Em biologia e genética humanas, o consenso atual é que não existem “raças humanas” no sentido científico de grupos biológicos distintos dentro da espécie humana.
Genética: humanos são muito parecidos
Estudos de genômica mostram que quaisquer duas pessoas humanas são, em média, cerca de 99,9% idênticas no nível do DNA. A maior parte da variação genética (cerca de 85–95%) ocorre entre indivíduos de um mesmo grupo socialmente chamado de “raça”, e apenas uma fração pequena da variação está associada a diferenças entre grupos. Isso quer dizer que dois indivíduos classificados como de “raças” diferentes podem ser geneticamente mais parecidos entre si do que dois indivíduos da mesma “raça”.
Variação contínua, não “caixinhas”
Quando se observa a diversidade genética humana em escala global, o que aparece é um gradiente contínuo associado a migrações, isolamento geográfico e mistura ao longo de dezenas de milhares de anos. Não há fronteiras genéticas nítidas que permitam separar a humanidade em subconjuntos estáveis e bem delimitados, como a definição biológica de “raça” exigiria (linhagens evolutivas distintas ou populações claramente isoladas). Por isso, muitos geneticistas defendem que faz mais sentido falar em “ancestralidade” e “populações” do que em “raças”.
Posição das ciências humanas e biológicas
Associações científicas como a American Anthropological Association afirmam há décadas que “raça” é uma construção social e histórica, usada para justificar hierarquias e desigualdades, mas não corresponde a divisões biológicas naturais entre humanos. Textos de antropologia biológica e genética populacional reforçam que não existem “raças” humanas sob definições biológicas rigorosas (por exemplo, como linhagens separadas) e que a categoria “raça” varia de país para país, mostrando seu caráter social.
Então por que ainda se fala em “raça”?
Na vida social, o termo “raça” continua sendo usado porque ele descreve categorias político-sociais reais (negros, brancos, indígenas etc.), associadas a discriminação, desigualdades e políticas de reparação. Ou seja: cientificamente, não existem raças humanas como grupos biológicos separados, mas socialmente existem classificações raciais que têm efeitos concretos sobre oportunidades, violência e acesso a direitos, e por isso precisam ser estudadas e enfrentadas como construções históricas, não como fatos da natureza.
*** Outra postagem sobre tema semelhante ver aqui. Dica de leitura:
RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Referências
- https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8604262/
- https://www.cambridge.org/core/blog/2025/08/29/race-isnt-biological-so-why-do-so-many-still-think-it-is/
- https://en.wikipedia.org/wiki/Race_and_genetics
- https://explorations.americananthro.org/wp-content/uploads/2019/09/Chapter-13-Race-and-Human-Variation-3.0.pdf
- http://chadmeyersafam.weebly.com/uploads/3/8/8/6/38860379/aaa_statement_on_race.pdf

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