation-writing/
[20] https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10502596/
[21] https://www.unesco.org/en/legal-affairs/recommendation-ethics-artificial-intelligence
[22] https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/2331186X.2023.2236469
[23] https://www.facultyfocus.com/articles/teaching-with-technology-articles/five-tips-for-writing-academic-integrity-statements-in-the-age-of-ai/
[24] https://www.bu.edu/ctl/ctl_resource/ai-and-academic-integrity/
[25] https://journals.lww.com/jasc/fulltext/2023/04030/can_researchers_write_their_articles_by_artificial.1.aspx
[26] https://www.editage.com/insights/using-ai-powered-tools-effectively-for-academic-research
[27] https://cybernews.com/ai-tools/best-ai-paper-writer/
[28] https://www.theregister.com/2024/05/03/ai_scientific_articles/
[29] https://appsource.microsoft.com/en-us/product/office/wa200001361?tab=overview

Ver também: CÍRICO, J.;Reflexões sobre Ética no uso de Inteligência Artificial em pesquisas no campo da Educação Profissional e Tecnológica. Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica, [S.l.], v. 2, n. 24, p. 1-11 e17376, dez. 2024. ISSN 2447-1801.

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