sexta-feira, 6 de março de 2026

A soma de dois sinais periódicos gera um sinal também periódico?


O Sinal $y(t) = \cos(t) + \sin(3t)$ é composto pela soma de dois sinais periódicos e resulta em um sinal também periódico. Será que a soma de dois sinais periódicos sempre vai gerar um sinal também periódico? A resposta, aparentemente deveria ser 'sim', mas nem sempre isso é verdade. Vejamos um exemplo.

Análise de Periodicidade: $x(t) = \sin(t) + \cos(\pi t)$

Para determinar se o sinal $x(t) = \sin(t) + \cos(\pi t)$ é periódico, precisamos analisar os períodos de suas componentes separadamente. Um sinal que é a soma de dois ou mais sinais periódicos é periódico se, e somente se, a razão entre os períodos fundamentais de quaisquer dois componentes for um número racional (um número que pode ser escrito como uma fração $\frac{a}{b}$, onde $a$ e $b$ são inteiros).

O sinal $x(t)$ é a soma de duas funções:

  • $x_1(t) = \sin(t)$
  • $x_2(t) = \cos(\pi t)$

Passo 1: Encontrar o Período de Cada Componente

Para uma função harmônica geral da forma $A \sin(\omega t)$ ou $A \cos(\omega t)$, o período fundamental $T$ é dado pela fórmula $T = \frac{2\pi}{\omega}$, onde $\omega$ é a frequência angular.

Período de $x_1(t) = \sin(t)$

A frequência angular é $\omega_1 = 1$. O período fundamental $T_1$ é:

\[ T_1 = \frac{2\pi}{\omega_1} = \frac{2\pi}{1} = 2\pi \]

Período de $x_2(t) = \cos(\pi t)$

A frequência angular é $\omega_2 = \pi$. O período fundamental $T_2$ é:

\[ T_2 = \frac{2\pi}{\omega_2} = \frac{2\pi}{\pi} = 2 \]

Passo 2: Verificar a Razão dos Períodos

Calculamos a razão entre os períodos para verificar se o resultado é um número racional:

\[ \frac{T_1}{T_2} = \frac{2\pi}{2} = \pi \]

Como $\pi$ (Pi) é um número irracional (não pode ser escrito como uma fração exata de dois inteiros), a razão dos períodos não é racional.


Conclusão

A condição necessária para que a soma de dois sinais periódicos seja periódica é que a razão de seus períodos seja racional. Visto que a razão $\frac{T_1}{T_2} = \pi$, que é irracional, concluímos que o sinal:

$x(t) = \sin(t) + \cos(\pi t)$ NÃO é periódico.

#Math #Matemática

quarta-feira, 4 de março de 2026

Novo E-Book disponível - Fundamentos e Compreensão sobre as IAs Generativas: uso ético das ferramentas


Vivemos um momento de fascínio e, ao mesmo tempo, de incertezas em relação à rápida evolução tecnológica. Entre o entusiasmo acrítico e o alarmismo, é fundamental encontrar um caminho de equilíbrio fundamentado no pensamento crítico. É com esse propósito que tenho o prazer de divulgar o nosso e-book "Fundamentos e Compreensão sobre as IAs Generativas: uso ético das ferramentas", de autoria do minha e da Profa. Ma. Yris A. Bandeira. O e-book conta com um prefácio do prof. Dr. Solonildo Almeida e um posfácio da profa. Dra. Joelia Marques de Carvalho. 


O que é este e-book?

Esta obra não pretende ensinar programação, mas sim promover o uso ético, crítico e criativo da IA Generativa como uma ferramenta de apoio ao ensino e à aprendizagem. O foco não está na tecnologia por si só, mas na intencionalidade pedagógica que orienta o seu uso. O nosso objetivo é conduzir o leitor para além dos mitos e do frenesi que cercam o tema.

O Conceito do "Professor Aumentado"

Um dos pilares que emerge no livro é o conceito do "Professor Aumentado": aquele que não será substituído pela máquina, mas que integra a inteligência algorítmica ao seu repertório pedagógico. A ideia é usar a IA para automatizar tarefas mecânicas e burocráticas, ganhando tempo para o que é verdadeiramente humano: a sensibilidade ética, a escuta ativa e a mediação humana.

No e-book, você aprenderá que a IA:

  • Não é uma entidade dotada de consciência, mas um sofisticado espelho estatístico da nossa própria produção intelectual.
  • Funciona como um modelo probabilístico que prevê a melhor resposta com base em padrões, e não como uma fonte de verdade absoluta.

O que você encontrará na leitura?

A obra foi estruturada como uma jornada prática, cobrindo desde a história da IA até aplicações diretas na sala de aula:

  • Guia de Ferramentas Gratuitas: Detalhamento de recursos como ChatGPT, Gemini, Perplexity, MathGPT e NotebookLM.
  • Letramento em IA (AI Literacy): A competência de formular as perguntas adequadas (Engenharia de Prompt) e avaliar criticamente as respostas.
  • Riscos e Ética: Uma análise profunda sobre alucinações (informações inventadas pela IA) e vieses algorítmicos que podem reproduzir preconceitos sociais.
  • Orientações Institucionais: Um levantamento de como universidades brasileiras (como UFC, UFPB, Unicamp e USP) estão regulamentando o uso da IA.
  • Recursos Práticos: Inclui um Manual do Perplexity (feito pelo próprio Perplexity) e uma sugestão de Contrato de Uso Ético para ser utilizado com os alunos.

Uma tecnologia para potencializar a humanidade

O futuro da educação não deve ser uma escolha excludente entre humanos ou máquinas, mas a harmonia perfeita entre a eficiência algorítmica e a sabedoria pedagógica. Como afirmam os autores, "a máquina propõe, mas o pedagogo dispõe".

Convido todos a acessarem este material essencial para quem deseja transformar a IA em uma poderosa aliada no desenvolvimento humano e social.

Links para baixar gratuitamente o e-book

DOI e Link Zenodo: https://zenodo.org/records/18868505/files/ebook-intro-IA2.pdf?download=1

O e-book também está disponível na Biblioteca do IFCE, Link aqui

domingo, 1 de março de 2026

Apresentação do Coro e a Orquestra do Tabernáculo da Praça do Templo - São Paulo.

Você gosta de música? Uma dica: o Coro e a Orquestra do Tabernáculo da Praça do Templo se apresentaram em São Paulo capital, Brasil, ontem, dia 28 de fevereiro de 2026. Esta apresentação faz parte da turnê mundial “Canções de Esperança” (Songs of Hope). Será a sexta parada da turnê, após visitas ao México, Filipinas, Flórida e Geórgia (EUA), Peru e Argentina.

*** Link do vídeo: Turnê Mundial do Coro do Tabernáculo – São Paulo, Brasil

O Coro e a Orquestra do Tabernáculo da Praça do Templo

Eles formam uma das instituições musicais mais antigas, grandiosas e respeitadas do mundo, atuando como embaixadores globais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Abaixo, conheça os principais detalhes sobre a história, a estrutura e o impacto desse grupo monumental:

O Coro do Tabernáculo da Praça do Templo

  • História e Tradição: O coro foi fundado em 1847, pouco tempo depois que os pioneiros chegaram ao Vale do Lago Salgado, em Utah (EUA). Em 2018, o grupo (antes conhecido como "Coro do Tabernáculo Mórmon") mudou seu nome para o atual, alinhando-se à diretriz da Igreja de usar seu nome oficial.
  • Composição: É formado por incríveis 360 cantores. Um detalhe surpreendente é que todos são voluntários. Eles não são pagos por suas apresentações ou ensaios, dedicando horas de suas semanas pelo simples amor à música e à sua fé.
  • Requisitos: Para participar, os membros devem ter entre 25 e 55 anos, morar a um raio de até 160 km da Praça do Templo e ser membros fiéis da Igreja. O tempo máximo de permanência no coro é de 20 anos.

A Orquestra da Praça do Templo

  • Criação: Estabelecida em 1999, a orquestra foi criada para acompanhar o Coro do Tabernáculo e o grupo de sinos (Bells at Temple Square).
  • Estrutura: Assim como o coro, a orquestra é composta inteiramente por voluntários. Há um rodízio entre cerca de 200 músicos talentosos para formar uma orquestra sinfônica de aproximadamente 150 instrumentos a cada apresentação.
  • Sinergia: A adição da Orquestra garantiu um som ainda mais grandioso e coeso, seja nos concertos semanais ou nas grandes conferências gerais da Igreja.

"Música e Palavras de Inspiração" (Music & the Spoken Word)

Este é o coração do trabalho do Coro e da Orquestra. Trata-se de um programa de rádio e TV transmitido semanalmente.

  • Marco Histórico: No ar desde 1929, é a transmissão de rede contínua mais antiga da história em todo o mundo.
  • Formato: O programa de 30 minutos apresenta músicas sacras e inspiradoras, acompanhadas por uma breve mensagem não denominacional focada em valores como esperança, paz, amor e união.

Impacto Global e Reconhecimento

  • O coro já gravou centenas de álbuns e possui prêmios importantíssimos, incluindo um Grammy (em 1959) e vários prêmios Emmy.
  • Eles já se apresentaram em diversas posses de presidentes dos Estados Unidos, ganhando o apelido de "O Coro da América", dado pelo ex-presidente Ronald Reagan.
  • A missão principal deles é transcender barreiras culturais e linguísticas para levar paz e alegria às pessoas por meio da música, realizando turnês mundiais com frequência

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Política: problemas internos? Crie-se um inimigo externo.

Mapa da Guerra EUA + Israel x Irã (fonte aqui)


Você já deve ter ouvido a frase: 'se você tem problemas internos, crie um inimigo (ou uma guerra) externa'. A ideia de “criar um inimigo externo” para desviar atenção de problemas internos é uma estratégia política antiga e recorrente. Funciona porque mexe com algo muito primitivo: a identidade de grupo e o medo. Quando há crise econômica, corrupção, impopularidade ou instabilidade, um governo pode usar a estratégia do “inimigo externo” para:

  • redirecionar a narrativa pública;
  • reforçar o sentimento de “nós contra eles”;
  • unir a população em torno de uma ameaça comum;
  • diminuir o espaço para críticas internas.

Isso não é uma teoria conspiratória. É um padrão histórico. Alguns  exemplos:

  • A retórica nacionalista da Adolf Hitler contra judeus e potências estrangeiras ajudou a consolidar apoio interno em meio à crise econômica alemã.
  • Durante a Guerra das Malvinas (1982), o regime militar de Leopoldo Galtieri (da Argentina) mobilizou o conflito externo para tentar fortalecer um governo enfraquecido.
  • Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o governo de George W. Bush construiu uma forte narrativa contra o “terrorismo global”, o que aumentou dramaticamente sua aprovação interna. Claro, as consequências não foram somente 'internas' - ver uma análise aqui

Veja: isso não significa que toda ameaça externa seja inventada. Às vezes ela é real. O ponto é como ela é usada politicamente.

Por que isso funciona?

  1. O medo reduz pensamento crítico.
  2. A população tende a se unir diante de um perigo comum.
  3. A oposição passa a ser vista como “antipatriótica”.
  4. A mídia muda o foco do debate.
  5. É uma forma sofisticada de controle narrativo.

O risco

Quando líderes recorrem constantemente a inimigos externos (ou internos tratados como externos -- minorias, imprensa, intelectuais), o debate público empobrece. Problemas estruturais deixam de ser enfrentados. A polarização aumenta. A democracia fica enfraquecida.

Nós sabemos que quando um grupo está sob pressão, a tendência é procurar um culpado visível, não uma causa complexa. Na política isso pode virar uma estratégia de sobrevivência, não importa muito as consequências para que são atingidos por essa estratégia. E essas consequências podem ser terríveis. 

A pergunta madura não é “isso acontece?”, mas:

  • a ameaça é proporcional aos fatos?
  • o discurso está substituindo políticas concretas?
  • problemas internos estão sendo efetivamente resolvidos?

No fundo, essa frase (crie um inimigo externo) descreve um mecanismo psicológico coletivo: é mais fácil lutar contra um inimigo do que enfrentar nossas próprias falhas, limitações e problemas. Tanto o governo dos EUA quanto o governo de Israel têm graves problemas internos, eleger o Irã como o inimigo da vez foi a saída encontrada. O governo impopular e o extremismo religioso do Irã, a possibilidade (remota) de desenvolver armas nucleares é apenas uma desculpa mal disfarçada. Morte e destruição são consequências 'naturais', o diálogo fica em segundo ou terceiro plano.  

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Consultar endereço pelo CEP.


O CEP (Código de Endereçamento Postal) no Brasil é um sistema de oito dígitos (formato 00000-000) utilizado pelos Correios para organizar e agilizar a entrega de correspondências em todo o território nacional. Convertendo CEP em endereço:

Consultar Endereço pelo CEP


Prompt que eu usei para gerar o script de CEP: Eu quero incluir em meu blogue (tecnologia Blogger) uma script em que você inseri o CEP e o script informa o endereço. Gere esse script.



E para descobrir qual o CEP de um determinado logradouro:

Buscar CEP pelo Endereço

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Aviões chegando e partindo de Fortaleza

Aviões chegando e partindo do Aeroporto Pinto Martins (Fortaleza - SBFZ)

Mapa em tempo real via ADS-B Exchange (atualiza automaticamente a cada poucos segundos).


Aviões no Aeroporto de Congonhas (CGH)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Onde está a ISS: posição atual.


A Estação Espacial Internacional (ISS) viaja a uma velocidade impressionante de cerca de 28.000 km/h, orbitando a uma altitude de aproximadamente 400 km. Ela completa uma volta inteira ao redor da Terra a cada 90 minutos. Isso significa que a tripulação vê o nascer e o pôr do sol a cada 45 minutos. Ela pode estar cruzando o Japão agora e, em poucos minutos, já estar sobrevoando o meio do Oceano Pacífico.

Onde está a ISS:

 

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Valor Máximo da Função f(x) = x^(1/x)

Valor Máximo da Função $f(x) = x^{1/x}$ para $x > 0$

Obs: usamos o MathGPT para nos auxiliar nos cálculos.  

Para encontrar o valor máximo da função $f(x) = x^{1/x}$ onde $x > 0$, utilizamos o cálculo diferencial.


1. Usando a Derivação Logarítmica

Como a variável $x$ está na base e no expoente, aplicamos o logaritmo natural ($\ln$) em ambos os lados da função:

Seja $y = f(x) = x^{1/x}$.

\[ \ln(y) = \ln\left(x^{1/x}\right) \]

Usando a propriedade dos logaritmos ($\ln(a^b) = b \cdot \ln(a)$):

\[ \ln(y) = \frac{1}{x} \cdot \ln(x) \]


2. Derivando Implicitamente

Derivamos ambos os lados em relação a $x$. Usamos a regra da cadeia no lado esquerdo e a regra do quociente no lado direito $\left(\frac{u}{v}\right)' = \frac{u'v - uv'}{v^2}$, onde $u = \ln(x)$ e $v = x$.

\[ \frac{d}{dx} [\ln(y)] = \frac{d}{dx} \left[ \frac{\ln(x)}{x} \right] \]

A derivada resulta em:

\[ \frac{1}{y} \cdot \frac{dy}{dx} = \frac{\left(\frac{1}{x}\right) \cdot x - \ln(x) \cdot 1}{x^2} \]

\[ \frac{1}{y} \cdot \frac{dy}{dx} = \frac{1 - \ln(x)}{x^2} \]

Isolamos $\frac{dy}{dx}$ (que é $f'(x)$) e substituímos $y$ de volta:

\[ f'(x) = x^{1/x} \cdot \left( \frac{1 - \ln(x)}{x^2} \right) \]


3. Encontrando Pontos Críticos

O ponto crítico ocorre quando $f'(x) = 0$. Como $x > 0$, $x^{1/x}$ e $x^2$ são sempre positivos. Portanto, a derivada é zero quando o numerador é zero:

\[ 1 - \ln(x) = 0 \]

\[ \ln(x) = 1 \]

A solução para $x$ é:

\[ x = e \]


4. Verificando se é um Máximo

Analisamos o sinal da derivada $f'(x)$ em torno de $x=e$. O sinal depende de $(1 - \ln(x))$:

  • Se $0 < x < e$: $\ln(x) < 1$, então $1 - \ln(x) > 0$. A função está crescendo ($f'(x) > 0$).
  • Se $x > e$: $\ln(x) > 1$, então $1 - \ln(x) < 0$. A função está decrescendo ($f'(x) < 0$).

Como a função muda de crescente para decrescente em $x=e$, este ponto corresponde a um valor máximo.


5. Calculando o Valor Máximo

O valor máximo é encontrado substituindo $x=e$ na função original:

\[ f_{\text{máx}} = f(e) = e^{1/e} \]

Usando um cálculo de precisão (onde $e \approx 2.71828$):

O valor numérico aproximado é:

\[ e^{1/e} \approx 1.44466786 \]

Conclusão

O valor máximo da função $f(x) = x^{1/x}$ para $x>0$ é $\mathbf{e^{1/e}}$. 

Gráficos da função $f(x) = x^{1/x}$ (feito com o Scilab):


 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Dica de leitura: Pequeno Manual Antirracista de Djamila Ribeiro


“Pequeno manual antirracista”, de Djamila Ribeiro, é um ensaio curto e acessível que apresenta lições diretas sobre as origens do racismo no Brasil e caminhos concretos para enfrentá-lo no cotidiano. Com uma 'Introdução' e mais onze capítulos breves, a autora discute temas como racismo estrutural, negritude, branquitude, mitos da democracia racial e da meritocracia, mostrando como o racismo organiza oportunidades, afetos e violências na sociedade brasileira. Com linguagem clara e exemplos do dia a dia, o livro convoca especialmente pessoas brancas a reconhecerem privilégios e responsabilidades, defendendo que não basta “não ser racista”: é preciso assumir práticas antirracistas em família, na escola, no trabalho e nas políticas públicas. 

A força do texto está na combinação entre rigor conceitual, experiência histórica e pessoal e propostas práticas de ação, o que explica seu impacto em debates sobre educação, justiça social e políticas de igualdade racial. Publicado pela Companhia das Letras em 2019, “Pequeno manual antirracista” tornou-se best-seller e recebeu o Prêmio Jabuti 2020 na categoria Ciências Humanas, consolidando-se como obra de referência contemporânea no campo do antirracismo no Brasil. 

Não existem 'raças' humanas.


Em biologia e genética humanas, o consenso atual é que não existem “raças humanas” no sentido científico de grupos biológicos distintos dentro da espécie humana.

Genética: humanos são muito parecidos

Estudos de genômica mostram que quaisquer duas pessoas humanas são, em média, cerca de 99,9% idênticas no nível do DNA. A maior parte da variação genética (cerca de 85–95%) ocorre entre indivíduos de um mesmo grupo socialmente chamado de “raça”, e apenas uma fração pequena da variação está associada a diferenças entre grupos. Isso quer dizer que dois indivíduos classificados como de “raças” diferentes podem ser geneticamente mais parecidos entre si do que dois indivíduos da mesma “raça”.

Variação contínua, não “caixinhas”

Quando se observa a diversidade genética humana em escala global, o que aparece é um gradiente contínuo associado a migrações, isolamento geográfico e mistura ao longo de dezenas de milhares de anos. Não há fronteiras genéticas nítidas que permitam separar a humanidade em subconjuntos estáveis e bem delimitados, como a definição biológica de “raça” exigiria (linhagens evolutivas distintas ou populações claramente isoladas). Por isso, muitos geneticistas defendem que faz mais sentido falar em “ancestralidade” e “populações” do que em “raças”.

Posição das ciências humanas e biológicas

Associações científicas como a American Anthropological Association afirmam há décadas que “raça” é uma construção social e histórica, usada para justificar hierarquias e desigualdades, mas não corresponde a divisões biológicas naturais entre humanos. Textos de antropologia biológica e genética populacional reforçam que não existem “raças” humanas sob definições biológicas rigorosas (por exemplo, como linhagens separadas) e que a categoria “raça” varia de país para país, mostrando seu caráter social.

Então por que ainda se fala em “raça”?

Na vida social, o termo “raça” continua sendo usado porque ele descreve categorias político-sociais reais (negros, brancos, indígenas etc.), associadas a discriminação, desigualdades e políticas de reparação. Ou seja: cientificamente, não existem raças humanas como grupos biológicos separados, mas socialmente existem classificações raciais que têm efeitos concretos sobre oportunidades, violência e acesso a direitos, e por isso precisam ser estudadas e enfrentadas como construções históricas, não como fatos da natureza.

*** Outra postagem sobre tema semelhante ver aqui. Dica de leitura:

RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Referências 

  • https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8604262/ 
  • https://www.cambridge.org/core/blog/2025/08/29/race-isnt-biological-so-why-do-so-many-still-think-it-is/ 
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Race_and_genetics 
  • https://explorations.americananthro.org/wp-content/uploads/2019/09/Chapter-13-Race-and-Human-Variation-3.0.pdf 
  • http://chadmeyersafam.weebly.com/uploads/3/8/8/6/38860379/aaa_statement_on_race.pdf